Aix-en-Provence – Nossa Passagem pelo Sul da França em 2014.


Foto do Destaque: Fonte Mousse no Cours Mirabeau.

Roteiro elaborado por Anaté Merger para a Provence: Rio de Janeiro / Lisboa / Nice (Menton; Saint Raphael; Biot; Saint-Paul-de-Vence; Villefranche-Sur-Mer) / Marseille (Calanques; Cassis) / Aix-en-Provence (Ménerbes; Cucuron; Carpentras; Isle-sur-la-Sorgue e Fontaine du Vaucluse; Uzés; Saint-Paul de Mausole; Saint-Saturnin; Saignon; Sault; Valensole; Lac de Sainte-Croix) / Paris (Estrasbourg) / Lisboa (Lagos; Tavira ) / Rio de Janeiro.

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UM POUCO DE HISTÓRIA:

Cidade fundada em 122 A.C. conta atualmente com mais de 140 mil habitantes.

Aix – inicialmente chamada de Aquae Sextiae – deve seu nome ao romano Gaius Sextius Calvine, que até hoje empresta seu nome a um spa – Thermes Sextius – instalado na cidade. Neste local funcionava uma terma romana da qual ainda se preservam algumas ruínas.

Aix en Provence (que se traduz como “Águas de Provence”) faz juz a seu nome: a abundância de água justifica as fontes espalhadas pela cidade. Só no Cours Mirabeau são três, onde saliento a Fonte Mousse, que não congela mesmo no inverno devido à temperatura de sua água – em torno de 27 graus.
De todas, a maior e mais conhecida é a La Rotonde, no Centro de Aix, e a dos Quatro Golfinhos, escondidinha na Praça de mesmo nome, acessível pela rua 4 de Setembro.
Na Place des Albertas há outra fonte, alcançável pela rua Espariat.

PAUL CÉZANNE:

O filho mais famoso de Aix foi o pintor pós-impressionista Paul Cézanne, nascido em 19 de janeiro 1839.
A casa onde nasceu, a loja de chapéus de seu pai e o atelier onde trabalhou por apenas quatro anos (de 1902 a 1906) estão em perfeitas condições para visitação.

Inúmeras telas e aquarelas com o motivo da Montanha Sainte Victoire não deixam dúvidas de que era seu foco predileto. Em mais de 80 obras Cézanne deixou muito evidente sua paixão pela montanha.  Dez de seus trabalhos estão expostos no Museu Granet próximo à Fonte dos Quatro Golfinhos.

Paul Cézanne inspirou-se em Delacroix para criar seu estilo de pintura. Matisse e Picasso o consideravam o precursor do Cubismo por ter valorizado as formas geométricas oferecidas pela natureza (cubo e esfera são exemplos). Suas composições ressaltam contornos arquitetônicos de objetos e paisagens. Sacrificou, inclusive, a perspectiva, em prol do que achava que devia ser valorizado. Sublime desobediência…

COMO CHEGAR A AIX-EN-PROVENCE:

Em 2013 saímos em TGV da Gare de Lyon, em Paris, e chegamos a Aix após 3 horas de viagem.

Leonor, nossa guia e piloto de um carrão que nos conduziria pela Provence a partir do dia seguinte, nos aguardava na gare. Eu havia lhe enviado nossa foto e a danadinha veio ao nosso encontro assim que botamos o pé na plataforma.

Em 2014 estávamos bem mais perto, em Marseille, e a viagem durou apenas 30 minutinhos.  Não importa se você faz esse percurso de trem ou ônibus, o tempo é praticamente o mesmo.
O trajeto é servido por trens ditos comuns, que para nós é puro luxo. São confortáveis, refrigerados e ainda dispõem de mesas bem úteis como essas duas que você vê na foto.

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De Marseille a Aix a viagem é curta – de apenas 30 minutos. O trajeto é servido por trens comuns como esse. Para nós, um luxo!

Saiba mais como chegar a Aix clicando aqui. Anaté Merger indica algumas opções para quem vem de Nice, Paris e Marseille e você ainda aproveita para visitar o site e conhecer as opções de passeio que a jornalista brasileira oferece pelo sul da França.

COMÉRCIO DE AIX:

Embaixo do prédio onde alugamos apartamento, bem em frente à Prefeitura, há excelente comércio: restaurantes, cafés, boutiques, feiras tradicionais e de flores, padarias, supermercados, caixas eletrônicos, lojas onde você compra comida pronta, sorveteria, boutique de biquines e maiôs, malas, enfim… tudo! Lugar onde uma pessoa comodista como eu moraria com a maior tranquilidade.

O que também não falta em Aix são lojas populares e o Monoprix é um exemplo. Trata-se de um tipo de Lojas Americanas beeem melhorado, espalhado por toda a França, e em todas as lojas você conta com um supermercado prá ninguém botar defeito.
Além do mais, lojas de grifes famosas tais como Mango, Lacoste, Mac etc, incluindo as nossas “legítimas” Havaianas, valorizadíssimas, não poderiam faltar em Aix.

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O interior de qualquer loja La Cure Gourmande é uma festa. Nesta prateleira vemos os Calissons – uma delícia feita com amêndoas, receita exclusiva de Aix.
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Para se chegar ao Le Palais des Thés não precisa de endereço completo: basta seguir o perfume que exala da loja da rue Chabrier.
São chás de diversas procedências. Impossível sair de lá sem comprar um sachet.

As embalagens são especiais, hermeticamente fechadas. Para você ter uma idéia, ainda tenho sachets que comprei em 2013 em perfeitas condições.
Ressalto a mistura perfumada de laranja com gengibre. É simplesmente divina, digna de ser oferecida a um Zeus. Dentre todos os sabores que experimentei é o meu predileto.

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Na loja há sempre um chá fumegando em um bule térmico para ser oferecido à clientela. Foi por conta de uma prova dessas que me encantei pelo chá de laranja com gengibre.

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À direita da Cure Gourmande há uma loja especializada em geléias, vinagres e azeites onde entrei várias vezes me esforçando ao máximo para não comprar nada. “Mans”, após muito paquerar um vidro de “xiléia” de limôn, um de larrranja e outro de morrrango, não houve jeito: a compra foi inevitável apesar de meu fiel escudeiro estar sempre pronto a me demover da idéia de comprar alguma coisa.

Nessa queda de braço quem acabou declinando de sua rigidez espartana sempre que se ventila a hipótese de um lançamento a débito em sua conta corrente, foi ele.

Monsieur Nogueirrrá abriu a carteira, comprou alguns vidros de confuture e a consequência deste ato insano é que não policiou meus gastos e também saí da loja feliz da vida com vidros na bolsinha.

Ao se dar conta do gasto ficou meio contrariado, mas… bastou experimentar as doçuras para relaxar e acabar confessando que as geleias eram deliciosas. Pudera!… Geléias francesas com sotaque e tudo.

GELEIA e CONFITURE – VISÍVEIS DIFERENÇAS.

Aproveito a deixa para esclarecer a diferença entre geleia e confiture para quem desconhece.

A primeira é  muito mais nobre por motivos que você verá adiante.
A confiture é processada com pedaços da própria fruta – e às vezes cascas e bagaços entram no tacho -, a exemplo da chimia (ou schmier) que tantas vezes vi minha mãe, tias e avó fazendo. Já expliquei isso aqui no blog, desculpem o repeteco.
A quantidade de doce no final da cozedura era grande: uma parte era destinada ao uso imediato e a outra era acondicionada em vidros especiais que passavam por um processo trabalhoso para a conservação de seu conteúdo fora da geladeira.
A “xileia”, como ainda pronunciam alguns parentes de Santa Catarina – somos descendentes de alemães -, é mais requintada. É elaborada apenas com sumo das frutas e açúcar. Quanto mais rica em pectina for a fruta, mais encorpada fica a geleia, que acaba adquirindo uma consistência vítrea ao esfriar.

Laranjas (principalmente a que conhecemos como chin-chin), limões, morangos, framboesas – que eu mesma colhia na cerca da fazenda de meu avô – e pêssegos, cansei de vê-los fumegando em enormes tachos sobre o ferro em brasa do fogão à lenha em casa de meus avós. Fogão que não apagava nunca, diga-se de passagem.
Tenho todas essas imagens vividas nas “terras” de meu avô, em Brusque (mais precisamente da Guabiruba do Norte Alto),  muito vivas em minha memória.

Voltando à França:

AZEITES – O MELHOR DA PROVENCE:

Quem pensa que as lavandas são o produto que mais vende na Provence está redondamente enganado. O produto que mais se destaca no Sul da França é o azeite.

E como não poderia deixar de ser, nossa guia e amiga Leonor nos indicou uma loja pequenina bem pertinho de onde alugamos apartamento: A CAVE DU FÉLIBRIGE na 8 Rue des Cordeliers, 13100 Aix-en-Provence, França – Telefone:+33 4 42 96 90 62.
Em 2013 Leonor havia nos presenteado com duas garrafas de um azeite bem ácido, do jeito que amo de paixão. Magnífico.
Em 2014 só encontramos uma garrafa, que acabou ficando com meu fiel escudeiro.
Este azeite é de fabricação artesanal limitada e foi premiado recentemente por sua qualidade. Aroma e sabor surpreendentes – de folhas de oliveira verdinhas que a gente amassa na mão. Até então nunca havia experimentado um azeite assim tão puro, tão natural.

O APARTAMENTO QUE ALUGAMOS

O prédio da rue Vauvenargue onde alugamos apartamento conta com elevador moderno, acessível após o morador passar por dois portões e digitar dois códigos diferentes: o primeiro abre a pesadíssima porta de madeira do edifício e o outro a porta de vidro da longa portaria.  Mas ainda não acabou: você só consegue acessar o elevador após utilizar um pequeno instrumento identificador do apartamento. Trazia esses códigos escritos em vários lugares. Caso nos faltasse a memória – o que não é difícil – e não pudéssemos entrar no prédio seria uma naba (dicionário manezês).

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Alugamos o imóvel por intermédio de Anaté Merger – clique aqui para saber mais – e tivemos gratíssima surpresa quando adentramos o apartamento: arejado, claro, espaçoso, bem montado, confortável e ainda com todos os apetrechos de cozinha à disposição. Melhor, impossível. Tudo funcionando a contento.

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O apartamento que havíamos alugado no mesmo prédio em 2013 não era tão amplo e houve um pormenor que nos dificultou bastante: uma escada com degraus para um pé só (tipo aquela da casa de Santos Dumont, em Petrópolis) que leva ao mezanino onde fica a cama.

Subir não era muito problemático; o negócio era descer de madrugada para irmos ao banheiro. Tínhamos que sair tateando a mesa de cabeceira para acender a luz e acabávamos acordando o outro. Diria que trata-se de um apartamento para jovens.

Mas esse era tudo de bom. Uma maravilha, nosso Paraíso em Aix mesmo sem ser um “Pedaço de Saigon” (Carlão, Feital e Cláudio Cartier). Ah! Esqueci de dizer: janelas antirruído!

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Praça da Mairie (Prefeitura), vista das janelas do apartamento – nossa melhor TV.

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Do outro lado da praça está a Prefeitura (Mairie).

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Esses pássaros pretos de nome complicado (esqueci de anotar) que lembram o anu preto, diariamente anunciavam o fim da tarde com muita algazarra, quase dentro do apartamento. Segundo nossa guia Leonor, comem qualquer coisa.

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Produtos comuns aqui no Brasil viram preciosidades nas prateleiras do supermercado.

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As feiras são diárias na Praça Richelme. Dispensável dizer que todos os produtos são vendidos frescos, sem defeitos, e isso se deve ao respeito pelo consumidor.

O francês não curte só um bom e bonito prato. Não. O francês curte o alimento! As donas de casa não ‘apertam’ frutas e legumes e o que mais lhe interessa comprar porque não existe esse péssimo hábito na França. Não há justificativa para esse tipo agressivo de comportamento porque tudo que é oferecido para comer ou beber, goza de perfeitas condições de consumo. O que está impróprio é descartado. Além do mais, normalmente, o próprio vendedor é quem lhe serve, justamente para evitar esse tipo de “seleção”, digamos assim.

Uma prova desse controle é que servem água de torneira até em restaurantes, caso você não especifique que deseja tomar água mineral. Questão de cultura…

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Pescados sempre frescos e sem aquele mau cheiro que conhecemos.

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Cabillau, o bacalhau fresco. Esta espécie surgiu há alguns anos em Floripa e gostei muito.

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Lavandas não poderiam faltar na feira de flores que é montada às terças, quintas e sábados na Praça da Prefeitura.

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Rua Marechal Foch. Por ela passávamos constantemente para chegarmos ao Cours Mirabeau e irmos ao encontro de Leonor.

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Nesta mesma rua, uma casa de artigos para bailarinos chamava tanta atenção quanto o sapato de gosto duvidoso na foto seguinte.

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Decididamente, há gosto prá tudo.
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Aix en Provence é riquíssima em comércio. Ninguém precisa andar léguas para encontrar o que deseja. Supermercados, cafés, padarias e açougues estão em toda parte …

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… bem como artesanatos provençais. E como a praia mais próxima pode ser alcançada em 30 minutos de estrada, os artigos praianos também são fáceis de serem encontrados e primam pela originalidade.

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A versão francesa do Pão de Açúcar. Na vitrine, roupas de praia.

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Paul. Famosa cadeia de padarias espalhada por toda a França, onde também comprávamos o “pão nosso de cada dia”.
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Riquíssima arquitetura em Aix.

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Brasserie La Place. Muito boa. 70, Place Richelme –  Aix-en-Provence. Tel: + 33.4.4226.2216.
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O espaguete estava excelente. Porções bem servidas, molho farto.
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Chapelaria. Tipo de loja que não se vê mais no Rio de Janeiro.
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O Cours Mirabeau.
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A Fonte Mousse de águas quentes (não congela apesar do rigor do inverno) e, ao fundo, o Café Belle Époque, onde todos os dias tomávamos um café aguardando por Leonor.
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Não sei porquê, mas sempre que entrava no Café me lembrava de Elis Regina cantando “Dois-prá-lá-dois-prá-cá” de  João Bosco. Acho que fazia sentido. Automaticamente …
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… lembrava-me da “ponta de um torturante band-aid no calcanhar” de alguma dançarina, bem como da tristeza da senhora…
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… solitária que Degas pintou em seu quadro “O Absinto” (conhecido também pelo nome “No Café”). Por último, de um possível Café frequentado por Toulouse Lautrec.
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Tudo pronto no açougue para facilitar a vida da dona de casa.
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Rue Marechal Foch.
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Feira do Cours Mirabeau.
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Panorama do Cours Mirabeau.
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Produtos elaborados com lavandim, delicadamente embalados.
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Calisson – produto típico do sul da França.
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Praça des Albertas na rua Espariat.
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A caminho do Museu Granet (clique aqui para saber mais) acabamos encontrando a Fonte dos Quatro Golfinhos, obra barroca esculpida em 1667. Linda.

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