ARGENTINA: Bairro San Telmo, em Buenos Aires.


Desde que a Praça Dorrego, a segunda mais antiga de Buenos Aires, tornou-se o centro da imensa feira de artesanato que acontece aos domingos, de 10.00 h às 17.00 h,  San Telmo passou a ser sinônimo de agitação. Pelo menos, nos fins de semana.

O antigo e tradicional bairro veste-se de cores nesse período e atrai turistas do mundo inteiro.  Na hora do almoço o trânsito de pedestres é o mesmo dentro e fora dos Cafés e restaurantes; inevitavelmente você encontrará dificuldade para encontrar lugar; se não chegar cedo, terá que esperar.
Não é apenas devido à feira que se estende pela Calle Defensa que o bairro fervilha aos domingos. A rua está repleta de galerias e nesses apêndices o fervo não é diferente.
Todos os comerciantes da rua abrem suas portas para aguardar o início da festa – uma grande e animada festa onde quem chega é sempre bem-vindo.
Mesmo que você não se proponha a comprar nada, vale à pena o rolê só pra conhecer essa atração de Buenos Aires. Agora… vai ser difícil sair de lá sem comprar nada. Você terá que ter muita personalidade para manter a carteira fechada!…
Aos domingos o movimento é tamanho, que em determinadas lojas para você acessar um cantinho onde viu um objeto descolado, tem que ter jogo de cintura pra passar ou muita paciência. Adoro a Defensa com ou sem feira.
Caso prefira ficar longe desse burburinho e curtir a Calle Defensa mais tranquila, o ideal é visitá-la durante a semana. É tão maravilhosa quanto nos dias de agito.
E mais: no bairro há uma casa de tangos/restaurante dos mais afamados da cidade: El Viejo Almazén. Essa e outras tanguerias de seu entorno movimentam o bairro à noite, em qualquer dia da semana. Clique no link e saiba mais.

UM POUCO de SUA HISTÓRIA

No passado, entretanto, não foi bem assim. San Telmo era um bairro populoso e chic da cidade (foi o primeiro a contar com um hospital) e porto para os endinheirados erguerem suas residências.
Aconteceu que em 1871 teve que ser evacuado devido a um surto de febre amarela.
Nessa época os ricos o abandonaram e os menos privilegiados, que não tinham para aonde escapar, acabaram originando os conventilhos – casas construídas com chapas onduladas que ainda vemos no colorido, alegre e descontraído bairro Camiñito.

Caso você aprecie arquitetura, uma volta pelas ruas de San Telmo valerá à pena. Alguns desses prédios foram recuperados e hoje abrigam pousadas, albergues e restaurantes. Aliás, o que não falta no bairro é lugar para dormir, comer e badalar. A febre agora não é mais de uma só cor; é multicolorida pela diversidade de estrangeiros em busca do melhor lugar para se divertir.

*****

Há um restaurante muito indicado na Defensa – A Brasserie Pétanque – que não faz jus à fama que conquistou. Estivemos lá e os pratos que pedimos deixaram a desejar na preparação. A comida foi bem “popular” (mal feita, grosseira). Chamei o gerente e reclamei. Fiz questão que soubesse que não estava lidando com trouxas e, muito menos, comendo o anunciado no cardápio.

Ah! Quase ia me esquecendo: na esquina de Calle Defensa com Chile está uma escultura da boneca Mafalda (acho seu humor semelhante ao do cachorrinho Snoopy). Seu criador, o argentino Quino, foi morador do bairro.

Mafalda, figura de história em quadrinhos, pronta para lhe fazer companhia no banco da esquina de Defensa com Chile. Quem a vê assim comportada, não sabe de nada…

Esta mansão de dois pavimentos foi construída em 1880 com três pátios no andar térreo: o Patio del Tiempo, o Patio del Árbol y o Patio de los Ezeiza, família respeitada que lá habitou. No segundo piso não há senão um pátio e uma espaçosa varanda.

Durante algum tempo funcionou no solar uma escola de surdos-mudos; o prédio foi aberto ao comércio a partir de 1981. É uma das galerias que mais me atrai na Calle Defensa.

Pátio del Tiempo na Galeria de la Defensa.

Os expositores tomam conta da rua e acabam dificultando o movimento dos propensos compradores e curiosos.

Nem sempre as calçadas são largas e há momentos em que a situação, literalmente, aperta.

ABAIXO: O Antigo Mercado de San Telmo foi inaugurado em fevereiro de 1987 e permanece intacto em sua estrutura interna. Une o útil ao agradável – além de servir de ponto de encontro para os moradores do bairro prosearem entre uma compra e outra, também é atração turística. Visitar esses monumentos é voltar no tempo e sentir-se fazendo parte dessa Buenos Aires de antigamente. Amo esse clima.

Escalamos o famoso Bar de Cao, mas não sei o porquê de não termos entrado apenas para tomarmos um café.
Este bar está classificado entre os cinco mais notáveis de Buenos Aires e mantém o ambiente tal qual na época de sua inauguração. Data do início da Primeira Grande Guerra: 1915.

Bar de Cao
Av. Independencia 2400, esquina com Matheu – San Cristóbal
Abre diariamente

Em compensação curtimos o El Federal até dizer chega. Foi fundado em 1864 como armazém. Neste segundo endereço foi cenário para alguns filmes argentinos e continua sendo atração turística em Buenos Aires.

Seu interior é conservado e mantém a mesma aparência desde a época que ocupou esse prédio de dois pavimentos.

A movelaria impressiona pelo desenho riquíssimo em detalhes. O arco de belíssimo entalhe sobre o balcão sustenta um relógio no meio de um medalhão. E como se não bastasse tanta exuberância,  recebeu um vitral como complemento. A obra é deslumbrante!

O El Federal serve petiscos, sanduíches, massas, churrasco (parrilla) e, pasme! até mesmo um simples cafezinho.

Buenos Aires é pura arte e História.

Quem comenta? ROSA CRISTAL

4 opiniões sobre “ARGENTINA: Bairro San Telmo, em Buenos Aires.”

  1. Amiga Marília,

    Como sempre as histórias de suas experiências pelos lugares onde viajou primam pela completude. Nunca vi a Feira de San Telmo ser descrita de modo quase poético! Afinal, dá gosto de passar horas e horas por lá. Sabe o meu chapeuzinho de turista que tenho na foto de perfil? É um Panamá legítimo e tive a honra de adquirir esse meu sombreiro numa dessas recônditas e encantadoras casas da Plaza Dorrego. Foi onde vi também o mais puro tango ser cantado e interpretado nas próprias ruas.

    Grande abraço!

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    1. Rodrigooo! Bom dia, amigo!
      Você, como sempre, prima pela gentileza. Sinto-me honrada em tê-lo como participante de meu trabalho.
      Você tem toda razão: a Feira de San Telmo é um grande e aprazível passatempo. Gosto de fuxicar cada cantinho daquelas barracas. A vontade é de comprar tudo, mas mesmo que estivesse jogando dinheiro pro alto, seria impossível. E nem é este o caso.
      Sim! O chapéu que o faz transbordar em charme naquela foto! Como não saber? E mais razão ainda lhe dou ao se referir aos dançarinos de rua. São fantásticos! e nos oferecem a mais pura arte em troca de alguns pesos.
      Buenos Aires é única!
      Obrigada, Rodrigo, por mais esse comentário. Você sabe: a casa é sua.
      Abraços da Marilia.

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