PATAGÔNIA ARGENTINA – Ushuaia. Lagos: Escondido e Fagnano.


FOTO EM DESTAQUE: Lago Fagnano.

Vídeo Lago Fagnano: clique aqui (2 ‘ 13 ”)

O dia era de aventura para as crianças e jovens que estavam no passeio. Nada a ver com dois idosos como nós – bem dispostos, felizmente, mas não muito animados para topar qualquer parada.
Embarcamos em uma Land Rover Defender em direção ao norte da ilha e alcançamos a famosa Ruta Nacional nº 3 – estrada valorizada por seu percurso e pelas paisagens que se descortinam em seus 3060 km de extensão: de Buenos Aires à Terra do Fogo.

NOTA: Nossa BR-101 conta com aproximadamente 4.542 km. O quilômetro zero está em Touros, CE, e seu final está no Rio Grande do Sul (RS) em São José do Norte.

Aproximadamente a 22 km de Ushuaia, paramos em um centro invernal para esticarmos as pernas e tomarmos um café: O Valle Tierra Mayor.

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O carro não oferecia conforto. Agora, em matéria de força e resistência, pode ser comparado a um animal jurássico. É o carro ideal para se embrenhar por lugares que jamais! imaginei conhecer.
Até passarmos pelo Cerro Castor (outro centro invernal de Ushuaia) e cruzarmos a Cordilheira dos Andes, estava tudo ótimo porque estávamos trafegando no asfalto.

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Parada para fotos no Mirador Lago Escondido, que mostra todo seu esplendor da beira da estrada. De escondido, não tem nada.

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Aconteceu que em dado momento, nosso guia e exímio motorista – um jovem simpático, animadíssimo e gentil ao extremo  – deu uma guinada para a direita e saiu da zona de (nosso) conforto.  Foi aí que começou a aventura.
O caminho, se é que podemos definí-lo assim, era o mais rústico que se possa imaginar. Bem comparado, tratava-se de um sulco provavelmente cavado pela força de águas pluviais e/ou pelo degelo das montanhas. Foi por essas fendas que nosso guia se embrenhou floresta adentro. Sem exagero algum, houve um momento em que o veículo quase deitou por completo do lado esquerdo. O jovem passou com as duas rodas (dianteira e traseira, obviamente) por uma fenda tão profunda, que só mesmo sua exímia habilidade ao volante não permitiu que aquele tanque de guerra deitasse. Como eu e meu fiel escudeiro estávamos sacolejando prá valer naqueles banquinhos lá de trás (houve até momentos em que conseguimos permanecer sentados. Fora esses raros segundos, agarrávamos onde podíamos), achei até que levaríamos vantagem caso conseguíssemos deitar por alguns segundos.

Nota: Apesar de os solavancos serem contínuos e poderosos, não se compararam aos que sofremos nas “jegueneiras” (segundo meu irmão) de Barreirinhas, no Parque dos Lençóis Maranhenses.

Voltando ao assunto: em determinado momento, o motorista (dublê de guia turístico e churrasqueiro) engrenou u’a marcha lentíssima, saiu do carro em movimento e deixou-o andar sozinho.
Correndo por aquelas fendas, parou em determinado ponto, e começou a chamar o veículo para acompanhá-lo, assim como quem chama o cachorro de estimação.
Era seu momento flanelinha, em que exibiu aos chacoalhados passageiros as manobras radicais de que seu estimado filhote de dragão era capaz de executar.
Chegamos finalmente à beira do Lago Fagnano, mas ainda não era ali a principal atração. Nada disso. O guia trafegou pela beira d’água por aproximadamente 50 m, apresentando agora uma versão acanhada do “Monstro do Lago Ness” aos passageiros.
Pelo que pude testemunhar, o veículo estava preparado para enfrentar algumas modalidades olímpicas: corrida com obstáculos, 50 metros livre, alguns quilômetros rasos (e mais alguma coisa), sem contar o “rally da floresta” do qual estávamos participando.

O TRABALHO DE DESTRUIÇÃO DOS CASTORES, OUTRO PAPO.

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Nas fotos acima e abaixo vê-se o trabalho destruidor dos castores, considerado uma praga que altera de modo espantoso o ecossistema.
Há quem diga que os animais foram introduzidos no Chile, em 1946, com o propósito de aquecer o comércio de peles (sem trocadilho).
Sem predadores naturais, os castores começaram a ganhar espaço e ultrapassaram fronteiras. Castores têm destruído florestas inteiras!
Há uma matéria muito interessante que você poderá acessar clicando aqui e ainda outra do G1 clicando aqui.
Neste terceiro link (clique aqui), a revista VEJA publica uma reportagem a respeito da decisão de a Argentina abater perto de 100.000 castores. Todas as matérias são atraentes e não deixam dúvidas a respeito dessa graciosa praga  – são animais lindos! – que já destruiu, na Patagônia, área maior que duas vezes a da cidade de Buenos Aires.
A porta que lhes foi aberta é assunto do passado. O problema agora é contê-los e recuperar o que destruíram. O assunto é de tamanha gravidade que já pensam em abatê-los para comer.

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Nesta foto você vê uma parte da floresta alagada e muitas árvores apodrecidas por conta da obra dos castores.

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Bem próximo a esse caminho os guias estacionaram o Defender. Até alcançarmos a cabana, onde almoçamos um suculento churrasco, fizemos uma belíssima e saudável caminhada pela floresta.

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Após a modalidade “nado Defender” sacolejamos mais um pouco e, finalmente, chegamos a um ponto em que estacionaram os veículos e seguimos a pé até encontrarmos uma cabana na beira do Lago Fagnano.

Rapidamente os guias das duas caminhonetes providenciaram um saboroso churrasco. Mesa bem arrumada, fartura de carnes, chorizos, pão, vinhos, refrigerantes e água mineral, salada. Éramos aproximadamente 15 pessoas, incluindo os dois guias animados e de boa vontade. Nunca vi nada igual.

A CABANA

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HORA DO ALMOÇO

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Queijos e salames foram servidos como entrada. Convenhamos, um luxo!

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Fazia frio e a salamandra não foi suficiente para aquecer a ampla cabana.

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Uma raposa cinza apareceu para as despedidas, e ainda paramos em um local à beira do lago para quem desejasse dar umas remadas em caiaque.

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O banheiro mais rústico que vi na vida. Mesmo assim, não faltou esse conforto especialmente construído para as mulheres, desde que atendessem uma condição: utilizá-lo apenas para o número 1.

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Terminada a refeição, os jovens guardaram rapidamente todos os objetos utilizados para o almoço, e deixaram na cabana: algumas garrafas de vinho, lenha cortada, e uma chaleira sobre a salamandra ainda a fumegar. “Pode ser que alguém precise de abrigo e por isso a porta não tem chave e a lenha já fica cortada” disse-nos um dos guias. E também porque facilitaria seu trabalho  no dia seguinte.

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Achei que esse programa não era frequente e fiquei surpresa quando me disseram que o fazem diariamente e que adoram esse roteiro! Não tivemos dúvidas porque a satisfação de ambos era aparente. Há gosto prá tudo.
A falta de Sol não tirou o brilho das paisagens, mas, convenhamos, teria sido muito melhor se o tempo não estivesse tão nublado.

LAGO FAGNANO visto DA CABANA

 

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Essa aventura é aconselhável, sem restrições, para crianças e adolescentes.

Valeu a experiência, apesar de o passeio ter sido cansativo e desnecessário para nós.
E como dizia Chico Anísio, “jovem é outro papo”.

OBS: O passeio anunciava os lagos Escondido e Fagnano. Entretanto, não houve qualquer aproximação do Lago Escondido. Vimo-lo do ponto de vista e mais nada.

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Com a palavra, ROSA CRISTAL

2 opiniões sobre “PATAGÔNIA ARGENTINA – Ushuaia. Lagos: Escondido e Fagnano.”

    1. Isso mesmo, amiga. Para nós ficou cansativo por conta do quanto tivemos que esperar até que o churrasco saísse do fogo, almoçássemos etc.
      O programa é indicado para crianças e adolescentes por se em ritmo de aventura. Valeu pela experiência.
      Bjks e obrigada! Marilia.

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