BRASIL . SANTA CATARINA – Florianópolis: Trilha para Naufragados, Uma Aventura.


IMAGEM DESTACADA: Farol de Naufragados, Sul da Ilha de Santa Catarina.

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(Imagem do Google Earth)

Em janeiro deste ano comecei a escrever a respeito da trilha que leva à Praia de Naufragados. Clique aqui para saber mais informações.

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Na postagem anterior foi dito que o início da trilha para Naufragados fica em um bairro chamado Caieira da Barra do Sul, seguinte ao Ribeirão da Ilha (vista parcial), lembra?

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A caminho da Caieira da Barra do Sul. Na foto, pequena parte do Ribeirão da Ilha.

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Fazenda de ostras, Ribeirão da Ilha, o maior produtor em SC.

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Quem diz que tanto bucolismo fica ao sul da Ilha de Florianópolis?

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Ribeirão da Ilha

TEMPO DE CAMINHADA:

Não era de hoje que ouvia falar nesta trilha e no tempo gasto no percurso – bastante variável, por sinal, porque dependerá da agilidade de cada um.

“Quarenta minutos” é a média, diziam uns – jovens, evidentemente. Para outros, “cinquenta… mais ou menos uns cinquenta minutos”. Tava subindo a cotação quando batemos o martelo ao ouvirmos que o percurso de 3 km poderia ser coberto em uma hora. Beleza.

Levem sapatos leves! Tênis é o melhor calçado. Não se esqueçam do repelente! Água! Não deixem de levar água! e por aí vai.
As recomendações foram muitas, mas de apenas uma nos lembramos ao escalarmos aquela montanha cheia de pedras, de raízes e de umidade: dos benditos tênis.

Havia chovido e boa parte do terreno estava bastante encharcada, o que nos fez escorregar algumas vezes.
Com cara, coragem, uma bolsa de praia grande cheia de tralhas, óculos escuros e sandálias de borracha – mais “leve”, impossível – lá fomos nós mata a dentro sem o repelente, sem a água e ainda por cima carregando a tal bolsa grande cheia de tralhas. Levamos 1 hora e 30 minutos no percurso.

Um casal que saiu do estacionamento junto conosco, passou a frente e logo, logo sumiu na trilha. Também, pudera: eram jovens e ainda por cima calçavam tênis –  vantagem nenhuma até aí. Mais um pouquinho prá frente outro casal também passou por nós e fez poeira. E assim, como vez ou outra alguém passava por nós “dôsh” (sotaque manezês do número 2) e sumia, começamos a desconfiar que estávamos demorando muito na caminhada e veio a dúvida: será que um dia chegaremos a Naufragados?

Mas esse ritmo à la Rubinho Barrichelo teve vantagens e explico o porquê: escorreguei em uma descida e prendi o pé embaixo de uma pedra onde deixei baita amostra de meu DNA.
Felizmente, outro trilheiro que nos alcançou – um senhor de nome João com quem fizemos amizade a ponto de trocar endereços (isso é que é trilha!) -, ajudou meu fiel escudeiro a içar meus oitenta quilos e me colocar novamente nos trilhos; isto é, na trilha.

Escalamos bom pedaço no maior papo. E como não podia ser diferente, a conversa versou sobre autoajuda, doenças, novidades em medicamentos, religião, futebol, Carnaval, clima, programa de TV, família… assuntos variados. Logo depois despediu-se de nós em uma bifurcação que leva ao Farol de Naufragados e também sumiu na mata desejando-nos boa sorte. Era disso que precisávamos…
Esta foi a vantagem da lentidão: se estivéssemos em ritmo acelerado, não teríamos conhecido pessoa tão agradável, simpática e prestativa. Lembram do içamento? Quem sabe, eu não estaria presa naquela pedra até hoje? O pessoal que passava por nós ia em tamanha velocidade que nem se dava conta de que eu estava com metade do pé embaixo da pedra. – Vai que ela tá fazendo um ritual aqui na mata? Podiam pensar nisso e, quem sabe,  passavam batidos.

Como a trilha não tem indicação alguma, paramos um senhor que vinha em sentido contrário (foi de uma alegria tamanha encontrar alguém na contramão) e perguntamos se estávamos certos, coisa e tal. Com a firmeza de quem conhece a trilha de cor e salteado respondeu-nos afirmativamente, orientou-nos rapidamente como fazer quando chegássemos a um lugar assim, assado (o que demorou prá caramba!..), e continuou a descer. Repentinamente, voltou-se para nós e gritou: – Daqui a pouco estou de volta!… Tudo bem.

Aconteceu que não demorou muito estava ele atrás da gente, e ainda por cima acompanhado de uma senhora que devia beirar seus 60 anos de idade. E gorda. Mais do que eu. Passaram por nós – grande novidade! -, e ele ainda gritou lá da frente: – Vocês estão muito devagaaar!, curtindo com a nossa cara. Só podia.

E Naufragados não chegava nunca… Ah! E antes que me esqueça: perguntamos ao tal senhor se ainda faltava muito e ele respondeu que não. Que só faltava uma subida, uma descida, uma reta, depois mais uma subida, outra descida, mais uma reta e aí vinha a praia. É rápido. Prá quem, cara pálida?

Ao chegarmos – finalmente! – trêmulos à praia, a recompensa foi a paisagem deslumbrante; e o mar, que normalmente é violento naquele extremo (o nome “Naufragados” faz jus às embarcações que foram a pique nesta região), estava bem tranquilo. Também… alguma coisa boa tinha que acontecer depois de tanto sacrifício, né não?

Almoçamos pastéis de camarão e queijo – deliciosos – e ao entardecer voltamos de barco ao nosso ponto de partida.
No barco de quem? Daquele senhor que havíamos encontrado na trilha e que curtiu com nossa cara. Adoramos.
Mundo pequeno esse, né não?

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Quando vimos o início da trilha (foto), pensamos que seria a maior moleza. Daí…

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Ainda estava elogiando o asfalto da trilha quando começou a ficar assim esquisito.

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Da primeira parada (logo depois ao início) para pegar fôlego, cliquei esta foto.

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Vai acompanhando a situação…

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Até esse ponto ainda era possível fazer uns 3 metros em uma tacada só.

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Neste trecho começou o sufoco prá valer e não deu mais prá elogiar.

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Não deu mais prá elogiar o caminho! Porque a vista…

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Sem comentários… Ouvir o canto de pássaros, o barulhinho da água lambendo a terra, o vento acariciando os galhos das árvores… Mas também pensei em cobra; pode crer.

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O que dizer diante de tanta beleza? Cansados? Nós? Nem um pouco!!!

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Se pela foto você está achando bonito, imagine esta mata ao vivo e em cores. Canto de pássaros, barulho de água… um mosquitinho aqui e outro ali a devorar a gente em doses homeopáticas… Tudo faz parte da natureza. Numa boa.

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Saquei muitas fotos na trilha. A indecisão veio no momento de escolhê-las para postá-las.

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Qual eliminar?

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Fui tentando eliminar, mas acabei  postando todas.

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Como cortar uma foto dessas? Pode estar uma bomba, mas prá mim, tá linda!

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Até que cheguei a esta foto. Literalmente, a reta final. Devemos estar próximos a Naufragados.

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E estávamos. Essa casa foi o aviso de que estávamos, finalmente, na civilização. Sãos e salvos, nem bem chegamos à praia e já estávamos preocupadíssimos com a volta…

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Foi desta casa de onde saíram pastéis saborosíssimos!

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Mais um pedacinho da Ilha de Florianópolis se descortinando para nós.

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Finalmente Naufragados, nosso troféu. Ao fundo, à esquerda, a Ilha do Papagaio; à direita, a Ilha de Araçatuba, onde se encontra a Fortaleza de N. S. da Conceição.

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Ponta do Frade à esquerda.

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Meus 80 quilos e a sandália de borracha foram os responsáveis pela demora da travessia na mata – alguma coisa tem que pagar o pato. Mas, quando vi essa garça meditando na beira do mar, tomei uma decisão: comecei a fazer um regime e vou ficar assim.

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Neste trecho Naufragados faz jus à sua fama de mar agitado e perigoso. À esquerda, a Ilha de Araçatuba.

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Da esquerda para a direita: Ilhas do Papagaio e Araçatuba.

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Ponta de Naufragados, onde está o farol.

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O morro onde está a trilha que se atravessa até chegar à praia. Jesus, amado!

Para se chegar ao farol e aos canhões basta seguir à direita na bifurcação de onde nos separamos de nosso amigo João.
Segundo informações de minha prima, antes de se alcançar este ponto histórico da ilha há outra bifurcação.
Segundo seu relato, a trilha da esquerda que segue até a praia é estreita, difícil (só fiquei imaginando quanto) e perigosa porque margeia o mar. Seguindo à direita, chega-se ao monumento.

Aos poucos Naufragados foi ficando para trás, deixando em cada um de nós a sensação de que fomos vitoriosos de alguma forma.
Isso porque, apesar da idade já avançada (68 e 75), conseguimos vencer nossas dificuldades.
O percurso não foi fácil, mas serviu para nos certificarmos que estamos preparados para vencer obstáculos semelhantes e que ainda há tempo para desfrutarmos de novos e desafiantes caminhos. Hein?

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Em apenas 15 minutos regressamos ao ponto de partida

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Enquanto margeávamos a costa, pensei: por que não fazer uma trilha aqui embaixo, margeando o mar?

FINAL FELIZ:
Havíamos nos prometido fazer essa trilha há muito tempo e finalmente conseguimos.
Valeu cada escorregão, cada mordida de mosquito, o peso da bolsa, os tropeços, as paradas para tomar fôlego (foram incontáveis), os calçados inadequados … enfim, valeu tudo.
Pensando bem, quem sabe não faria tudo novamente?


Isso foi em 2015 e hoje estamos em 06/8/219. Passei aqui para fazer uma revisão, reli a aventura e posso lhe garantir o seguinte: agora, em vésperas de completar 73 anos e meu fiel escudeiro, completando 80 primaveras amanhã, asseguro que não retorno à Naufragados  NEM DE BARCO, mermão! NEM DE BARCO!

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CONTATO:

4 comentários em “BRASIL . SANTA CATARINA – Florianópolis: Trilha para Naufragados, Uma Aventura.”

  1. Verdadeiros desbravadores vocês são, achei maravilhoooooooooso, mas morreria de medo só de pensar nessa trajetória.Melhor fazer essa viagem através dos seus olhos e lentes. Bjus,
    Rosa

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  2. Dei boas risadas com o texto (como sempre!), mas as fotos!!!… as fotos estão maravilhosas! Se não fosse a minha idade, e todos os problemas que a acompanham, eu diria que vc me deixou com água na boca! Lugar delicioso! Parabéns!

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    1. Angela, você poderá chegar a Naufragados em 15 minutinhos, desde que embarque em uma prainha ao lado da Fazenda Paraíso das Ostras.
      Anteontem! meu irmão me informou o preço de uma perna da travessia: R$20,00 (vinte reais) por pessoa. Um amigo nosso foi acampar em Naufragados e pegou o barco.
      E como o ônibus para praticamente em frente a esta praia…
      Você amará Naufragados.
      Bjks e obrigada pelo comentário, Angela.

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