Rio de Janeiro – Cuzco.


Roteiro: Rio / Lima (apenas conexão na ida) / Cuzco.
Vale Sagrado / Mercado de Pisac / Ollantaytambo.
Valle Sagrado / Machu-Picchu / Cuzco.
Cuzco / Puno (Lago Titicaca).
Puno / Lima.
Lima / Brasil.

Imagem Destacada: Centro Histórico de Cusco.

O INÍCIO DO SACRIFÍCIO:

Não sei porquê, não sou supersticiosa, mas não gostei do começo da viagem.
Nosso agente de viagens teve todo cuidado em nos passar pormenores a respeito das precauções que deveríamos tomar neste roteiro – incluiu o horário de check-in do Galeão, RJ, as agruras da altitude, a necessidade do uso de repelente, do protetor solar, de roupas e calçados confortáveis, dessas coisas -, mas, os marinheiros de primeira viagem assim como nós não poderiam imaginar o que lhes reservava a mãe natureza.
Meu fiel escudeiro e companheirão de viagens, disciplinado no controle  de sua saúde, antes de embarcar consultou angiologista, cardiologista, clínico geral e lá foi ele para o Peru, achando-se pronto para enfrentar qualquer tipo de desafio que Pachamama lhe impusesse.
Quanto a mim, não me dei a esse trabalho, confiante de que nada me aconteceria – aquela segurança incorrigível dos sagitarianos, sempre otimistas, “achando-se” e certos de que nada os abala. Ledo engano.
Embarquei com minha habitual farmácia espalhada pelos cantos da mala e deu. Fosse o que Deus quisesse. E Ele quis. Quis que eu passasse por uma prova de fogo e não houve comprimido e muito menos jeitinho brasileiro que contornasse a situação.

Natureza é natureza, é ela quem manda, e ponto final. Conto mais lá na frente o que aconteceu.

PONTO DE PARTIDA: AEROPORTO DO GALEÃO, RJ

Para não termos que atravessar de madrugada o território próximo ao Galeão, optamos por dormir no hotel do aeroporto mais uma vez apesar do preço alto demais para um padrão simples apresentado, valorizado apenas pela praticidade.
Desta vez ficamos em um quarto menor. Como não há janelas, uma das paredes em cada quarto é forrada com um painel decorativo. A foto desse aposento é essa que você vê abaixo. Achei interessantíssimo o detalhe da cortina e pensei: – Mas…, prá que?

Fechá-la caso a “luminosidade” do Sol atrapalhasse o sono de alguém seria surreal. Nada justifica. Rimos muito e nos perguntamos: – Será que alguém se deixaria influenciar pela cena? Nunca se sabe… Por via das dúvidas, o hotel tomou suas precauções e pendurou uma cortina de cima até embaixo na parede.

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Agora, “real” e ao mesmo tempo surreal, foi o valor da diária: quase R$600,00 (seiscentos reais ) por uma noite, só mesmo a praticidade justifica.

DESCASO DA AVIANCAIXOTE – TÔ NEM AÍ:

Conforme disse acima, o agente de viagens avisou-nos de que o check-in teria início às 3.30 h da manhã e que seria conveniente chegarmos cedo por conta do número excessivo de passageiros aguardando na fila.
Pontualmente, o painel anunciou a abertura do check-in. Mas quem disse que alguém apareceu para trabalhar? Quem disse que a companhia aérea relevou a presença de deficientes físicos, idosos, mulheres grávidas e acompanhadas por crianças como preceitua a lei? Não tomaram conhecimento! Vi funcionários que mais tarde trabalharam no check-in chegando após esse horário. Resumo: começaram o atendimento às 4.15 da manhã, quase uma hora após o anunciado no painel, e nem preciso dizer que essa hora a fila era imensa. Imensa por conta desse atraso. Imensa por conta do descaso, da indiferença, da falta de organização da empresa, da falta de respeito.

Senti os funcionários bem confortáveis em sua morosidade, em um “tô nem aí prá vocês” diante dos passageiros. Caras de pau, arrastavam-se de um lado prá outro, em pleno horário de trabalho. Só na classe C são 30 filas de 6 passageiros. Imagine esse povo aglomerado em frente aos balcões da TACAixote!…

ATRASOS em SÉRIE:

Mais tarde entendi a jogada: a empresa encaixotadora de passageiros atrasou o voo e isso deve ser bem comum e por isso não se abalam. Danem-se.
Para retornar ao Brasil viajamos de Puno a Juliaca, onde está o aeroporto. Em Juliaca o avião chegou atrasado de não sei onde e, evidentemente, decolou para Lima com… atraso.
De Lima para o Brasil não foi diferente: a tripulação já estava a postos há muito tempo aguardando o avião chegar e nada… Cansados, decidiram sentar próximos aos passageiros. Foi outro voo que decolou após o horário marcado.
Ao chegarmos ao Galeão a cena era a mesma: no desembarque, a tripulação, em pé, aguardava a chegada desse voo para então decolar novamente. Ou seja: useiros e vezeiros em atrasos. Detestei viajar por essa empresa aérea.

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Passava do horário anunciado para começar o check-in e nenhum funcionário a postos nos guichês. Apenas um! funcionário mexendo nas fitas.

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3.45 da manhã foi que este mesmo funcionário iniciou a arrumação das colunas e fitas para organizar a fila.

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Fila que começava a ser formar antes das 3.30 h, horário marcado para começar o check-in.

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3.45 h da madrugada e nenhum funcionário a postos.
3.47 h da madrugada e nenhum funcionário a postos.

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4.04 h – Ninguém na frente de trabalho.

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Conforme escrevi acima, o painel do aeroporto já havia anunciado o início do check-in quando um funcionário da empresa começou! a distribuir colunas de metal e fitas para organizar a fila.
Devido a esse desrespeito o encontro com nosso guia de turismo, que deveria ser às 4.30 h, evidentemente não aconteceu.

Saímos do despacho de bagagens com muita fome e fomos tomar café. Mais tarde o identificamos dentro do avião e nos apresentamos.
O encontro de todos os passageiros deu-se, na verdade, no Aeroporto de Cuzco – alguns partiram de São Paulo, outros de Brasília, um casal veio de Porto Alegre e ainda havia os do Rio.

No aeroporto de Lima, já em companhia do guia, tivemos que pegar nossas malas e despachá-las novamente para Cuzco. Não entendi o procedimento. Por que não despachá-las diretamente dos aeroportos de origem (Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio) para nosso destino?

CHEGANDO A  CUZCO, O CHOQUE:

Chegamos a Cuzco em horário local às 12.15 h e não às 16.00 h conforme informado pelo agente de viagens. Aliás, à exceção dos horários de partida do Rio, os demais informados pelo agente de viagens não conferiam. Quem nos transmitiu horários corretos foi a funcionária da operadora de turismo do Centro do Rio, incluindo número de assentos.
O baque provocado pela altitude de 3.450 m. ao descer do avião deu-se logo no primeiro degrau. Prá completar, subir uma rampa de três níveis até acessar o térreo do aeroporto foi o teste de resistência pelo qual todo passageiro tem que passar e, ali mesmo, senti que não conseguiria suportar.

O cansaço e a taquicardia tomaram logo conta de meu humilde e gorducho corpitcho, um aviso de  que não resistiria por muito tempo.
Ó céus! E agora? “O que fostes fazer lá giroflê, giroflá? O que fostes fazer lá para te encontrar?” Lembrei-me dessa canção de roda todo o tempo em que estive literalmente nas alturas e ainda não consegui me livrar dela.
Caminhamos até o estacionamento onde estava o ônibus e de lá rumamos para o hotel onde nos aconselharam ficar de molho pelo menos por duas horas para nos acostumarmos com a altura.

À disposição, na recepção do hotel, chá e folhas de coca que para mim não fizeram o menor efeito. Não houve repouso, chá de coca, bala de coca, ou mascar a própria folha enjoativa de coca que me reerguessem.
Mas o mal estar não parou por aí. À noite a taquicardia e o prolapso da válvula mitral eram tantos que não me permitiram dormir. Nem sentada! Coração acelerado, descompensado, fizeram-me acreditar que fosse morrer, sem exagero algum. Foi uma noite de terror que não desejo prá ninguém.

Dia seguinte comuniquei-me com minha endocrinologista que aconselhou-me a não fazer exercício de espécie alguma. E como os sítios arqueológicos estão todos no alto de alguma montanha, decidi que ficaria nos locais menos íngremes ou me movimentaria lentamente. Acima disso já seria malabarismo.

Os hotéis dispõem de ampolas de oxigênio. Tudo bem, por duas vezes a utilizei, mas acontece que você sai da máscara e após um tempo recomeça a situação aflitiva – trata-se de um paliativo de curta duração. Se dependesse de minha vontade, não me incomodaria em caminhar pelas ruas como se fosse um mergulhador: duas ampolas de oxigênio penduradas nas costas, máscara no nariz, bolsa e máquina fotográfica a tira colo e pronto! – seria uma figura assustadora, mas feliz da vida.

A situação foi tão difícil que decidimos abandonar o passeio e pegar um avião para Lima no dia seguinte. Outro passageiro ventilou a mesma hipótese, motivado pela forte dor de cabeça. Segundo ele, a sensação era de que sua cabeça iria explodir.
Diante de meu estado desanimador o guia aconselhou-me a usar o oxigênio do hotel mais vezes e, além disso, comprar um medicamento de nome Soroche, vendido em qualquer farmácia. Foi devido a ele que tive uma modesta melhora e decidimos então seguir até onde fosse possível.

*****

À noite, com dois comprimidos de Soroche circulando no sangue pude, felizmente, desfrutar das delícias oferecidas pelo Cicciolina – restaurante excelente indicado pelo TripAdvisor.

A localização já é um charme. O pátio fica em uma pracinha simpática rodeada por lojas de artesanato. Infelizmente, acabei esquecendo de voltar lá. Os preços dos artesanatos foram os mais convidativos que encontramos na viagem. Artesanato de qualidade!. Uma touca bordada com pedras e toda enfeitada comprei a S/40 (Soles). Por um trabalho idêntico, em outra cidade, pediram-me  S/90 (Soles).

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Moderadora: Rosa Cristal.

IMPORTANTE SALIENTAR:

Mas não se esqueça dos problemas que poderá ter em função da altitude e de obedecer cegamente ao síndico – conforme diz meu fiel escudeiro referindo-se ao guia (ou tio) -, quando lhe recomendar o uso de calças compridas, meias, repelentes, protetores solares, chapéus, bonés, água etc… etc…

E muito mais importante é não esquecer de contratar uma boa companhia de seguro de viagens.

NOTA: ontem, não por acaso, meu fiel escudeiro encontrou um artigo no jornal alertando para alguns desequilíbrios que normalmente causam cansaço.
Um deles é o hipotireoidismo, o outro é a deficiência de Vitamina D, o terceiro é o diabetes e do quarto não me recordo.
Para quem se incluiu em uma, duas ou até nas três situações, acrescente o impacto provocado pela altitude de determinadas cidades e conclua o que poderá acontecer. Infelizmente, estou inserida nas três.

Rosa Cristal, moderadora do blog, sugeriu que acrescentasse o seguinte: “cada pessoa tem mazelas diferentes, mas o importante é não se esquecer de seus remédios habituais.”

E por falar em remédios, não convém levar em uma viagem medicamento que você nunca usou, mesmo que tenha sido recomendado por um médico. Imagine-se com efeitos colaterais severos e ainda para complicar o Seguro que você fez não é tão seguro assim e deixou você mofando com as pompas na balaia (Dicionário Manezês).

Isso aconteceu nessa viagem. Explico: em Machu Picchu, se você não se cuidar, os mosquitos cuidam e o devoram! A mão de um passageiros foi um dos alvos dos famigerados. Foram poucas picadas, mas suficientes para deixar sua mão muito inchada. Sabe quando você infla uma luva de borracha? Ficou assim. O guia então o aconselhou a acionar o Seguro – o GTA -, que não funcionou. Até o final da viagem, a empresa não lhe havia passado o número do contrato ou coisa parecida.

Portanto,  mais um alerta. Depois não diga que não foi avisado!…

6 opiniões sobre “Rio de Janeiro – Cuzco.”

    1. Aninha, seja bem-vinda ao meu blog. Foi, amiga. Foi uma prova de fogo todo o tempo em que fiquei em Cuzco, Machu-Picchu e Puno. Agora, Lima… é deliciosa cidade sob todos os aspectos.
      Realmente, não tive oportunidade de ver as demais como gostaria. Mas… valeu.
      Beijocas e obrigada por sua passagem aqui no Istepô.

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