FRANÇA . PARIS . HOTEL SAINT GERMAIN – A Sensação De Dormir Na Plataforma De Uma Estação de Metrô.

IMAGEM DESTACADA – “Por fora, bela viola.”

Repetimos o erro, justificando que ficaríamos apenas 5 noites em Paris e, por este motivo, não havia necessidade de ficarmos em um hotel “mais confortável”. Bem feito prá nós!
Escolhemos essa quase espelunca sem categoria alguma, iludidos pelas fotos postadas no Booking.com. E como iludem!!! Vimos que o hotel era “bonzinho” e reservamos.

Comecei a viajar para o exterior em 1986 – época de vacas magérrimas, aquelas que são “osso só” -, e não tinha condições financeiras para me hospedar em hotéis que fossem, pelo menos, bons. Alguns eram apresentáveis; mas a maioria…Meu Jesus Cristinho!…
A vida melhorou, felizmente, só tenho a agradecer, e por isso não me perdoo quando caio em uma arapuca dessas.

QUARTO e BANHEIRO
eram bem menores que o elevador, guardadas as devidas proporções.
Não havia lugar para colocarmos as malas de tão pequeno que era. Nem no chão havia como deixa-las! Fizemos uma baita desarrumação para ajeitarmos (hein?) as malas e por pouco, muito pouco, não tínhamos que passar por cima delas para podermos abrir a porta da muvuca. Leve em consideração que minhas fotos não mentem jamais! e apreciem.

Quando vimos a largura do corredor do prédio, soltamos o primeiro “Hummm…, já vi tudo”. E foi exatamente assim.


O elevador era ainda maior do que o do prédio onde alugamos um apartamento em 2013 e 2014, ali nas redondezas.
Pode lhes parecer esnobismo, mas não se trata disso: estamos velhos e não podemos mais ficar indiferentes a determinados tipos de conforto: elevador, ar condicionado, frigobar, cofre, lugar para malas.


Essas fotos não estão nada boas, mas retratam a realidade e isso é o que importa.


Normalmente somos nós que ajeitamos o quarto – inclusive arrumamos as camas -, mas esse… não tinha jeito.

Apesar de pequeno, o banheiro era limpo e havia um chuveiro muito bom em um box que não deixava a água passar para o piso do banheiro.

O estado deplorável da pintura das esquadrias nem se comenta.

MAS O PIOR NÃO ERA ISSO!
Assim que fizemos reconhecimento daquele 3 X 3 sentimos o prédio tremer, mas logo percebemos de onde vinha aquele sismo nível 3 na Escala Richter – môquiridu, estávamos alojados em cima de uma linha de metrô!!! O negócio era muito mais sério do que se possa imaginar. Era metrô prá lá e prá cá o dia inteiro, inclusive à noite, claro, e só melhorava de madrugada.

NO CAFÉ DA MANHÃ,
servido no subsolo, a situação piorava bastante. Você pode não acreditar, mas eu ouvia o barulho das rodas dos trens passando pelos trilhos! Aquele barulho de metal contra metal na hora da freada era muito forte e, além disso, tudo estremecia: louças e talheres tiritavam em cima das mesas toda vez que um trem daqueles passava. E bota comprimento nesse trem.
Não satisfeito, meu fiel escudeiro encostou o ouvido na parede e me disse o seguinte: – O Metrô está passando por detrás dessa parede! Melhor sair da frente prá não sermos atropelados!
A situação era prá rir e prá chorar. Optamos por rir. Toda vez que xícaras e colheres de café tiritavam nos pires e tudo tremia, ríamos de montão.
Toda manhã corríamos o risco de sermos atropelados pelo Metrô à mesa do café – ficou até divertido.

E por falar no café da manhã, até que não era mal. A cesta de pães que vinha para nossa mesa era de uma generosidade espantosa.


Uma cesta com cinco pães – aqui eu já havia comido dois! – é servida para cada hóspede. Os pães eram trazidos da cozinha quando o hóspede chegava.


Essas máquinas, adotadas pela maioria dos hotéis por onde temos passado, quebra um galhão. O próprio hóspede poderá se servir de café puro, com leite, café capuccino, chá, água quente.


Verdade seja dita, o café da manhã era servido justo na linha do metrô, mas tudo bem ajeitadinho.

E COMO DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM,
nem os funcionários da recepção eram simpáticos e prestativos. Mas, como nada é impossível, consegui abrir um sorriso no rosto da única senhora que trabalhava naquele balcão. Foi quando tive a idéia de lhe levar dois doces caprichados para que acompanhasse seu café. Eita nóis! Abriu um sorriso daqueles do tipo de lata de goiabada que fez gosto ver.
Na véspera de nossa tão esperada saída foi a ela que me dirigi para que nos solicitasse um taxi para a madrugada seguinte. E não é que ela nos fez esse obséquio com a maior simpatia e boa vontade?
“Não é por nada não”, mas não aconselho ninguém a se hospedar nessa espelunca.

“Guarde coisas para contar e não para mostrar.” – (maladeaventuras.com).

NB: Nas fotos onde se lê Amsterdam, abril de 2019, por favor, considere Paris, abril de 2019. Bateu a preguiça e por isso não refiz a legenda. Desculpaê!

 

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