Qorikancha, O Templo do Sol – Cusco, Peru.


Foto em Destaque: a visão Inca da Via Láctea.

Qorikancha: o que restou dos muros do maior complexo religioso inca no Convento Santo Domingo, em Cusco.

Nosso guia na cidade foi um senhor simpaticíssimo de apelido Pepe – José Manuel Vilhena – a quem agradeço pelos ensinamentos.
Gravei suas explicações, mas muitas palavras não ficaram audíveis, uma pena.

Nosso passeio começou no dia seguinte a nossa chegada e logo que saltamos do ônibus na Av. del Sol tivemos que enfrentar nossa primeira subida.
Logo entendi que se você não estiver disposto a subir ladeiras ou degraus, não verá nenhuma atração. Tudo depende de muito esforço e a altitude, para algumas pessoas, é um grande empecilho. Conhecer os sítios arqueológicos foi sacrificante para mim e, com o intuito de me proteger, tive que abrir mão de alguns pontos que dependiam de maior esforço físico.

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Pepe iniciou seu discurso ressaltando a importância de situar os incas na História do Peru, cuja cultura encerrou um desenvolvimento cultural de 4.500 anos.

“Há 5.000 anos, naquele território onde está Lima, a capital do Peru, os arqueólogos encontraram uma cultura que nomearam “Caral”. Seguiram-se outras culturas e dentre elas, pela ordem, estão: Chavin, Paracas, Nazcar, Mochica, Huari, Tiahuanaco, Chimu e Inca.
Estes últimos instalaram-se no ano 1100 da nossa Era em um vale onde atualmente está a cidade de Cusco .”

“Para falarmos em Qorikancha temos que nos reportar ao maior monarca, o rei inca Pachacuti, que na língua quíchua significa “O Grande Reformador do Tempo e do Espaço (clique aqui para saber mais).
Pachacuti realizou reformas significativas, tais como:
1- Mandou construir a cidade de Cuzco em formato de um puma, porém sem cabeça. Ele mesmo, como rei, se posicionava como se fosse a cabeça desse animal tão significativo para a cultura Inca.
2- Outra reforma importante foi a religiosa:
a) concebeu a existência de um deus invisível;
b) construiu um grande complexo religioso que batizou de Qorikancha – na língua quíchua significa “Recinto Fechado”; “Recinto de Ouro” (mais informações neste link)

Dentro de Qorikancha estão alguns templos, tais como os dedicados ao sol, à lua, ao relâmpago, ao trovão, ao arco-íris, e a Pachamama – a mãe terra, o feminino, a fertilidade.”

A CHEGADA DOS ESPANHÓIS:

Os religiosos dominicanos destruíram os templos para a construção do convento e da igreja. Quando os espanhóis chegaram a Cusco, em 1533, tiveram que repartir a cidade. Finda a divisão, o capitão dos invasores espanhóis, Francisco Pizarro, doou a seu irmão João toda a propriedade de Qorikancha.
A destruição foi de tal ordem que ninguém tem como saber como era sua estrutura. Não há vestígios desse complexo. Não há desenhos, nada. O que vem sido divulgado é que as paredes de Qorikancha eram todas revestidas em ouro.

ENCAIXES DAS PEDRAS:

Somente no Egito há algo semelhante. Egípcios e incas fizeram esse tipo de trabalho de lapidação em pedras com inacreditável perfeição. Em Machu Picchu Pepe mostrou como as cortavam e lapidavam, bem como que ferramentas utilizadas: talhadeiras tal qual as conhecemos hoje! Além disso, “martelavam” pedras ditas mais macias com pedras mais duras.  A  pedra-pomes era utilizada em larga escala: servia-lhes de lixa e, pasmem, utilizava meteoritos! para desgastar as pedras em que trabalhavam.
As pedras de Qorikancha são de basalto, dureza 5, e as pedreiras ficavam distante de Cuzco em 5, 7 e 30 km.
Os nichos que vemos nas paredes serviam como altares ou  armários para as pessoas guardarem seus pertences.

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O Convento de Santo Domingo na Av. del Sol, esconde um sítio arqueológico da maior importância para a História da Civilização.

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Parte interna do convento, próxima às ruínas incas.

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Uma pequena amostra do suposto revestimento das paredes de Qorikancha que escondiam não só ouro, mas prata e pedras preciosas.

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Parte da Av. del Sol vista do Convento de Sto Domingo.

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Av. del Sol (parte) vista do Convento de Sto Domingo.

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CURIOSIDADES:

Todo templo dedicado ao Sol os incas construíam com o formato semicircular. E justo na parede arredondada que se vê da rua, teria ficado esse disco de ouro maciço que representava o Sol.
Além desse grande disco, dizem os estudiosos, havia um ídolo de ouro maciço, oco. Em seu interior encontraram uma caixa de ouro onde repousavam as cinzas dos corações dos monarcas incas misturadas com ouro em pó.

UM POUCO DE HISTÓRIA:

Voltando à Espanha: em 1572, por ordem do rei Francisco de Toledo, foi capturado o último dos quatro incas nomeados pelos espanhóis. Era o mais conhecido deles – Tupac Amaru I -, decapitado em público em 24 de setembro do mesmo ano.
Tupac Amaru I foi capturado em uma região chamada Vilcabamba, distante 100 km da floresta de Machu Picchu. Estava com 22 anos.
Toledo trouxe-o até Cuzco e mandou matá-lo.

Em 1581 Toledo terminou seu reinado e retornou à Espanha, levando de presente para o Rei Felipe II um ídolo de ouro pensando que o rei fosse cumprimentá-lo. Enganou-se. Felipe II disse-lhe que o havia mandado ir ao Peru para servir os Incas e não matá-los. E que ele havia matado seu último líder indígena.

Velho e enfermo, Francisco Toledo faleceu na Espanha em 21 de abril de 1582 na  cidade de Escalona.

Felipe II deflagrou muitas guerras. E como esses combates custavam muito dinheiro, independentemente de empréstimos contraídos no México e na Alemanha, como pagamento ele utilizava o ouro da América. Assim os historiadores contam como o ouro espalhou-se pela Europa.

OS MUROS QUE RESISTIRAM A DOIS GRANDES TERREMOTOS:

Estes muros são as provas da existência do Templo do Sol.
Antes do tremor de terra de 1950 esses paredões de pedras construídos pelos incas, que serviram de alicerces para o levantamento da igreja construída pelos espanhóis, estavam ocultos pelo estuque.

Foi graças ao forte sismo que as paredes da igreja desmoronaram e a relíquia inca surgiu em meio aos escombros.
As construções incaicas eram tão sólidas que o primeiro grande terremoto de 1650 não conseguiu derrubá-las.

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A técnica utilizada era anti-sísmica: forma trapezóide (paredes voltadas para dentro) e pedras desencontradas. Todas independentes. O objetivo era provocar pressão no conjunto.

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O Convento de Santo Domingo construído em cima do que restou do Templo do Sol. Foto de 1930.

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Foto de 1930.

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Mapeamento da Via Láctea elaborado pelos Incas, em formato de lhama e serpente. Templo das Estrelas, das Constelações, no Convento de Santo Domingo.

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Encaixes perfeitos. Templos eram erguidos em forma trapezoide como medida preventiva contra sismos.

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Formato piramidal em portas e nichos.

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Entre as paredes foram encontrados ouro, prata e pedras preciosas.
Esses templos possuíam teto. Imaginem paredes de adobe erguidas em cima dos muros de pedra.

Os telhados eram compostos por armações de madeira em formato de quatro águas (para dar vazão ao escoamento de águas pluviais) e palha.

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Parcial do Convento de Santo Domingo.

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Construído em 1534 sobre o que restou do Templo do Sol.

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Moderadora: Rosa Cristal.

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Não há dúvida de que os conhecimentos dos povos da antiguidade superam tudo o que conhecemos como alta tecnologia e todos os sítios arqueológicos espalhados pela face da Terra nos provam isso.

E cada vez que me deparo com um mistério desses – e bota mistério nisso -, lembro-me do que escreveu Erich Von Daniken, polêmico escritor suíço, e também me pergunto: – “Eram os Deuses Astronautas?”

CRÉDITOS:

A Enciclopédia Wikipédia faz uma abordagem riquíssima a respeito da História Colonial de Cuzco. Vale à pena uma visita.

Pormenores a respeito da captura de Tupac Amaru e sua execução você encontrará neste endereço: Opera Mundi.

2 opiniões sobre “Qorikancha, O Templo do Sol – Cusco, Peru.”

    1. Rosinha, alguns detalhes da gravação não tive como entender para poder enriquecer a descrição.
      Havia outros guias explicando o Templo do Sol bem próximos a nós e o cruzamento de informações acabou prejudicando o áudio. O gravador do celular é sensível e captou muitos ruídos além de vozes. Infelizmente. Por ocasião da atualização, postarei novidades a respeito de Qorikancha. Aguarde. Bjks e obrigada pela moderação.

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