ROTA DO BARROCO ANDINO: ANDAHUAYLILLAS.


Imagem Destacada: Sacada na Parte Superior da Entrada da Igreja de San Pablo.

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A CAMINHO DE PUNO, A DESCOBERTA de ANDAHUAYLILLAS – UM DOS DISTRITOS DA FANTÁSTICA ROTA DO BARROCO ANDINO. 

Deixamos Cusco para trás, após tomarmos um bom café da manhã no hotel Sonesta Posadas del Inca Cusco, e rumamos em direção à Puno, após uma parada estratégica para nos juntarmos a outro grupo em um  só ônibus.

FURADA!: A consequência dessa união estendeu o tempo de viagem.
Nossa permanência em cada sítio arqueológico debaixo de um Sol escaldante forçosamente era maior, porque o guia tinha que se desdobrar falando em castelhano e inglês. Este jovem, além de falar muito baixo, demonstrou sua falta de entusiasmo sem receio algum, o que tornou essa parte do percurso bastante angustiante.

Enquanto explanava o assunto e mostrava as ruínas de Raqchi para um grupo, evidentemente que o outro tinha que esperar. Esse revesamento foi desgastante por sua demora. Vantajoso, imagino, para as empresas de turismo envolvidas no roteiro – caso contrário, possivelmente, o esquema seria outro.
Ficou enfadonho, cansativo demais e desinteressante.

ANDAHUAYLILLAS:

No caminho paramos em um pequeno Distrito chamado Andahuaylillas, de mais de 5.000 habitantes, um dos 12 situados na Província de Quispicanchi (Região de Cusco).

Iglesia de San Pedro de Andahuaylillas foi construída no final século XVI e início de XVII. Trata-se da principal atração do Distrito, incluído na ROTA DO BARROCO ANDINO, evidentemente, por conta dessa preciosidade .

A belíssima fachada da igreja é uma pequena amostra do que o visitante encontrará ao adentrar a nave, um convite irresistível que vence qualquer falta de curiosidade.

Iglesia de San Pablo de Andahuaylillas. Foto: Marilia Boos Gomes.
Iglesia de San Pablo de Andahuaylillas, aberta diariamente de 8.00 às 16.00 h. Ingresso: donativo. Foto: Marilia Boos Gomes.

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A sacada servia para a oficialização de cerimônias que eram transmitidas ao povo que aguardava no átrio.

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Porta Principal Iglesia de San Pablo de andahuaylillas. Foto: Marilia Boos Gomes.
Porta Principal Iglesia de San Pablo de Andahuaylillas. Foto: Marilia Boos Gomes.

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Deixando Cusco para trás e trafegando em direção aos povoados da região sul, o viajante se surpreenderá com a diversidade de ofertas da culinária peruana.

O Cuyo assado (prear), por exemplo, é um prato muito apreciado no Peru. Não o experimentei, mas as referências quanto ao sabor da carne do animal são as melhores. Pelo que me parece, trata-se da iguaria mais popular dos habitantes de Tipón.

Em Oropesa, o pão doce enorme conhecido por “chutas” é famoso. Tivemos a sorte de saboreá-lo ao longo do percurso de Cusco a Puno por ter sido servido como acompanhamento do cafezinho oferecido aos passageiros. É muito saboroso e quebrou um galhão.

No povoado de Saylla destaca-se o Chicharron de Cerdo; em Lucre, o Arroz com Pato.

Mas o que é “chicharron“? O termo possui diversos significados e quem os destrincha e ainda explica do que se trata esse prato tão presente na mesa do peruano é Alexinho do blog Carioca no Peru. Basta clicar aqui para ficar sabendo.

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PRAÇA DE ARMAS de Andahuaylillas, Peru. As árvores mais volumosas são centenárias. Chamam-se Pisonay, valorizadas por oferecerem excelente sombra e por sua exuberante floração alaranjada.

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Andahuaylillas, Peru - Foto: Marilia Boos Gomes.
As cruzes à direita do átrio são para lembrar o Calvário de Jesus. Neste local antecediam-se as cerimônias fúnebres . Andahuaylillas, Peru – Foto: Marilia Boos Gomes

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Praça de Armas de Andahuaylillas. Arte no calçamento em pedras da época colonial. Foto: Marilia Boos Gomes.

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Praça em frente à Iglesia de San Pablo. Foto Marilia Boos Gomes.
Praça de Armas, em frente à Iglesia de San Pablo. Foto Marilia Boos Gomes.

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Praça de Armas de Andahuaylillas, Peru.

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Apesar da proibição de se sacar fotos no interior da igreja, a internet está transbordante delas. Não ousei transgredir a ordem, embora muitos o façam e oportunidades não faltam.
Na saída da visita um senhor distribuía um CD bloqueado e um folheto.
No CD (arquivos em PDF e Adobe Flash Player) toda a História de Andahuaylillas está contada desde quando tudo começou.
No folheto, mostram como os recursos angariados são aplicados em obras sociais.

ROTA DO BARROCO ANDINO:

Foi por intermédio deste CD que tomei conhecimento da recém criada Rota do Barroco Andino ainda abafada pela valorização das ruínas da civilização incaica, atração turística peruana há muito vinculada ao nome do país.
Tamanho patrimônio cultural e artístico nada perde em ser divulgado e esse é meu propósito.

Falando francamente, os sítios arqueológicos não me entusiasmaram; não me despertaram nenhuma emoção – resguardando proporções -, ao contrário da Igreja de Andahuaylillas.

Valorizo a História da Civilização Inca, suas lutas contra os espanhóis em defesa de suas propriedades e suas vidas. Admiro suas crenças e a riqueza de sua arte culinária – hábitos alimentares que herdamos e que tanto aprecio -, bem como o colorido adotado na indumentária.
Isso, sem falar em sua arquitetura exacerbante em criatividade, em habilidade e técnica de deslocamentos e encaixes perfeitos de imensos blocos de pedras, e ainda em detalhes inteligentíssimos de engenharia mostrados em suas construções que resistiram até  a abalos sísmicos de grande intensidade.

Mas nada disso se equipara ao que vi na Iglesia de San Pedro de Andahuaylillas pela qual me apaixonei.

Na abertura do CD há um agradecimento por termos visitado o povoado e um convite para que conheçamos os demais Distritos que fazem parte da Rota. A chamada não se prende apenas pela Arte e História de suas igrejas, mas pelos povoados em si – suas praças, ruas, casas e, acima de tudo, sua gente.

Pelo contrário, os divulgadores da Rota não se deram conta de que somos nós que agradecemos por esta honraria, pela oportunidade de visitar esses templos ainda não descobertos pelos turistas que procuram o Peru em busca de um encontro com o Passado.

UM POUCO DE HISTÓRIA:

Em  1571 a Companhia de Jesus chegou a Cusco com o objetivo de ajudar na evangelização dos nativos e era preciso construir um lugar onde esse trabalho tivesse início.
Assim sendo, com a ajuda de pessoas que acreditaram na Ordem, um terreno foi adquirido onde até hoje está o Templo da Companhia de Jesús.
Edificaram em 1597 um solar e um colégio onde pudessem iniciar os trabalhos de evangelização. Entretanto, em 1650, um inimigo natural imbatível – um forte terremoto – demoliu o prédio.
A Ordem não se deixou vencer e nesse mesmo local, algum tempo depois, foi erguido outro templo que lá está até hoje.
Não demorou muito para que as Coroas de Portugal e Espanha se sentissem incomodadas com esse processo de evangelização no qual se incluía o respeito aos direitos dos nativos.
Carlos III, Rei de Espanha, sentindo-se confrontado, ordenou a expulsão da Ordem de seus domínios.
Recuperada, muitos anos mais tarde, em 1954, a Ordem retornou a Cusco; porém, desta vez, as Paróquias de Sagrário e o Templo da Companhia de Jesus ficaram sob a responsabilidade dos religiosos. Em 1968, as Paróquias de Urcos, Huaro e Andahuaylillas, na província de Quispicanchi, também ficaram a cargo da Ordem e mais tarde outras Paróquias juntaram-se à essas: Ccatca, Marcapata e Ocongate.

A Ordem vem lutando sem descanso em prol da qualidade de vida da população desses Distritos, não esmorecendo no que concerne aos ensinamentos do exercício da fé.
Novos centros de apoio aos campesinos vão surgindo aos poucos, na tentativa de acompanhar o aumento da população.
A orientação religiosa está sempre presente e, independentemente da doutrinação, há centros que oferecem atividades de capacitação agroindustrial.

Entretanto, o trabalho cultural mais rico e artístico de todos – e não menos importante que os demais – está ligado à restauração e conservação de templos do mais refinado e exuberante Barroco Andino, jóias raras e ocultas em pequenas cidades da recém criada ROTA pela qual me apaixonei à primeira vista.

Trata-se de uma nova e fascinante opção oferecida pelo turismo peruano, ainda, infelizmente, desconhecida para muitos.

Desta Rota fazem parte: os Templos da Companhia de Jesus em Cusco; o Templo de San Pablo Apóstol de Andahuaylillas; a Capilla de La Virgen Purificada de Canincunca e o Templo de San Juan Bautista de Huaro.

Em futuro próximo a Rota será ampliada graças à integração dos Templos de Marcapata, Ccatca e Ocongate e da Capilla Rural de Kuchuwasi, tão logo sejam restaurados.

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A exemplo do que aconteceu em Ollantaytambo, devido à presença da estação de trem que leva a Águas Calientes, a divulgação da Rota do Barroco Andino será responsável pelo surgimento de bons hotéis e restaurantes, Cafés, joalherias, e do mais rico artesanato textil e ornamental peruano que, paulatinamente, brotarão e contribuirão para o crescimento desses Distritos.

Sem dúvida, o resultado será o mesmo: lucrarão os habitantes desses povoados, o turismo, e as obras sociais tuteladas pela Ordem.

COMO CHEGAR à ROTA?

Informações completas a respeito dos templos, Distritos, História e de como chegar a esses povoados, basta clicar aqui: http://www.andahuaylillas.com/es/

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Moderadora: Rosa Cristal.

 

7 comentários em “ROTA DO BARROCO ANDINO: ANDAHUAYLILLAS.”

    1. Rosinha, estou solicitando fotos do interior da igreja à Cia de Jesus de Cusco. Por enquanto recebi uma mensagem automática. Caso não atinja meu objetivo com essa Ordem, tentarei outra. O interior do tempo é deslumbrante e gostaria muito de mostrá-lo.
      Obrigada por sua atenção especial.
      Bjks da Marilia.

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  1. Estou adorando seu blog! A foto da Igreja de San Pablo é deslumbrante! Dá vontade de ver de perto. Ao vivo e a cores!! Seus comentários transmitem muito bem suas impressões sobre cada etapa do passeio. Muito bom! Sucesso!!! Bjs!!!

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    1. Angelazinha, boa noite! Não tem idéia de como me senti feliz ao ver seu comentário.
      Desse templo deslumbrante, infelizmente, não tive como mostrar o interior. Contatei-me com a Cia de Jesus em Cusco com o objetivo de obter algumas fotos da igreja e estou aguardando resposta. Caso não me retornem tentarei outra Ordem Religiosa. Esta rota eu faria mesmo me arrastando do jeito que estava. Vale muito à pena.
      Obrigada pelos elogios e pela visita ao blogue.
      Bjks e até a próxima.

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