Fábrica de Chocolates Puyricard e Riez – Valensole, França.


Foto em Destaque: Jardineira em frente à destilaria Terraroma Jaubert.
Endereço: Les Grandes Marges, 04210, Valensole.

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Roteiro elaborado por Anaté Merger para a Provence: Rio de Janeiro / Lisboa / Nice (Menton; Saint Raphael; Biot; Saint-Paul-de-Vence; Villefranche-Sur-Mer) / Marseille (Calanques; Cassis) / Aix-en-Provence (Ménerbes; Cucuron; Carpentras; Isle-sur-la-Sorgue e Fontaine du Vaucluse; Uzés; Saint-Paul de Mausole; Saint-Saturnin; Saignon; Sault; Valensole; Lac de Sainte-Croix) / Paris (Estrasbourg) / Lisboa (Lagos; Tavira ) / Rio de Janeiro.

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FÁBRICA DE CHOCOLATES PUYRICARD, nossa primeira parada:

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Para conhecer a fábrica é necessário agendamento e quem o providenciou foi Anaté Merger, jornalista brasileira residente em Aix  que opera turismo especializado no Sul da França.

Inicialmente pensei com meus botões que visitar uma fábrica de chocolates talvez não fosse interessante, mas, felizmente, me enganei redondamente! Valeu muito à pena. Só o perfume do chocolate  impregnado no ar já deu conta do recado.

A visita é interessantíssima e dura cerca de duas horas.
Fomos recebidos em um auditório e aguardamos até que todos chegassem para então recebermos algumas instruções.
Vestimos avental, touca, cobertura para sapatos e lá fomos nós.

Confesso que me arrependi até por ter pensado! que uma visita dessas não seria atraente. Quando me vi cercada de chocolates por todos os lados me senti uma Alice no País das Maravilhas. Vocês não têm idéia de como tudo funciona.

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Paulatinamente, todas as seções da fábrica nos foram mostradas em pormenores. Em cada uma sentia que minha boca aguava cada vez mais. Já corria risco de morrer afogada quando o funcionário anunciou o fim da visita e o início da degustação! Caramba! A hora de ir à forra tinha finalmente chegado: u’a mesa muito bem arrumada nos aguardava com todas aquelas delícias que tínhamos acabado de conhecer e  “o loxinha” estava aberto à nossa disposição.

Não mergulhei de cabeça porque meu colesterol levantou o dedo e num sonoro “Êpa! Perái!” que só eu escutei, me demoveu da idéia de continuar degustando “só mais um bombonzinho” das Maravilhas de meu País – triste Alice.

Imaginei que devido ao movimento constante de visitantes os funcionários se mostrassem indiferentes à nossa presença, mas cometi outro engano. Todos, sem exceção, foram muito simpáticos e estavam sempre prontos a satisfazer nossa curiosidade.

Surpreendi-me como são elaborados os saborosos calissons e os bombons: manualmente! O serviço é artesanal e requer paciência de copista medieval.

Não há dúvida de que o emprego de mão de obra qualificada é o responsável pela fama conquistada pela Puyricar, respeitável marca francesa de chocolates finos.

Aconteceu que nossa degustação não parou aí. Ao sairmos para o estacionamento nos deparamos com um pé de damascos maduros e o furto (?) a olhos vistos e a céu aberto foi inevitável.

Esses damascos tiveram um sabor muito especial: foram colhidos no pé…, eram prá lá de doces…, o damasqueiro reinava absoluto em um jardim de uma fábrica de chocolates…, e na Provence! E ainda por cima, foram colhidos “furtivamente”.
Aconteceu que a colheita de frutas não parou por aí e mais adiante houve outro episódio semelhante.

Foi o inesperado nos fazendo uma surpresa, tal qual na música de João Gilberto.

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OBS: As fotos seguintes não passaram por processo de Photoshop. A Provence é assim mesmo: repleta de luz, cores, aromas e sabores.

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Como resistir?

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Meu fiel escudeiro, feliz da vida,  deixando-se flagrar no “furto”.

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Damascos dulcíssimos furtados do jardim da Puyricard. Fruta furtada é bem mais gostosa. E quem duvida?

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Agendamentos para visitar a fábrica e outras informações clique aqui.

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Parcial da loja de chocolates.

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Tela pintada com  chocolate.

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Endereço da Fábrica Puyricard:  420 route du Puy Sainte Réparade, 13090 Aix-en-Provence.
Telefone: (33) 4 42 28 18 18. Fax: (+33) 4 42 28 18 19.

PLATEAU DE VALENSOLE:

Valensole é um dos maiores municípios franceses. Ocupa aproximadamente 12.700 hectares e, merecidamente, é considerado o “Celeiro da Região” por conta dos 800 km² ocupados por plantações de lavandim e cereais. Por que lavandim? A 500 metros de altitude onde está situado o plateau, apenas essa espécie híbrida de lavanda e aspic viceja.

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Imagem de aspic obtida na internet. Site: http://www.oflor.be/eaux-florales-pures/925-hydrolat-de-lavande-aspic.html.

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Em cada estação do ano a paisagem varia de acordo com a colheita. Em março, os cumes nevados dos Alpes e as amendoeiras em flor cedem lugar às plantações de lavandas e trigo; em novembro, o ocre da terra arada contrasta com o azul do céu de inverno, recomeçando o ciclo.

No Plateau de Valensole podemos distinguir diversos tipos de vegetação e dentre elas destacam-se o Pinheiro de Alepo (originário do Mediterrâneo que cresce em baixas altitudes – até 200 m) e florestas de Azinheira – uma espécie de carvalho que produz a trufa comestível, fornece madeira excelente para a construção de barris e barcos, e vigas e pilares para a construção de habitações.
Em minhas pesquisas acabei encontrando um blog bastante esclarecedor a respeito de trufas. Para saber mais clique aqui.

Uma curiosidade: os verdadeiros caçadores de trufas são cachorros treinados para essa finalidade. Algumas regiões adotam porcos, embora proibidos para executar essa atividade.

Vale uma visita ao blog citado acima, de uma brasileira apaixonada por trufas.

Em conversa com Leonor comentamos que nunca havíamos saboreado uma trufa. Ela ficou quietinha.

Dia seguinte, ao nos despedirmos na gare de Aix indo para Paris, uma surpresa: dentro de uma embalagem térmica havia duas trufas! Nossa! Um presente e tanto de nossa querida Leonor que já havia nos cativado com sua delicadeza, simpatia, atenção e carinho.

Em Paris, a receita que me passou rapidamente na gare foi a estrela de nosso jantar. Finalmente!, fomos apresentados às magníficas e caríssimas trufas. Do Sul da França, bien sur.

Terminamos o jantar com um brinde emocionado ao nosso Deus, à Leonor, à Anaté, e a tudo que vivemos intensamente na “nossa” Provence.

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Na foto, uma plantação de Azinheira.

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Acontece que nenhuma dessas riquezas atrai o turista para o Sul da França. Nem os girassóis! O domínio é das lavandas, indiscutivelmente, e muita matéria há na internet a respeito do assunto. Escrever mais alguma coisa seria redundância até mesmo de outras postagens que fiz aqui no blog.

Portanto, seguem apenas algumas fotos.

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Imaginei como esse caracol sairia perfumado deste galho de lavanda.

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Essa foto foi clicada em frente à destilaria citada no início da postagem, onde Leonor nos levou.

Eu lhe havia dito que gostaria de trazer alguns vidrinhos de óleo essencial de lavanda e ela então se prontificou em nos levar a uma destilaria onde os produtos são mais em conta.

Aqui abro um parêntesis para esclarecer o seguinte: os guias de Anaté não têm nenhum interesse em levar o viajante para lugares pré- determinados com o objetivo de serem comissionados. Isso não existe! Pelo contrário, Leonor nos indicava onde adquirir produtos de qualidade a preços convidativos. SEMPRE! Assim foi quando compramos azeite, sabonetes, geléias e souvenires. A mentalidade é outra, muito diferente daquela que conhecemos. 

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Campos de lavanda pertencentes à destilaria.

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Cliquei essa foto quando vi que o girassol sorria prá mim… Pretensão e água benta não fazem mal a ninguém – já diz o ditado.

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Em primeiro plano uma amostra de como fica o terreno após a colheita da flor.

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Nossa guia e companheira Leonor, sempre atenta, percebeu uma plantação de amendoeiras afastada alguns metros da beira da estrada e não teve dúvida: atravessou-a com o carro, guiou alguns metros em uma estradinha de barro e parou junto a uma cerca. Só nos demos conta do que se tratava quando nos aproximamos do arame farpado.

Via amêndoas verdes para vender na feira, mas jamais imaginei que pudéssemos comê-las neste estado. São macias e de sabor ainda mais delicado que quando maduras.
Foi outra experiência maravilhosa que tivemos na Provence graças à Leonor

Em terrenos alheios também colhemos lavandas algumas vezes, os damascos acima citados, ração para tartarugas e o que mais tivesse na beira das estradas que despertasse atenção.
Nessas horas, mesmo aos 68 anos de idade, soltava aquela criança criada em duas chácaras com toda liberdade e me divertia prá valer. Travessuras cometidas em idade avançada são muito mais saborosas. Além do mais, a fruta do vizinho é sempre mais saborosa. Sem culpas e arrependimentos.

No Sul da França passei momentos únicos e inesquecíveis de minha vida em companhia de meu fiel escudeiro e de nossa estimada e incansável Leonor.

Da Provence guardo lembranças que incluo entre as mais emocionantes e significativas que tive a satisfação de viver e que, certamente, minha alma jamais esquecerá…

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Lavandim em compasso de espera para serem colhidos.

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O processo de colheita há muito deixou de ser manual. Máquinas como a que vemos parcialmente na foto agora executam esse trabalho.

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Rolos polpudos como os que vemos na foto estão prontos para serem destilados. Centenas de quilos da flor são necessários para se obter um litro de óleo essencial. O fim (o preço do óleo) justifica o meio.

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Riez, onde paramos para almoçar.

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Comida indiana simples, porém muito saborosa. O restaurante possui filiais em algumas capitais européias.
Endereço: 16 Rue du Marche, 04500 Riez, France – 04 92 75 24 86. O restaurante fica em uma rua paralela à avenida principal de Riez. É bem cotado no TripAdvisor e não é à toa. Uma indicação de que gostamos muito.
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Segundo Leonor, seu prato de carne bovina estava delicioso.

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Enroladinhos recheados com legumes. Muito bom…

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Dentro da caixinha, a nota.

A minha Provence é assim…

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4 opiniões sobre “Fábrica de Chocolates Puyricard e Riez – Valensole, França.”

  1. Amiga, sua experiência na Provence foi incrível, tanto que eu a quero para mim. Mais ainda essas surpresas agradáveis no passeio (o caso da fábrica de chocolate), quando pretendemos que algo fique despercebido de nossos olhos e na verdade passamos a ser enfeitiçados por ele. Passei uma experiência semelhante e inesquecível com o Jardim Japonês de Buenos Aires.

    Abraço!

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    1. Rodrigo, meu amigo Alex (leia-se Alex Tour) já está preparando novo roteiro para 2018, época de floração de lavandas e girassóis. Serão 7 dias na Provence. Tentarei convencê-lo a não repetir o que já conhece, à exceção de duas atrações imperdíveis que ele manterá no programa. O esquema é o mesmo que eu fiz: motorista falando português, guia brasileira (Ana Tereza trabalhou como repórter da Rede Globo e é ela uma das pessoas que guia os grupos), as cores e os aromas da Provence, incluindo uma visita ao Museu da Lavanda e outra ao Chateau d’Estoublond, onde você ficará encantado e alucinado com o luxo da boutique onde vendem vinhos e azeites fabricados na propriedade do próprio castelo.
      Pretendo, diariamente, publicar uma página dos lugares por onde andei no sul da França.
      Querido amigo, sinto-me honrada em tê-lo como seguidor de meu humilde blog. Muito obrigada.
      Abraço da amiga Marilia.

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