BRASIL, Brasília – Catetinho, o Palácio das Tábuas.


Rascunhado em um guardanapo de papel por Oscar Niemeyer, o Palácio das Tábuas, conhecido como “Catetinho“, completou 60 anos em 10 de novembro de 2016.
Foi a residência oficial do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira no período em que acompanhava as obras de construção da futura capital do Brasil – até 1959.

Funciona de terça a domingo de 9.00 h às 17.00 h.Como Chegar: BR 040, Km 0, Trevo do Gama, Brasília – DF – CEP: 71745-000 – Telefone: (61) 3338-8807. Fica próximo ao Gama e a Santa Maria.
Em transporte público: consulte o site neste link, clicando aqui.
O lugar poderia ser mais bem sinalizado. Visitei-o em companhia de duas primas residentes em Brasília e, mesmo assim, sob orientação do GPS, erramos o caminho –  novidade nenhuma essa falta de orientação desses aparelhos. Não confio em nenhum deles – prefiro mapas.

O que dizer de um  homem que se propôs erguer – e conseguiu! – uma cidade super moderna em um terreno inóspito, no centro de um país? Comecemos por “delirante”.
Incentivaram-no por tamanha loucura ou tentaram demovê-lo de idéia tão extravagante e dispendiosa? Acontece que o corajoso, otimista e impulsivo presidente não se deixou abater por comentários contrários a seu ideal: cercou-se dos mais renomados arquitetos e engenheiros brasileiros e lá foi ele, rumo ao centro do país, com a mala transbordante de força e sonhos que se concretizaram em abril de 1960. Brasília, fruto que amadureceu ao longo dos anos, hoje conta com uma realidade de 2.977.216 habitantes (dados de 2016).
E se você der uma volta onde está o olho d’água batizado como Tom Jobim, poderá ter a real dimensão do que foi construir a Brasília que conhecemos, tendo como ponto de partida um golpe de enxada em meio à vegetação do cerrado. Aí sim, meu querido, você poderá se perguntar se teria coragem, força e sabedoria para edificar qualquer coisa no meio no nada…

Foi justamente esta fonte que motivou a construção do Palácio de Tábuas em sua proximidade – garantia de abastecimento de água para todos os envolvidos na obra e para o próprio Catetinho.


A estátua de Juscelino foi colocada de frente para o primeiro prédio erguido em Brasília – o Palácio de Tábuas -, atualmente plantado em meio a um jardim descompromissado com qualquer estilo, além de carente de cuidados. Particularmente, penso que poderiam dar mais atenção ao gramado, que me chamou atenção por falta de trato. O museu não merece tanto descaso e muito menos quem o visita.

DILERMANDO REIS X O PRESIDENTE BOSSA NOVA

A história do Catetinho, apelido dado pelo violonista Dilermando Reis, é contada em vários painéis fotográficos espalhados pelos cômodos do palácio. Na sequencia abaixo você poderá ter idéia da ousadia desse empreendimento.

Dilermando foi professor de violão das filhas de Juscelino. Quem sabe, tenha sido esse o motivo de sua presença constante ao lado do presidente, e gozasse de prestígio e consideração de sua parte? Embora um violão conste da lista de objetos pertencentes ao patrimônio do Catetinho, tombado pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), nenhum instrumento de cordas chamou-me atenção. É fato que alguns objetos foram recolhidos pelo Arquivo Público, e talvez por este motivo não estivesse mais exposto no museu.

Sem dúvida, a presença de um violão em um dos cômodos do palácio, trata-se de uma grande homenagem ao artista, além de reforçar a suposta admiração e afeto do “Presidente Bossa Nova”, tão cantado por Juca Chaves, pelo professor e seresteiro Dilermando Reis.

Juscelino gostava de música e era conhecido por sua preferência musical: serestas, que muitas vezes furtaram o silêncio em que ainda permanece mergulhado o Palácio de Tábuas – quietude tantas vezes interrompida pelo vibrar de cordas do instrumento de um dos maiores violonistas brasileiros, que encantou Juscelino, convidados do Catetinho e seletas platéias.




Planta baixa do palácio: 5 suítes, uma sala de despachos, uma cozinha. No térreo, em meio a pilotis sem paredes, uma mesa de muitos lugares onde todos faziam as refeições.

Quem o visita jamais imaginará que esse palácio provisório foi construído em apenas dez dias. Durante 3 anos foi ocupado por Juscelino e sua equipe ( de 1956 a 59) todas as vezes que precisavam acompanhar o andamento das obras de Brasília.

Todos os banheiros do palácio contavam com banheiras, chuveiros e bidê. Uma das suítes era ocupada pelo presidente; outra, por Oscar Niemeyer; uma terceira, por Bernardo Sayão, engenheiro responsável pela construção da nova cidade e de quem pouco se fala. Havia ainda outra suíte para hóspedes. Não cheguei a contar o número de quartos, mas, pelas fotos dos banheiros, concluo que sejam cinco.

A suíte presidencial na foto acima.

Abaixo, uma bolsa da saudosa Panair, companhia aérea envolvida em acusações de favorecimentos. Era a eleita para transportar até material de construção para a futura capital do Brasil, que seguia do Rio de Janeiro ou do interior de Minas Gerais.

Para a época, os móveis moderníssimos que substituíram os “defasados” estilos art-déco e chipandelle foram os famosos pés de palito. Sofá e poltronas lindas  (adoro!) de desenhos audaciosos que tornaram-se objetos de desejos de consumidores mais “avançados e moderninhos” dos anos 60.

A confortável e espaçosa sala de despachos composta por mobiliário de design arrojado para a época e que ainda hoje faz sucesso. Móveis do estilo “pé de palito” só encontramos atualmente em brechós chiques ou antiquários, a preços bem salgados.

E pensar que minha mãe teve o buffet e a mesa de jantar com o mesmo desenho que esses da foto. Ah, se eu soubesse…

 

Nonato Silva era o responsável pela divulgação de todos os acontecimentos de Brasília na Revista Brasília. Leia mais clicando aqui.

Acima: foto e reportagem com o engenheiro responsável pela pavimentação da cidade de Brasília.

Para saber mais a respeito do aeroporto de Brasília, clique aqui.

Máquina fotográfica do final da década de 60 também faz parte do acervo do museu.

Muitas fotos distribuídas pelas paredes contam a história da construção da cidade em apenas três anos.

O museu peca – e muito! –  pelo estado de conservação de objetos que contam não só a história do palácio, mas a de uma época. Lastimável!

Que mulher, na década de 60, não almejou ter uma frasqueira atravancando a prateleira do armário? Como era chic essa bolsinha incômoda, que carregávamos mais por exibição que por outra coisa. Carregava minha frasqueira como quem exibia um troféu. Tornou-se popular demais e depois, como tudo que é moda, morreu.

Imaginei como devia fazer calor nessa cozinha, principalmente no Verão: fogão à lenha, teto sem laje… 

Neste único armário fechado ainda repousam antigas latas de Nescafé, Nescau, creme de leite, leite condensado e Leite Ninho.

Em cima do armário ficavam os “fifós” – lamparinas a querosene -, quebra-galho na falta de luz;  nos quartos, lanternas a querosene, de melhor aparência, entravam em cena nesses casos.
Mas, como cozinha é cozinha…

Ferramentas utilizadas para semear os primeiros caminhos de uma cidade que brotaria após três anos de construção.

Juscelino cercava-se não só de políticos, arquitetos e engenheiros. O presidente gostava de música e por isso vez ou outra era fotografado ao lado de “famosos”: músicos, compositores e cantores, que vira e mexe, estavam no Catetinho fazendo-lhe companhia.
Tom e Vinicius foram convidados por Juscelino para compor um hino em louvor à Brasília. Nessa visita ao Palácio das Tábuas, a dupla chegou até ao olho d’água existente bem próximo ao edifício.
Conversa vai, conversa vem, surgiu a frase: – É água de beber, camarada. E daí surgiram os primeiros versos da música em que você está pensando; essa mesma: Água de Beber.

A fonte não foi inspiradora apenas para Tom e Vinícius. Foi por conta desta mina que o lugar foi escolhido para a construção do Catetinho.

O texto foi composto por observações de três curiosas (eu e minhas duas primas) e, posteriormente, por informações de um grande amigo jornalista, habitante de Brasília há anos e apaixonado pela cidade.

Informações complementares, basta seguir os links.

ROSA CRISTAL comenta

4 comentários em “BRASIL, Brasília – Catetinho, o Palácio das Tábuas.”

  1. Amiga, mais uma vez li sua experiência no Catetinho já me transportando no tempo. Adoro a trajetória de Juscelino e me orgulho que pelas mãos desse destemido mineiro de Diamantina o interior do Brasil passou a ser mais povoado e desenvolvido. Quanto a você, amiga, primando pela qualidade de seus textos, como sempre. Abraço!

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    1. Rodrigooo!!! Obrigada, amigo. Fiquei emocionada ao entrar no museu e mais ainda quando adentrei a mata do entorno. Que homem corajoso! Também aprecio Juscelino. Foi um desbravador. De qualquer forma, um Bandeirante. Abraços, amigo, e obrigada por seu comentário.

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