BRASIL, SC – Praias de Paulo Lopes, Garopaba e Imbituba.


É inegável que foram os surfistas os responsáveis pela divulgação de Garopaba, Imbituba e arredores. Praias lindíssimas do sul do país que muitos ignoravam,passaram a chamar atenção por um simples fato: a moçada, na busca incessante pelas melhores ondas do litoral brasileiro, acabou fazendo ninho nas praias. Por conta dessas marés, os moradores começaram a jogar suas iscas: abriram uma carrocinha de cachorro quente aqui…, outro abriu uma barraquinha de outra coisa ali… e lá pelas tantas, essas cidades que até então nem apareciam no mapa, agora figuram em revistas nacionais e estrangeiras, especializadas em esporte, e estão marcadas com um baita pingo vermelho nos mapas da internet.
Em compensação, os habitantes dessas paragens há muito perderam o sossego no Verão.

Pelo tamanho da introdução da postagem vocês podem imaginar o tamanho da página. Por isso, vai aqui meu aviso aos navegantes: fiz questão de que esta postagem fosse informativa e por isso acabou ficando grandinha. Mas, como vou separar os assuntos, veja qual lhe interessa e clique lá.


Nosso passeio começa em 09 de outubro de 2016, quando saímos de Florianópolis para cumprir o roteiro abaixo. Já conhecia Garopaba, uma de nossas paradas, mas desta vez fomos um pouco mais longe.
Saímos pela manhã para aproveitar o dia tranquilamente e assim foi feito. Paramos em diversos lugares, mas ao anoitecer já estávamos de volta.


1- PAULO LOPES:

Nesse município começamos pela PRAIA DA GAMBOA, e depois, sem retornar à BR-101, seguimos para GAROPABA por uma estrada de chão. Para saber mais, clique aqui – há roteiro e fotos.

Mesmo trafegando pelo atalho a que me refiro na postagem da Praia da Gamboa, há sinalizações e você terá que ter personalidade forte para se perder.
O asfalto apareceu quando estávamos chegando a nosso segundo destino: Praia de Siriú.
Esta residência chamou tanto nossa atenção que paramos para fotografá-la: uma casa em estilo colonial português construída na beira da praia, em um terreno cinematográfico, onde ovelhas pastavam tranquilamente no gramado. Foto para calendário.

Antes de chegar à PRAIA DE SIRIÚ há dunas na beira da ESTRADA PAULO LOPES. Uma delas virou atração turística – a DUNA DE SIRIÚ – a ponto de terem tido a boa vontade de construir uma escada, no capricho, com corrimão e tudo. Ah! E degraus pintados com diversas cores – deve ser para incentivar a subida.

Não subimos a escada porque demandaria tempo e ainda tínhamos muito chão pela frente. Mas que deu vontade de ver o que tem do outro lado, ah…,isso deu.

Deixamos a praia de Siriú e rumamos para a PRAIA DE GAROPABA (foto abaixo). Essa estrada que margeia as dunas é perpendicular da SC-434, que atravessa esta cidade.

2 – GAROPABA:

Era um vilarejo do litoral catarinense que nem dispunha de eletricidade, quando um surfista gaúcho, formado em medicina, apareceu na localidade em busca da tal da melhor onda. O ano era 1970.
Apaixonou-se pelo lugar, começou a exercer medicina no posto de saúde local, revesou a prática do surf com bulas, ampolas e receituários, até que chegou um dia em que, por necessidade de proteger-se do mar gelado, costurou a primeira roupa de neoprene. A roupa fez um sucesso danado entre os amigos surfistas…, o jovem costurou cada vez mais roupas…, o tempo foi passando…, e hoje, aquele forasteiro que soube aproveitar a onda da sorte (acho até que essa foi a melhor delas), comanda mais de 20 lojas de famosa marca de roupas esportivas. Onde inaugurou a primeira lochinha? Lá mesmo: na Garopaba que o recebeu de braços abertos. Estive na loja na primeira vez que visitei a cidade e fiquei encantada: lá você encontra tudo de que precisa para curtir seu Verão, devidamente paramentado com roupas, sapatos, chinelos, óculos e bonés da moda. . São mais de 5.000 itens à sua disposição, passando por relógios, pranchas para tudo que você imagina (se bobear até prá passar roupas), bicicletas, acessórios para as magrelas, enfim… você se perde naquela imensidão de artigos. O atendimento é simpático, educado e tão descontraído quanto os artigos da loja que, por si só, já é uma atração turística.

A história do Dr. M.A.R. (Mar… Au… Ra…) é por demais atraente, está beeemmm resumida no site da loja, e se você quiser conhecer essa curiosa aventura, basta clicar aqui. Garanto que vai se impressionar com a manobra que o destino lhe preparou. Acredito em destino. Acho que nada acontece por acaso, mas isso já é outro papo.
Repare que, não por acaso, as iniciais de seu nome já deviam ser um prenúncio da fonte que lhe proporcionaria felicidade e sucesso.

GAROPABA cresceu em função do mar e transformou-se em uma bela cidade que respira desenvolvimento sem ajuda de aparelhos: comércio diversificado e farto, hotéis, pousadas, restaurantes, passeios de bicicleta, trilhas e praias. Divertimentos não faltam.

Centro de Garopaba: amplo e de comércio farto e diversificado.
A cidade não se resume a uma avenida principal e fim de linha.
CENTRO HISTÓRICO de GAROPABA:

A principal avenida é a Prefeito João Orestes de Araújo. Siga até o final e dobre à direita para entrar na Avenida dos Pescadores. No final desta beira-mar fica o berço da cidade – a parte antiga, onde ainda se vê construções da época da colonização açoriana. Adoro esse cantinho.

ATENÇÃO! Bem na esquina dessas duas avenidas havia um restaurante cascão muito ruim para meu gosto. Um self-service brabo que vendia filé de baiacu como se fosse de linguado!
Os caras de pau trabalhavam com um peixe barato, de carne amarelada, e tinham o desplante de anunciar no cardápio como linguado – peixe nobre de carne branca, de aparência e gosto muito especiais e inconfundíveis.
Tratava-se de uma muvuca infernal no Verão. O que me salvou foi o freezer de sorvete, que naquela época eu podia tomar sem preocupações com o diabetes. Almocei sorvete. Portanto, tá avisado. Se quiser comer algo decente procure outro lugar, embora… haja gosto prá tudo.
Nem sei se essa joça ainda funciona. Caso ainda esteja lá, cuidado!

Continuando: Esta parte antiga da cidade é uma fofura. É a minha preferida, onde me encontro com um passado que me parece familiar e onde tenho a impressão de que já vivi (e por conta desses tipos antigos de arquitetura acho que já vivi em Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Portugal – de cabo a rabo -, França, Ribeirão da Ilha, Sambaqui, Santo Antonio de Lisboa, São Luiz do Maranhão… )

Avenida dos Pescadores. Ao fundo, o morro que servia de cenário para o antigo vilarejo.
Avenida dos Pescadores, a beira-mar de Garopaba.
Praça da Igreja Matriz, na parte antiga da cidade.
Panorama visto da Praça da Igreja Matriz.
A foto do fato.
A casa que aparece no frontão da página, vista, literalmente, sob outro ângulo.
Praia de Garopaba vista do alto.
Ponto do vai-e-vem de ousados pescadores .
Igreja Matriz São Joaquim.

3 – A CAMINHO DE IMBITUBA

Pegamos a SC-434 e rumamos para as PRAIAS do OUVIDOR(1), ROSA (2), RIBANCEIRA (3), PORTO (4) e VILA 5).

Pouco antes da entrada para as duas primeiras belezuras há uma placa na BR-101 bem visível – não se preocupe. Vire à esquerda. Esta estrada é a GRP 396, que logo depois muda para IMB-403. Mais adiante, ao chegar ao cruzamento indicado abaixo, siga a indicação da placa. Moleza.

3.1- Pr. do OUVIDOR: O estacionamento é na própria areia! Não aprovo essa prática; não frequentaria uma praia em que tivesse que dividir espaço com automóveis, mas há quem não se importe com esse tipo de agressão. Nem quem a comete e nem quem a sofre. Gosto é gosto. Enchem a praia de automóveis, motos, churrasqueiras. Para completar o “farofa’s day”, um pagode de raça em alto e bom som saindo de alto-berrantes. Cada um com seu pagode, claro, que é para a muvuca ficar mais animada.

Mas, quem sabe, você não prefira a sugestão que vou lhe passar agora?
Preste atenção: pouco antes de chegar à Praia DO OUVIDOR há uma bifurcação. Seguindo à direita há uma trilha que dá acesso a um pedaço de Paraíso chamado PRAIA VERMELHA. Não fomos até lá…
Aconteceu, que ao pesquisar estas estradas prá você não errar o caminho, acabei encontrando fotos maravilhosas dessa praia, clicadas por um senhor gaúcho. Como estavam assinadas, sentí-me mais à vontade para publicá-las aqui no blog para você ter noção do que poderá encontrar no final da tal trilha. Além disso, procurei-o em uma rede social e lhe enviei recado.
O autor das fotos chama-se Sidnei José Romano e as fotos estão datadas de dezembro de 2013. Para apreciá-la clique em “ver no Google Maps” e passeie com o mouse em quantos graus desejar.

NOTA:  para quem pensa que tanto a Praia do Ouvidor quanto a famosa Praia do Rosa pertencem à Garopaba, errrou! Ambas pertencem ao município de Imbituba!
A título de curiosidade: há uma disputa entre os dois municípios pela Praia do Rosa que, verdade seja dita, está mais para o lado de Garô que para o de Imbi. Isso vem se arrastando há anos e até agora necas de pitibiriba. Pelo andar da carruagem, essa briga só será resolvida no dia em que o saci cruzar as pernas. Aguardemos.

2 – Pr. do ROSA:  saímos da Praia do Ouvidor  e retornamos para a IMB-403 (aquele cruzamento que aparece na foto ali de cima) para seguirmos em direção à Praia do Rosa.
Essa praia é o maior fervo e no Verão é quase impossível trafegar na “beira-mar”, digamos assim. Preste atenção: essa estrada é sem pavimentação, estreita demais  e tira qualquer copista medieval do sério. Você corre o risco de ficar empacado e levar horas para sair do lugar. Até no inverno você vai encontrar dificuldades para manobrar o carro porque essa estrada não tem saída.
Pense nisso: alguma vez você ouviu falar que surfista sente frio? Claro que não! Daí, amigo, a turma vai em massa para a praia do Rosa em qualquer época do ano, chova ou faça Sol. Dê uma olhada aqui neste vídeo – ou neste – e veja o porquê – são bem curtinhos. Na mesma praia de 2 km de extensão há ondas para surfistas iniciantes, para os mais espertinhos, e os catedráticos. Há ondas gordas e longas, altas e magras, fortes e tubulares, enfim…um desfile de ondas para todos os gostos e habilidades.
Já estive lá algumas vezes, sempre a convite de irmão e cunhada, e a situação sempre foi a mesma: gente prá caramba. Nem dá prá saber onde a muvuca é maior: se no mar, na areia ou na estrada – com o povo tentando movimentar os carros. O lugar onde fiz o vídeo acima é o final da linha. Não há saída!

Nas proximidades você encontra pousadas charmosas, restaurantes de todos os tipos (naturebas então… não podem faltar), sorveterias, comércio variado. Foi outra localidade que se desenvolveu por conta do movimento de surfistas – e bota movimento nisso, istepô!
Após algum tempo de manobra conseguimos sair da muvuca e voltamos novamente para a BR-101 em direção à IMBITUBA.

PRESTE MUITA ATENÇÃO NESTE TRECHO: Ao avistar a placa na BR-101, indicando a entrada para IMBITUBA pela saída 283, você trafegará paralelamente à BR, passará por baixo dela sem contornar a rotatória, e seguirá em frente. Só então você verá a placa indicativa para a cidade.
O que acontece? Antes de você passar embaixo do viaduto há placas indicativas para quem deseja ir para Laguna e Imaruí. Uma grande falha, porque a placa indicando Imbituba e retorno para Florianópolis, você só a verá ao atingir o outro lado da estrada. Siga em frente. Agora você trafega pela Estrada Cônego Itamar Luiz da Costa.

3. Pr. da RIBANCEIRA: não só procurada por surfistas de mar, mas também  para quem aprecia surfar nas areias brancas e finas das dunas que emolduram a praia.

4. PRAIA DO PORTO: fomos diretamente para o mirante de onde se vislumbra bonita vista de IMBITUBA e logo a seguir rumamos para a PRAIA DA VILA, bem próxima ao porto.

Na placa há um breve relato a respeito do encalhamento de dois navios na beira da Praia do Porto. De um deles ainda resta uma lembrança, que aos poucos se desfaz com o movimento das ondas.

Os dois minúsculos pontos que se vê atrás da vegetação é o que ainda aparece do tal navio encalhado.

5. PRAIA DA VILA: nem desconfiava, mas a praia da Vila é (ou foi) cenário para uma das etapas do WCT (World Championship Tour) – campeonato de surf disputado por 34 dos melhores surfistas do mundo.

Ilha Santana de Dentro.

Percorremos os 3 km de extensão da praia e lá final é que está a principal atração: duas ilhas próximas da praia – Santana de Fora, a mais afastada, e Santana de Dentro, a mais próxima, que em dias de maré baixa e sem ondas pode ser atingida a pé.

Praia da Vila, Imbituba.
Ilha Santana de Dentro.

Ambas são responsáveis pela formação de ondas que atingem até 5 metros de altura, criando condições ideais para a prática do surf.

À tarde retornamos para Florianópolis, agradecendo a nossos deuses “por esses momentos lindos”. Paramos na estrada para tomarmos o café da tarde e rumamos para a casa de meu irmão, onde atropelamos a noite jogando um baralhinho. Afinal…, ninguém é de ferro.

*****

ROSA CRISTAL comenta.

 

 

4 opiniões sobre “BRASIL, SC – Praias de Paulo Lopes, Garopaba e Imbituba.”

    1. Rosinha, quem descola esses lugares é meu irmão. Ele conhece todo o Estado, por conta de ter sido coordenador de pesquisas do IBGE. Ele não só coordenava, mas também saía em campo. Conhece tudo! Daí, agora que aposentou, escolhe o de que mais gostou e leva a família para conhecer.
      Bjks e obrigada pelo comentário. Amiga Marilia.

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  1. Amiga, o roteiro é maravilhoso! É mais uma de suas raras postagens onde quem lê viaja junto! Imaginei-me desfrutando vagarosamente de cada praia linda como essas aí… Não me perdoo por não conhecer Santa Catarina até hoje. Não sei porquê… Vou quebrar o “jejum” agora em outubro, com a Oktoberfest.

    Abração, querida!

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    1. Olá, amigo!
      Obrigada mais uma vez por suas palavras elogiosas que tanto me servem de impulso.
      Não conheço a Oktoberfest. Em todo caso, posso lhe adiantar que tudo nos leva a crer que em Outubro ainda fará frio para quem deseja pegar uma prainha.
      Agora, para visitá-las, é outro assunto.
      Em minha próxima ida à Florianópolis, quero pegar minha cunhada (a irmã que Deus me deu de presente) e irmão e pegar a trilha até a Praia Vermelha.
      Quanto à praia do Rosa, o problema é manobrar os carros. Essa praia, conforme escrevi, não tem saída. Linda, é a da Vila.
      Praias lindas também têm em Laguna. O farol de Santa Marta é o maior atrativo. Estive lá duas vezes, mas ainda não postei nada a respeito. A estrada era péssima… não sei como está agora, mas vou me informar.
      Abraços da amiga e muito agradecida por seus valiosíssimos comentários.
      Marilia.

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