ARGENTINA – De San Martín de los Andes a Bariloche pelo Paso de Córdoba.


Na postagem anterior escrevi a respeito do trajeto Bariloche /San Matín de los Andes pela Rota dos Sete Lagos. Nesta, faço o caminho de volta, passando pelo Paso de Córdoba.

No mapa você tem a idéia do circuito que fizemos neste passeio. Ambas as estradas são cinematográficas e tenho testemunhas: Angela Loreto e Rodrigo de Souza Cardoso – amigos que me cederam fotos de beleza proporcional à cortesia de ambos.

Assim que acabamos de almoçar o guia nos avisou de que sairíamos em alguns minutos – não me recordo mais do horário marcado, mas lembro-me perfeitamente de que eram tão poucos, que não foi possível tomarmos um sorvete sentados na sorveteria. Pelo contrário, quando olhei o relógio já estávamos em cima da hora e tivemos que correr para não nos atrasarmos.
Motorista e guia metralhavam o castelhano; e como éramos os únicos passageiros com dificuldade para entender todos os tiros, receávamos  por ter que pagar algum mico.

Lago Lácar em San Martín de los Andes.

O esquema adotado por Rodrigo na postagem anterior não poderia ter sido mais interessante: contratou um motorista e acabou passando por lugares inimagináveis por quem viaja em grupo.
A prova dessa feliz idéia foi o atalho que tomaram em direção ao Mirador Arrayán, ponto de vista bem próximo de San Martín, que não incluem no roteiro. Crueldade. Olhem bem a foto!… Por que não?


Não que o passeio tivesse sido ruim, nada disso. O tempo disponível para fazermos um “atalho” é que foi curto demais! e por isso recomendo um pit-stop mais demorado em Villa la Angostura e Saint Martin de los Andes (perdoem o repeteco). As rodovias são bem sinalizadas e seria interessante alugar um carro.
Talvez pelo fato de a estrada, naquela época, ser em cascalho e requerer mais tempo de viagem, a permanência nas paradas era apenas para se fazer “o necessário”: banheiros, almoço e um cafezinho.

PASO DE CÓRDOBA

Trata-se de rodovia alternativa que une San Martín a Bariloche. Logo após a saída de San Martín trafegamos pela RN 40 (ex 234) até encontrarmos o posto da polícia: era uma casa campestre, linda, em madeira e pedra, de arquitetura típica da região.
Neste cruzamento em T tomamos a RP 63 em direção ao Lago Meliquina. Esta rodovia, pelo que entendi, não se destinava a tráfego intenso. Pelo contrário, havia uma limitação de 21 passageiros para veículos maiores. O trecho é montanhoso, sinuoso e requer baixa velocidade e extremos cuidados.
A partir desse primeiro entroncamento o lago está a aproximadamente 14 km, o Paso de Córdoba a 48 km e a “confluência” a 69 km, esclarecida aqui abaixo, no segundo parágrafo.

Nota: após cruzarmos o Rio Meliquina, bem próximo das margens do lago de mesmo nome, trafegamos lado a lado até o cruzarmos novamente – rios também fazem curvas e numa dessas a estrada o atravessa novamente. 
Mais adiante atravessamos o Rio Caleufú, que também corre paralelo à estrada, até determinado trecho da RP 63 ( este rio é uma bifurcação do Meliquina) onde uma curva bem acentuada à direita nos impediu de continuar nesse doce convívio com o rio.
Mas esse divórcio foi temporário, porque mais adiante outro rio tomou seu lugar: o Rio Traful, um afluente que deságua no Rio Limay – local da tal “Confluência” que descrevo abaixo.

Confluência é  a encruzilhada em T onde a RP 63 encontra a RN 237 que o levará a Nahuel Huapi (49 km) e a San Carlos de Bariloche (67 km) seguindo à direita; pela esquerda você chegará a Neuquém após 472 km.
Nesta segunda “confluência” passamos por uma ponte e alcançamos a RN 237, sempre margeando o Rio Limay, que serve de divisa entre as províncias de Neuquén e Rio Negro (onde se situa Bariloche).
Já bem próximos desta cidade, no entroncamento com o Paso Int. Cardenal Mamoré (o caminho de ida – Rota dos 7 Lagos) a rodovia recebe novamente a denominação de RN 40 e com ela seguimos até ao Centro de San Carlos de Bariloche.

Creditamos à sorte termos nos sentado no lado esquerdo do micro-ônibus; caso contrário, não teríamos a oportunidade de fotografar o que você vê abaixo (e muito mais). Todas essas fotos foram clicadas da janela do veículo.

Somos privilegiados por vivermos em um mundo de imensurável beleza, e sou consciente de que não é preciso viajar para perceber que vivemos cercados pela generosidade da Terra em seu sentido mais amplo. Somos únicos no Universo! Habitamos um planeta  que compartilha maravilhas inenarráveis com seres (ditos humanos) que nem sempre se dão conta de sua complacência. Admirá-la, apenas admirá-la, não basta. É preciso respeitá-la; entender que tal qual cada um de nós, também está viva! e que também pode morrer…

É preciso “amá-la e respeitá-la até que a morte nos separe…”

E o que não falta nesse percurso são alertas de que só fazemos parte de tudo que nos cerca. De que é nossa! a obrigação de preservar o mundo do qual dependemos: do Fogo, da Água, do Ar e da Terra,

No Paso de Córdoba fomos surpreendidos todo o tempo por esculturas talhadas pela natureza.  Paisagens que nos remetem a cenários de filmes americanos de cowboy.

Ruínas de um castelo no algo da montanha? Não… Apenas asas demais de minha imaginação.

As esculturas em pedra e os perfis das montanhas, pontiagudos, vão tomando formas mais suaves à medida que vamos nos aproximando de São Carlos de Bariloche. 

Despedímo-nos da companhia do rio e partimos ao encontro do lago. Bariloche à vista!

Lago Nahuel Huapi visto do hotel horroroso no qual nos hospedamos: o BARILOCHE FLAT HOTEL do qual só se aproveitava a vista.

*****

Com a palavra,  ROSA CRISTAL

6 opiniões sobre “ARGENTINA – De San Martín de los Andes a Bariloche pelo Paso de Córdoba.”

  1. Amiga Marília, de fato a experiência que tive com o circuito alternativo para chegar a San Martin de Los Andes foi única e fui muito feliz também em ter contratado um guia exclusivo para me assessorar. Porém essa sua postagem sobre outra opção de rota para ir a San Martin, com todas essas belezas que você fotografou e que eu não conheci, parecem ter compensado (e muito bem) a minha pequena dica. De qualquer modo, uma complementa a outra. Abraço!

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    1. Bom dia, amigo! Rodrigo, suas dicas são preciosas e viajantes sabem perfeitamente disso. Só tenho a lhe agradecer. Tenha certeza de que na próxima ida a Bariloche, farei o circuito sugerido por você. Abraços e, mais uma vez, grata por suas atenção e gentileza.
      Amiga Marilia.

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  2. Marília,
    Conforme te falei, retornei a Bariloche de ônibus, saindo de Junin, e fiz este trajeto. Não sabia que se chamava Paso de Córdoba.
    A Argentina é belíssima!
    Você disse que fui poética, quando falei sobre o meu passeio em Villa La Angostura e San Martin de los Andes, mas você me superou.
    Seu texto está maravilhoso.E, sim, precisamos aprender, a respeitar a Natureza, e a sintonizar com essa beleza que ela nos transmite.
    Beijos!

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    1. Minha querida Angela. Sou sua aluna e continuarei sendo uma eterna aprendiz de tudo que me cerca. Obrigada por mais esse comentário. Suas palavras doces e poéticas me incentivam. Muito obrigada. Conto com você para a postagem a respeito de Junin. Bjks da amiga Marilia.

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  3. Continuo viajando com você nesse nosso maravilhoso planeta e é sempre muito gratificante ver com você o reverencia, não apenas com fotos maravilhosas, mas também com a sua percepção de admiradora da obra divina.

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