BRASIL, Rio de Janeiro, RJ: Aeroporto, Shopping e Hotel de Primeira, Tudo No Mesmo Lugar.


FOTO EM DESTAQUE: Morro Cara de Cão (à esquerda da foto) e Morro da Urca, com destaque para a pedra do Pão de Açúcar.

A postagem reporta-se ao dia em que resolvemos ir de táxi até ao Aeroporto Santos Dumont para pegarmos o VLT e saltarmos na Praça Mauá.

Queríamos ver como havia ficado a remodelação desta parte da cidade & adjacências; e como fazia séculos que não íamos para aqueles lados do Centro do Rio, decidimos fazer turismo caseiro e matar esses coelhos com uma só cajadada.
Nosso objetivo principal era conhecer o MARMuseu de Arte do Rio – e o Museu do Amanhã; o VLT (Veículo Leve (Lentíssimo) sobre Trilhos) entrou na história por mera curiosidade: queríamos saber se funcionava tal qual os semelhantes europeus. O modelo me pareceu ser idêntico – mero detalhe que não leva à absolutamente nada -, porém em nada se parece com seus semelhantes estrangeiros no quesito tempo de deslocamento. Nesta questão o trem carioca foi uma grande decepção e, isto sim, me incomodou.

SURPRESAS

Saltamos bem em frente a uma das entradas do setor de embarque do aeroporto, e nos deparamos com uma parede de guarda-volumes na calçada – um espanto.
Aonde, eu teria coragem de guardar alguma coisa em armários colocados na rua? Fiquei boquiaberta…
Mesmo que me garantissem segurança, minha ousadia não chegaria a tanto na época em que vivemos. Infelizmente, no Rio de Janeiro, cidade natal que amo apesar da violência, não dá prá confiar.

Em 1985, quando comecei a voar para o exterior, o esquema de viagem era totalmente diferente do que conheço agora.
Incontáveis vezes eu e os amigos deixávamos nossa bagagem mais pesada guardada em armários de estações de trem e só voltávamos para buscá-las quando fosse para pegar outro trem e seguir viagem. Cansamos de fazer isso.
Foi meu fiel escudeiro que me acordou daquela paradinha para apreciar a surpresa. Fechei a boca e seguimos em frente – estávamos em busca de água e café, além de bisbilhotagem.

Sem comentários.

Passamos pela porta giratória e dobramos a direita, onde, encostados em uma parede, vimos o segundo sinal de que algo havia mudado: embora modestamente,  lá estava a chamada para uma exposição de barcos no primeiro andar do setor de embarque do Santos Dumont. Não subimos;  seguimos “reto toda vida” –  como dizem os descendentes de estrangeiros que habitam Santa Catarina -, até que em determinado momento conseguimos sentir perfume de café e seguimos a pista.

Em doses quase homeopáticas fomos absorvendo as novidades pelo caminho – prova de que a água e o café já não eram tão importantes assim. Olha daqui, olha de lá, fomos nos surpreendendo com a remodelação que, inesperadamente, para nós já começava no aeroporto; aliás, no guarda-volumes na calçada. Estávamos surpresos com as novidades admiráveis de nossa cidade.

BOSSA NOVA

O shopping de nome original –  Bossa Nova Mall – está incorporado ao Prodigy Hotel Santos Dumont Airport no Centro do Rio, em lugar privilegiado! A idéia foi genial.
O centro de compras oferece marcas renomadas de roupas e acessórios, centro cultural, Cafés e restaurantes,  independentemente dos que fazem parte do hotel e de cujas varandas, na cobertura, se descortina uma das vistas mais bonitas do Rio. Sem querer fazer trocadilho, uma bela sacada.

O Centro Cultural do Bossa Nova Mall, no andar térreo.

Nem vou ficar aqui de blá, blá, blá, porque as fotos lhe mostrarão as vantagens desse contexto. Ah! Antes que me esqueça: some-se a este cenário cinematográfico uma piscina que você poderá curtir no Verão carioca.

Em primeiro plano, a Marina da Glória. À esquerda, escombros do prédio do Hotel Glória (o quadrado branco). À direita, o Corcovado.
Ainda uma parte da Marina da Glória à esquerda, e Passeio Público à direita. A torre onde se vê um relógio, faz parte do prédio  antigamente ocupado pela famosa e saudosa Mesbla – loja de departamentos finíssima!, da época em que o Rio era, literalmente, uma cidade maravilhosa.
Sala de espera do hotel, em frente à varanda onde estão os restaurantes. Na parede, monitores anunciam chegadas e partidas de voos – item indispensável, claro.
Da piscina e da varanda dos restaurantes vê-se 180º de pura beleza.

Pão de Açúcar e a chegada de um voo refletidos no vidro de um dos restaurantes.
O N6 estava em obras quando lá estivemos.

Após o reconhecimento do terreno rumamos para outro alvo: o VLT, pronto para partir de um dos pontos extremos, localizado em frente ao terminal de embarque do Aeroporto Santos Dumont.

Sistema de transporte recém inaugurado,  estava limpo e organizado. As pequenas máquinas presas nos balaústres servem para o passageiro compostar o bilhete: basta introduzí-lo na abertura e retirá-lo após a máquina marcar dia e hora da viagem. Caso o passageiro seja pego sem compostar seu bilhete, pagará multa. Particularmente, não acredito que essa penalidade funcione.

OPERAÇÃO TARTARUGA:

Para começar, a letra “L” de VLT poderia, perfeitamente, significar Lentíssimo .  Haja paciência. Beneditina! Além de o veículo ser lento, e parar em vários!!! pontos, consideremos os sinais de trânsito, o povo, e outros veículos que atravessam na frente do bonde. Do Aeroporto Santos Dumond à Praça Mauá foi uma eternidade… Honestamente? Caso você esteja fazendo turismo pelo Centro do Rio, aconselho-o a transitar pela Lesma (outra letra L).
Você terá tempo de sobra para ajeitar sua máquina fotográfica – que por motivos óbvios nem precisa ser dotada de grandes recursos de velocidade -, seu celular, ou sua filmadora. Garanto que haverá tempo suficiente para você ver se a foto não ficou lá essas coisas e clicá-la novamente. Vai dar tempo para tudo isso, não se preocupe. As janelas são panorâmicas e, na melhor das hipóteses, você poderá trabalhar em suas fotos confortavelmente sentado.

Logo na altura do Teatro Municipal bateu uma vontade forte de saltar e caminhar até à Praça Mauá, mas fui contida por meu escudeiro; tenho certeza de que a pé teria chegado mais rápido.  A viagem é irritante! Nessa, não caio novamente. Mais informações  a respeito de intervalos entre os trens, custo de passagens, onde comprar bilhetes etc., clique aqui. Abaixo, segue o mapa das linhas do VLT:

Parte da Avenida Rio Branco, totalmente remodelada para receber o tráfego dos bondes.

Para quem antigamente (décadas de 40, 50 e 60) usava o bonde como principal meio de transporte e o achava lento, jamais poderia imaginar que o bonde puxado a burro em 1859, seria bem mais veloz que o “tramway” lançado recentemente.
Quer saber mais sobre os bondes no Rio de Janeiro? Clique aqui

Finalmente, conseguimos chegar à Praça Mauá. Que alívio! À Direita, o Comando do Primeiro Distrito Naval.

Acima, o edifício de 22 andares (erguido entre 1927 e 29) onde funcionava a gráfica de um jornal chamado A NOITE.
Apesar de ocupar o prédio apenas até 1937,  o vespertino acabou emprestando seu nome ao arranha-céu, conhecido como edifício A NOITE até hoje.

Além do jornal, um dos últimos andares foi ocupado pela Rádio Nacional, emissora famosa por suas radionovelas e programas de auditório a que tantas vezes compareci em companhia de minha avó – macaca de auditório não assumida.

LEMBRANÇAS DO EDIFÍCIO A NOITE (MAIS PRECISAMENTE, DA RÁDIO NACIONAL).

Minha avó, fã incondicional de Emilinha Borba, vira e mexe assistia ao Programa César de Alencar do auditório; e eu, bem pequena, era sua companhia.
Lembro-me de uma vez em que ela foi cercar Miloca nos bastidores do programa a fim de que “eu” beijasse Emilinha Borba. A insistência foi tanta, que não houve jeito e acabei, encabuladíssima, beijando a artista. Na verdade, era de minha avó a vontade de beijá-la!… Mas, para não dar aquela pinta de macaca de auditório, ela me forçou a esse ato involuntário de carinho, quase me empurrando em direção à cantora. Boas lembranças.
Dona Carmem ouvia rádio o dia inteiro! Gostava de cinema (adorava uma chanchada) e teatro, principalmente de revista.
Animadíssima, não se limitava em assistir aos programas de auditório  da Rádio Nacional. Lembro perfeitamente de tê-la acompanhado uma vez à Rádio Mayrink Veiga  para ver o Programa Trem da Alegria, na época comandado por Lamartine Babo, Yara Sales e Heber de Bôscoli – outro sucesso radiofônico.

Na PRAÇA MAUÁ
ficava a antiga rodoviária interestadual, muitos bares e boites de gosto duvidoso. Permanecem: o Terminal Marítimo de Passageiros do Touring Club do Brasil, o Departamento de Policia Federal, antigamente ocupado pela Imprensa Nacional, o prédio A Noite, o Comando do Primeiro Distrito Naval, os dois edifícios que aparecem na foto abaixo citados no próximo parágrafo e … o Museu do Amanhã,  monumento erguido em local privilegiadíssimo.

O MAR funciona em dois prédios de arquiteturas distintas, interligados pelo térreo – onde funcionam uma loja, um restaurante, banheiros, guarda-volumes e recepção -, por uma passarela, e por uma cobertura em forma de onda.

A reforma e restauração dos prédios ficou a cargo do escritório carioca de arquitetura Bernardes + Jacobsen. Inegavelmente, a grande onda que une os dois edifícios nos remete ao traço de Oscar Niemeyer, apaixonado por curvas.
Certa vez assisti a uma entrevista do arquiteto, na qual revelou sua preferência pelas linhas curvas, “mais fáceis de serem construídas”, segundo ele. Além do mais, linhas curvas o remetiam ao corpo feminino…

O edifício da esquerda, envidraçado, foi projetado para abrigar a rodoviária. Mais tarde funcionou como Hospital da Polícia Civil e, atualmente, rebatizado como MAR – Museu de Arte do Rio -, hospeda exposições temporárias de arte.

No prédio da direita, o Palácio Dom João VI, funcionou a Inspetoria dos Portos. Sua construção teve início em 1910.

Escultura do arquiteto Santiago Calatrava – o Museu do Amanhã. Divinos.
Antigo prédio da Imprensa Nacional, inaugurado em 1940.
O visual da atual Avenida Rodrigues Alves após a retirada do elevado.

Visitamos o Museu do Amanhã, mas não valeu: era terça-feira, dia de entrada grátis, de receber profissionais ligados à mídia, e em que vários colégios levam seus alunos para conhecê-lo. Foi tão tumultuado que não foi possível entrar em algumas salas.
Voltaremos, claro, e aproveitaremos para conhecer o painel do Cais do Porto e ainda o AquaRio.

Veja também:

1- Restaurante Mauá
2 – MAR – Museu de Arte do Rio

ROSA CRISTAL comenta

 

4 comentários em “BRASIL, Rio de Janeiro, RJ: Aeroporto, Shopping e Hotel de Primeira, Tudo No Mesmo Lugar.”

  1. Amiga, que experiência boa e completa! Como sempre a sua técnica de redação nos coloca como protagonistas desse seu passeio! Até dentro de nossa cidade nós viajamos, tudo depende do estado de nossa alma… No Rio mais ainda! Já guardei o seu roteiro porque minha próxima ida ao Rio será para visitar justamente esses locais revitalizados.

    Grande abraço!

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    1. Olá, Rodrigo! Agradeço por suas palavras, sempre tão incentivadoras. Você, constantemente me impulsionando. Muito obrigada!…
      Hoje vou começar a escrever a respeito do Restaurante Mauá e do MAR – Museu de Arte do Rio que, por sinal, não me empolgou. Agora o Museu do Amanhã… chorei no final da visita! Fiquei emocionada demais pela proposta. Estamos programando nova visita, mas o calor está demais. Ainda não chegamos ao Verão e hoje vai bater 38º no termômetro.
      Para determinadas informações prefiro citar o link para não ser repetitiva.
      Quando estiver por aqui, por obséquio, avise-me. Terei imensa satisfação em recebê-lo em minha cidade.
      Abraços, amigo e mais uma vez meu agradecimento.
      Marilia.

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