BRASIL, RN: Galinhos – Paraíso Que Não Se Define – Sente-se.


IMAGEM DESTACADA: entardecer em Galinhos, sem o recurso do Photoshop!!!

Éramos 5 em viagem (2011) e nosso roteiro começou em Galinhos. Quem nos transportou do aeroporto de Natal até lá foi o Sr. Moisés Sousa, capitão de uma empresa de turismo chamada Mary Tour, a quem tecemos os maiores elogios e indicamos sem qualquer restrição.

Sr. Moisés Sousa, capitão da Mary Tour – sua agência de viagens em São Miguel do Gostoso.

A simpatia foi recíproca e imediata entre os 6. Seu Moisés, nosso guia motorista e um amigo que o destino nos reservava, é pessoa simpática, acolhedora, gentil, tranquilo, confiável, responsável e, acima de tudo, paciente. Muuuiiito paciente. De Natal a Galinhos conhece caminhos e atalhos como ninguém.
A viagem inteira colocou-se a nossa disposição caso quiséssemos parar por qualquer motivo. Tínhamos aproximadamente 155 km a percorrer e, evidente, em algum momento seria natural fazer uma parada, e assim foi.

Havíamos chegado à Natal em hora de almoço. Não tenho a menor dúvida de que o Sr. Moisés percebeu aquela cor azulada de quem está a um fio de um desmaio por conta de estômago vazio e foi logo perguntando se desejávamos almoçar. O “sim” não foi muito afinado, mas partiu, literalmente, do âmago de cada um de nós. Âmago no sentido mais literal da palavra: o estômago. Fizemos um coral improvisado de 5 vozes que ficou até lindo. Quase chorei baldes. Se mantivéssemos as bocas abertas e alguém pronunciasse qualquer palavra, certamente faria eco. Foi nessas condições que seu Moisés levou-nos a um restaurante ma-ra-vi-lho-so especializado em pescado e de lá, fartos como uma jibóia que acabou de engolir um elefante (Antoine de Saint-Exupéry), começamos nossa viagem. E que viagem!…

UM DOS CAMINHOS PARA SE CHEGAR A GALINHOS
Seguimos pela RN 406 em direção à Ceará-Mirim/Macau até passarmos pela placa indicando a entrada de Jandaíra.
Esta localidade serve de  marco  para a entrada de Pratagil (Galinhos), 17 km depois! Atenção nisso! Trata-se da RN-402, de aproximadamente 25 km, que você percorrerá até chegar ao atual Estacionamento Municipal de Galinhos (Pratagil).
Este estacionamento gratuito faz parte do cais onde embarcações partem de 30 em 30 minutos, de 5.30 h às 18.00 h, em direção à Galinhos. Seu Moisés sabia disso e por isso houve um momento em que teve que pisar mais no acelerador. Caso não chegássemos a tempo, teríamos que dar uma grande volta e sua van não era o veículo apropriado para trafegar pela areia.
Tenho pesquisado e observei que nesses seis anos o estacionamento melhorou muito e agora dispõe de um cais muito bem transado.
Naquela noite, apenas sob a iluminação dos faróis da van de seu Moisés, descemos por uma escadinha de alvenaria coberta em alguns centímetros pelo mar e sem corrimão. Passar nossas bagagens para o barqueiro em plena escuridão, não seria manobra fácil para quem não está acostumado com a manobra, mas felizmente tivemos ajuda de seu Moisés e do barqueiro.
De Pratagil a Galinhos são apenas alguns minutinhos de travessia: entre 5 a 8 minutos, dependendo das condições do barco… e do barqueiro.

CHEGANDO DE ÔNIBUS
Na Rodoviária de Natal a empresa Expresso Cabral é a única, por enquanto, que transporta para Galinhos. Consulte  dias de saída de ambas as cidades e horários clicando aqui. Observe que as saídas não são diárias!

POR QUE GALINHOS?

Na foto, nosso guia mostra um peixe-galo que encontrou na beira da praia.
Nesta outra, os tais galinhos que originaram o nome do lugarejo.

A abundância de pequenos peixes-galos na região foi que acabou atraindo grande número de pescadores – montaram acampamento na região – que, aos poucos, foram transformando a península em povoado.

Havíamos feito reservas para a Pousada Amagali, bem pertinho do trapiche de Galinhos e de lá pegamos um “taxi” para transportar nossas bagagens: uma carroça sem laterais, puxada por burro, onde eu e meu fiel escudeiro pegamos carona junto com as malas. Meu irmão, cunhada e sobrinha começaram caminhando vagarosamente ao lado da carroça, mas acertaram o passo e acabaram chegando antes de nós – foi a primeira mostra do ritmo de vida da saudosa Galinhos.

Taxi-burro de que você poderá se valer para conhecer o lugarejo. Não aconselhável para quem sofre com problemas ósseos, mas muito original.

A respeito da pousada falarei mais tarde; por enquanto fico apenas na descrição da Galinhos que encontramos em 2011.

O RITMO DO LUGAREJO
Galinhos tem a aparência e a tranquilidade de um presépio, em que a locomoção se faz a pé, de bugre, de bicicleta, barco, charrete, “taxi-burro”. Só esses meios de transporte já lhe dão uma idéia do ritmo em que vivem seus habitantes. E o melhor: essa “pressa” contamina e rapidinho estávamos caminhando no mesmo ritmo. Achei ótimo!

ATRAÇÕES de GALINHOS e ADJACÊNCIAS.
Nas imediações de Galinhos há uma salina chamada Diamante Branco (estava sem atividade quando lá estivemos), muito mangue, dunas, braços de mar que os moradores chamam de rio, e praias.  Ou seja: motivos para você se distrair não faltam e meios de transporte também não.

O QUE HÁ PARA VER

1- Como GALINHOS encontra-se em uma estreita península (342 km²), é prazeroso caminhar e descobrir o lugarejo por sua própria conta. Parta do princípio de que apenas uma parte da península é habitada por cerca de 2.300 pessoas e não há como se perder, mesmo que você queira.

2- NA PRAÇA DA IGREJA
tivemos a satisfação de encontrar este senhor, funcionário da prefeitura. Começamos com um longo “boa taaarrrde”!… A resposta não foi apenas a repetição arrastada do cumprimento. Logo a seguir perguntou-nos  se estávamos gostando de Galinhos – pessoas diferentes no pedaço… – e daí engatamos um conversê num piscar de olhos.
Paramos e proseamos com uma das pessoas mais interessantes que encontramos nessa viagem.
Segundo ele, a “cidade” é um paraíso e não saberia viver em outro lugar. Conversa vai, conversa vem, com um largo e espontâneo sorriso mostrou-se satisfeitíssimo com sua função de varredor e disse-nos orgulhar-se de seu trabalho. Manter as ruas de Galinhos limpas, para ele, é uma questão de honra, porque todos sabem que é ele o responsável por essa função… Simples e emocionante assim.

Passear de buggy? Como cansa!…Merecida pausa.
E mais outra para comprarmos uns mastiguetes para acompanhar o carteado na pousada, à noite.

3 – DESCUBRA GALINHOS CAMINHANDO
Lembre-se de que você está curtindo uma península “magra” e que devido a esse perfil longilíneo, em minutos você chega de uma margem à outra – são menos de 500 m.
Pelo caminho encontramos casas com portas e janelas abertas – normalíssimo -, onde vimos, vez ou outra, cortinas leves como bailarinas acenarem para nós, ao dançarem um balé particular e único sob o comando do forte vento que sopra cerca de 40 km por hora.
De algum lugar, nem sempre identificado, ouvíamos músicas tocadas em alto e bom som, vindas, quem sabe, de algum aparelho adquirido em Natal como um lançamento “que acabou de chegar”.

4 – PRAIA DO FAROL
De um lado da península (onde fica o cais) havia (e acho que ainda há) duas pousadas recomendáveis. Do outro lado, onde fica o farol, havia apenas uma. Este farol é atração de Galinhos e acho que também serve para marcar o ponto onde o vento faz a curva e sopra beeemmm mais forte.
Vale muito à pena caminhar até lá para conhecer o farol, e assistir ao famoso por-do-sol que, duvido muito, seja mais bonito que esse que está na foto do frontão, visto da varanda de um dos apartamentos da Pousada Amagali.

Farol de Galinhos.

Imagens do entardecer sem  auxílio de Photoshop!!!

5 – DUNAS e LAGOAS 
Outra atração são as dunas e lagoas que se assemelham ao cenário dos Lençóis Maranhenses, respeitando-se, logicamente, as devidas proporções.

Dessas dunas, a mais famosa é a Duna do André – morador de Galinhos a quem o lugarejo homenageou. De seu cume vislumbra-se linda paisagem como essa que você vê acima.
Na foto, irmão e cunhada curtindo “esse momento lindo”.

6 – CAIÇARA DO NORTE (São Bento do Norte – FAROL DE SANTO ALBERTO), ENXU QUEIMADO.

Para ingressar nesse passeio, a melhor opção é você contratar o serviço de um bugueiro e lhe digo o porquê: de Galinhos ao farol leva-se aproximadamente 40 minutos de viagem e os hábeis pilotos só começam a trafegar pela RN-221 após algum tempo de viagem pela areia da praia.
Do contrário você terá que fazer a travessia até Pratagil (aquele estacionamento da prefeitura que citei lá em cima), pegar a RN-402, para depois então continuar pela RN-221. Dê uma olhada no mapa aqui embaixo e veja a volta que você terá que dar.

Nota: os caminhos por onde os bugueiros passam não há mapa que mostre.

Vizinho de Galinhos (menos de 40 km), fomos almoçar em um restaurante de chão de areia bem pertinho do farol. Não me recordo de seu nome, mas lembro-me perfeitamente do quanto nos deliciamos com uma mesa repleta de pratos simplíssimos, mas de sabor inesquecível. Como diz M. Claude Troisgros: “tem que saberrr temperrrarrr”.
Comemos peixe acompanhado por salada de alface, tomate e cebola, pirão feito com o caldo do peixe, muito bem temperado, arroz, batatas fritas, cerveja gelada, suco e um papo excelente que rendeu toda a tarde.
Lembro-me de que a barraca ficava quase embaixo de uma árvore e de lá vislumbrávamos essa curva maravilhosa que você vê na foto aqui embaixo.

Na volta para Galinhos um imprevisto em um dos buggies passou batido por nossa felicidade – nada a comentar.

7 – MANTENHA O BOM HUMOR. NEM TUDO SAI DO JEITO QUE VOCÊ IMAGINOU …

Aconteceu que o jovem que cuidava da pousada ofereceu-nos um passeio aparentemente muito interessante: passaríamos de barco pela salina, onde eles pescariam alguns peixes – o que me fez pensar que navegaríamos entre cardumes & cardumes de peixes galo -, e depois partiríamos para a Praia do Capim (praia em que o alto índice de salinidade proporciona flutuação fora do normal)onde almoçaríamos fartamente o resultado dessa pesca que sairia dourada e fumegante de uma grelha. Maravilha!
Não foi nada disso. O tal pacote, isto é: o tal passeio era, literalmente, um embrulho danado.
O jovem funcionário da pousada e um amigo conduziam a embarcação coberta, bem colorida, arrumadinha, e lá fomos nós ao encontro do sonhado cardume.

Ói nós aí, prontinhos para o embarque – numa fria.

Ao chegarmos ao pier da salina, perguntei pelas varas de pesca, iscas, essas coisas. Não havia. O esquema era outro: equipados com arpão, máscaras e snorkels, ambos mergulhavam  na tentativa de pescar alguma coisa para o almoço, mas estava difícil – neste dia, para decepção de todos, o mar não estava prá peixe.

Nesta época a salina estava sem atividades. O que vimos foram pequenos montes de sal impróprio para uso. As cores amarelo e marrom denunciavam o tempo em que já estavam ao relento.
Pier onde os meninos, com a maior boa vontade, tentaram pescar nosso almoço.
Um deles, em plena atividade, mas…  faiô.
O maior dos três peixes que foram pescados para 7 pessoas. Valeu pelo esforço.

Ficamos ali um tempão. A fome chegou, foi, voltou e continuávamos aguardando que os meninos arpoassem nosso almoço, até que um de nós salvou os dois mergulhadores de maiores constrangimentos e bradou com o resto de força que lhe restava: “Chega! Tá ótimo!” Contabilizada a pesca – três peixinhos dentro de um balde que não alimentariam um gato faminto (éramos 7 pessoas) – partimos para a tal praia aos pés da poderosa duna.

As iscas foram assadas em brasa – senão o programão não estaria cumprido – e uma pequena porção  foi distribuída pra cada um.

Voltamos para o vilarejo e fomos salvos por uma sorveteria. Aí, istepô, foram vários mergulhos livres e profundos em sorvetes de diversos sabores, sem cilindros ou apneias.
A natureza é imprevisível, não podemos nos esquecer disso. Dia seguinte o passeio virou piada e rimos muito. Valeu demais. Só não recomendo.

8 – ATRAÇÃO IMPERDÍVEL!
Assistir à programação de TV na Praça Central de Galinhos, onde fica a igreja.
Interessantíssimo: a prefeitura construiu,  quase no centro da praça, uma estrutura em alvenaria com duas colunas altas lembrando a letra H,  mas com a parte superior desse “H” fechada com duas pequenas portas.
Ali foi instalada uma TV que era ligada em determinada hora da tarde por um funcionário da prefeitura, e desligada em torno de 23.00 h mais ou menos.
Como em um cinema, as pessoas assistiam à TV, acomodadas em bancos de concreto, sem encosto. A degas aqui clicou algumas fotos, mas como ficaram abaixo de péssimas, descartei-as. Bobagem, poderia ter lançado a novidade assim mesmo aqui na postagem. Uma pena!…

9 – A CAMINHO DE GALOS
Não podem passar despercebidas as dunas e lagoas a caminho de Galos, diferentes das de Galinhos no seguinte sentido: formam lagoas de águas limpas onde você pode se deliciar em gostoso banho – caso goste de banho frio.
Confesso que até para molhar os pés foi difícil. Como imaginar que sob aquele calor de maçarico, em pleno nordeste, encontraríamos águas insuportavelmente frias? Pois foi.
Olhe a natureza nos surpreendendo novamente!

A caminho de Galos, em um dos buggies.

De acordo com um de nossos guias, há trechos destes caminhos pelos quais passamos que fazem parte do Rally dos Sertões. Esse era o nosso: fomos de Galinhos à São Miguel do Gostoso pela beira do mar. Aqui, por enquanto, estávamos seguindo para Galos.
Pausa para descanso. Afinal… ninguém é de ferro.

10 – GALOS

Bem próximo a Galinhos encontra-se o distrito de Galos, a 5 km de distância.
Galos conta com pouco mais de 400 habitantes. Dispõe de uma pousada e, de acordo com o que tenho lido na internet, conta com um restaurante que ganhou notabilidade pela qualidade de seus serviços. Não chegamos a conhecê-lo.

Galos.

NB: motoristas de buggy de Galinhos ligados a turismo e pertencentes (ou não) à Associação de Bugueiros de Galinhos acompanhavam o movimento de chegada dos turistas no único e pequeno cais  da época e sabiam perfeitamente onde as pessoas se hospedavam porque as opções de pousadas boas eram poucas – se não me engano, três.
Dependendo da hora de sua chegada, ou logo  no dia seguinte pela manhã, costumavam estacionar seus buggys em frente às pousadas para oferecer passeios.
Achávamos interessante a abordagem que nos faziam, porque nenhum deles se inibia com a presença de seu concorrente já contratado! e faziam “leilões” de preços de passeios sem o menor constrangimento.
Entendíamos perfeitamente a disputa – principalmente por ser baixa temporada -, pedíamos desculpas, até com certo constrangimento, e seguíamos com nossa fidelidade.

Permanecemos em Galinhos por dois dias inteiros – a medida certa para aproveitarmos a programação da postagem.
Permanência: de 08/8 a 11/8/2011 hospedados na Pousada Amagali.
Refeições: farto café da manhã incluído na diária e jantares à la carte no restaurante da própria pousada.
Voltagem: 220.

1 – Pousada Amagali – Galinhos.
2 – https://vaiviajaristepo.com/2017/08/17/brasil-rn-de-galinhos-a-sao-miguel-do-gostoso-beirando-o-mar/

 

ROSA CRISTAL modera.

6 opiniões sobre “BRASIL, RN: Galinhos – Paraíso Que Não Se Define – Sente-se.”

  1. Amiga, estive em Galinhos também em 2011 (pena que só um dia todo) e com esse brilhante relato cheguei à conclusão de que não conheci 10% do local e da experiência! Agora deu vontade de voltar! Obrigado e parabéns, como sempre!

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    1. Olá, Rodrigooo!
      Pois é, amigo… que pena!… Muitas pessoas fazem esse passeio, mas não compensa. Inda bem que você está me ajudando (como sempre) com sua experiência.
      Realmente, é muito esforço por nada. Galinhos merece atenção especial.
      Estou começando a escrever a respeito da pousada onde permanecemos por 3 noites. É excelente!
      Abraços da amiga Marilia.

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