BRASIL, Maranhão – Alcântara.


FOTO em DESTAQUE: parte da Praça da Matriz.


Caso você tenha a oportunidade de viajar para São Luiz , programe-se para atravessar a Baía de São Marcos e conhecer o que ainda resta de parte do Brasil que nasceu no Século XVII e que insiste em se manter de pé apesar do abandono – Alcântara.
A localidade lançada a sua própria sorte, que poderia ser atração turística das mais estreladas por conta de seu riquíssimo patrimônio cultural, tem seu nome mais ligado à lançamentos, é verdade, mas de foguetes espaciais, a cuja área não se tem acesso ( ah… esse fantástico idioma português).
Mas…, se levarmos em consideração o que vimos na capital São Luiz, Alcântara estava em melhor estado de conservação quando lá estivemos em agosto de 2010.

Apesar do estado entristecedor em que se encontram essas relíquias, uma visita às duas localidades vale a viagem, e por isso seguem algumas informações a respeito da travessia para Alcântara.

FALSOS GUIAS!
Interessante começar a postagem alertando-o para um golpe praticado no Cais da Praia Grande por FALSOS GUIAS. 
Fomos cercados por um rapaz que se dizia guia em Alcântara e que nos mostraria a cidade por X, Y, Z reais. Achamos o preço muito caro e desistimos. Este jovem viajou no mesmo catamarã em que estávamos, e ao desembarcar saiu em desabalada corrida.
Achamos  estranho. Mais tarde, enquanto almoçávamos, comentamos o fato. Um senhor que estava sentado próximo aos cinco barulhentos – nós -, ouviu os comentários e nos alertou para o seguinte: não são guias coisíssima alguma! Tomem cuidado! São golpistas que cobram pelo serviço de guia no cais de São Luiz, e ao chegarem à Alcântara saem correndo com o dinheiro recebido antecipadamente.
Portanto, já sabem!…

E já que estamos falando no assunto, contratar um guia oficial para ficar a seu lado na cidade, é boa pedida. Este serviço você poderá agendar com antecipação, ligando para um dos números anotados no final da postagem.

CONTATO DE GUIAS OFICIAIS:
Para contatá-los basta clicar aqui e escolher o professor que lhe contará, in loco e em pormenores, toda a História de Alcântara.
Neste mesmo link você obterá informações a respeito de endereços e telefones úteis, restaurantes, pousadas e seus regulamentos, fotos da cidade e mais algumas coisas.

DE ONDE PARTIR?
A opção mais comum é embarcar em catamarãs e barcos que partem do CAIS da PRAIA GRANDE, na Av. Sen. Vitorino Freire, S/N – Rampa Campos Melo, São Luís. Entretanto, há opções mais vantajosas tais quais ferry-boat ou transporte terrestre, sendo que, nestas duas opções, segurança e conforto são muito melhores, mas…, levam mais tempo. E ainda: os embarques não são no Cais da Praia Grande e a chegada não é no Porto do Jacaré, em Alcântara.

Terminal da Praia Grande na mare baixa

FOTO de EMILIANO HOMRICH obtida na internet, intitulada TERMINAL DA PRAIA GRANDE NA MARÉ BAIXA.

ATENÇÃO: Importantíssimo consultar os horários de saídas dos barcos deste cais porque, nas marés baixas, o fundo da baía fica à mostra. Por isso os horários das poucas embarcações  que operam nessa travessia, dependem das tábuas das marés.

INFORMAÇÕES PRECISAS de horários de embarcações e transportes terrestres consultem um site excelente clicando aqui.

O CAIS DA PRAIA GRANDE
é simples: trata-se de uma marquise – que mal se vê à direita na foto – que abriga uma bilheteria. É só. Ah! O ponto de referência: bem em frente à Casa do Maranhão – um museu regional em um prédio neoclássico.  Ao lado do museu fica a pracinha que você vê na foto acima: a Praça da Fé.

HAJA CORAGEM!
Atravessamos a baía em aproximadamente 1.30 h em um catamarã sem-vergonha, de má aparência e visivelmente sem manutenção.
Meu irmão, dono de uma pequena lancha e habituado a lidar com o mar, ficou assustado com as condições precárias da embarcação e com a (im)potência do motor: menor do que a que colocou em sua humilde lancha com capacidade para apenas cinco passageiros.
Pedimos proteção aos céus e lá fomos nós. Coisa de turista sem juízo, convenhamos.

CONDIÇÕES DE NAVEGABILIDADE:
A embarcação vai lotada! O mar é agitado e por esse motivo algumas pessoas costumam ficar mareadas. Para suportar o balanço da embarcação é bom se prevenir contra enjoos.
Imagine a seguinte e corriqueira situação: você viaja colado no passageiro do lado, passa mal, e não há tempo suficiente para você se ajeitar e deletar no mar o que tem no estômago. Hein? Vai vomitar aonde, istepô? No pé do vizinho? Tudo indica que sim, porque nessa hora você procurará se livrar do mal-estar e deu. E como todos viajam encaixotados, poderá não haver espaço suficiente para você afastar os joelhos e vomitar. Portanto, nada melhor que se prevenir ou fazer a travessia em embarcação decente.

A FOTO MOSTRA O DESCONFORTO DA VIAGEM.

NOTA: Em 04/17 o governo maranhense prometeu melhorias no Cais da Praia Grande por intermédio da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB).
Leia mais a respeito da novidade (limpeza, sinalização, facilidade de acesso ao cais, fiscalização atenta e diária e aumento do número de embarcações) clicando aqui.


ALCÂNTARA
Sãos e salvos chegamos ao Porto do Jacaré, localizado na foz do Igarapé do Jacaré.
Imagens que tanto admirei em fotos de revistas e em quadros de pintores prestigiados agora estavam ali, em minha frente. Esperei muito para conhecer Alcântara, mas não do jeito corrido que foi.

Quem vê a cidade de Alcântara atualmente, não imagina que a antiga Tapuitapera de 1612, que foi palco de disputa entre franceses, portugueses e holandeses, conheceu longo período de abundância.
Alcântara só começou a progredir em 1648 quando passou à categoria de Vila, e graças aos engenhos de cana de açúçar e ao copioso número de escravos.

LADEIRA DO JACARÉ ( Rua Dr. Neto Guterres): pavimentada com triângulos em referência à Maçonaria. Acesso para o Centro da cidade.

Casarios dos Séculos XVIII e XIX testemunham a História de Alcântara.

Azulejos portugueses se mantêm firmes na fachada desta casa da Ladeira do Jacaré.

Na foto abaixo vemos o alto da íngreme Ladeira do Jacarérua Dr. Neto Guterres -, onde está a Praça das Mercês.

Na mesma época em que surgiram os engenhos (1648) começaram as obras do Convento Nossa Senhora dos Remédios que mais tarde passou à invocação de Nossa Senhora das Mercês.
Esse convento de grandes proporções manteve-se de pé do Século XVII (1656) até o XVIII, período em que foi desativado parcialmente em função da decadência comercial de Alcântara.
A Vila havia prosperado sob todos os aspectos, tornando-se o maior centro produtor da província.
Eram muitas as famílias de colonos portugueses de origem nobre que se fixaram nestas terras por longos anos.
Seus filhos eram enviados à Coimbra com o objetivo de lapidarem a educação básica oferecida pela cidade – hábito que durou por longos anos -, até que Olinda lhes furtou esse destino.

Da obra que sabemos ter sido grandiosa – o Convento das Mercês – apenas a capela permanece de pé (e fechada) no centro da Praça.

MEDICAMENTO EFICAZ e SEM CONTRA-INDICAÇÕES:

Agorinha mesmo comentei com meu fiel escudeiro que pretendo volta à Alcântara para me automedicar por um dia inteiro com esse infalível remédio natural anti-estressante.
A tranquilidade reinante na cidade contamina. Preciso, necessito desse contágio! Preciso reaprender a andar com a mesma tranquilidade das poucas pessoas com quem cruzamos nas ruas. Careço do barulho do silêncio…
Não posso garantir, claro, mas me pareceu que Alcântara e seus habitantes vivem uma espécie de simbiose. Será que alguém naquela cidade sabe o que significa stress? Quero crer que não. Cidade x habitantes fazem bem um ao outro. Não fosse assim, Alcântara serviria apenas para a Aeronáutica.

O QUE FAZER em ALCÂNTARA?
Autores de blogues e sites de viagens sugerem passeios de apenas um dia pela cidade.
Ao contrário, penso que a antiga Vila merece atenção maior.  Caminhar por suas ruas e acompanhar o ritmo devagar-quase-parando do luga,r trata-se de medicamento homeopático cuja posologia deve ser cumprida à risca: entre no compasso e deixe-se levar para aonde seu coração mandar.

TEMPERATURA:
O calor do mês de agosto era intenso, mas mesmo assim foi possível aproveitar bons momentos. E lhes digo: aproveitaríamos muito mais não fosse a notícia de que um ferry-boat (da Aeronáutica, segundo a criançada que espalhou a notícia) partiria às 14.30 h do Cais do Jacaré! Não poderíamos perdê-lo! Caso contrário teríamos que voltar de catamarã e rezar muito durante a viagem.

Corremos para o restaurante Cantaria – excelente em tudo: comida fresca, saborosa, bom atendimento, localização espetacular – e pedimos para o jovem que nos atendeu para providenciar o que fosse mais rápido para comermos, por conta do horário do ferry.

Na IDA PARA ALCÂNTARA
o catamarã estava visivelmente com lotação acima do permitido. Além disso a embarcação estava mal conservada, não havia salva-vidas visíveis e balançava muito. Por conta disso não queríamos perder aquele “navio” que repentinamente surgiu que nem uma aparição no minúsculo Porto do Jacaré.

A VOLTA PARA SÃO LUIZ 
foi bem diferente de nossa ida para Alcântara: uma tranquilidade só.
Na foto, meu fiel escudeiro e uma amiga ilustram o momento e não me deixam mentir. A maioria dos passageiros estava no mesmo barco – em duplo sentido.

TODA ATENÇÃO é POUCA na ESCOLHA DAS EMBARCAÇÕES!
Justamente no trapiche desestruturado em que penso que desembarcamos (Espigão da Ponta d’Areia), aconteceu um naufrágio alguns anos mais tarde. Motivo: excesso de passageiros.
Atualmente não embarcaria naquela coisa de jeito nenhum! e por isso sugiro planejar bem essa travessia: juízo e água benta, já dizia minha avó, não fazem mal a ninguém.

FOTO CLICADA MINUTOS ANTES DE O FERRY BOAT ENCOSTAR NO TAL TRAPICHE. OU ERA UMA RAMPA? NÃO ME LEMBRO MAIS.

 

O QUE HÁ PARA VER em ALCÂNTARA

Além do que já foi dito, a Vila que passou à Comarca em 1935 – teve como primeiro Promotor o notável jurista Clóvis Beviláqua -, e que no ano seguinte foi elevada à categoria de cidade, oferece muita coisa para ver (para aqueles que viajam como u’a mala), e para ver e ensinar (pessoas que viajam com objetivos culturais).

1- A CAPELA de N. S. do DESTERRO,
construída no século XVII, próxima ao restaurante Cantaria, na rua Pequena, está situada no ponto mais alto da cidade. De lá se vislumbra bela vista.
Nesta capela, segundo nosso jovem guia turístico, há apenas 3 imagens: Bom Jesus da Coluna, N. S. dos Navegantes e N. S. do Desterro. Todas barrocas.
O campanário fica do lado de fora da capela. Segundo a cultura local, qualquer desejo encaminhado à N. S. do Desterro, desde que acompanhado do toque nesses sinos, é alcançado sem demora.

Paisagens vistas do campanário da Capela de N. S. do Desterro: Ilha do Livramento e Baía de São Marcos.

À direita, o que restou do grandioso e respeitável Convento das Mercês: a Capela.

2- A FONTE das PEDRAS, na mesma rua Pequena (a rua da Capela citada acima). Não chegamos a ir até lá.

RUA PEQUENA.

3- NA PRAÇA DA MATRIZ: 

3. 1– Nesta praça encontramos algumas atrações: as ruínas da Igreja do Apóstolo São Matias. 
A aldeia de Tapuitapera foi elevada à categoria de Vila de Alcântara sob a invocação de São Matias.

3.2 – O PELOURINHO, erguido em 1648 quando a aldeia foi elevada à categoria de Vila e passou a chamar-se Alcântara.
Foi justamente a partir desta época que a cidade conheceu o progresso para o qual muito contribuíram os escravos, comercializados por poderosos e ricos Barões. Pelourinhos me remetem a muito sofrimento, à opressão, à injustiças, à sangue de feridas abertas por chicotadas. Seres humanos tratados como se objetos fossem…

3.3 – CASA da CÂMARA e ANTIGA CADEIA onde hoje funciona a Prefeitura. Foi a penitenciária do Estado.

3.4 – MUSEU CASA HISTÓRICA de ALCÂNTARA abriga 958 peças pertencentes ao período compreendido entre os séculos XVIII a início do XX.
Veja pormenores a respeito do museu (casarão amarelo à direita da foto abaixo) clicando aqui.
Museu Casa Histórica de Alcântara  funciona ao público: de terça a sexta das 9:30 ás 16:30 h. Sábado, domingo e feriados das 9:30 às 14:30 h.
Endereço: Praça Gomes de Castro (Matriz), nº 7 –  Centro
Cidade: Alcântara – MA / CEP.: 65.250-000
Telefone: (98) 3337-1515 / E-mailmcha@museus.gov.br

3.5- MUSEU HISTÓRICO de ALCÂNTARA:
Praça Gomes de Castro (Praça da Matriz) em Alcântara-MA
Telefones – Direção: (98) 3218-9920 | Portaria: (98) 3218-9921

Horário de Visitação: Terça a Sexta: 09:00 h ás 15:00 h / Sábado e Domingo: 09:00 h ás 13:00 h.
Taxa de Visitação:R$ 2,00
Contato para agendamento: (98) 8865-0215
Informações pormenorizadas a respeito do museu clique aqui.

4- FAROL SÃO SEBASTIÃO.

5-  RUAS que merecem uma visita. Por terem sido os locais preferidos pelas famílias mais abastadas, alguns casarões ainda figuram como atração da cidade.
Essas ruas circundam a Praça da Matriz ou estão muito próximas a ela: rua da Amargura e rua Grande são exemplosNo final desta encontra-se a Igreja de N. S. do Carmo, cujo interior é valorizado pelo Barroco.
Outra rua  merece visita: a Miritua – bastante movimentada devido ao farto comércio, onde também podemos apreciar casarões bem conservados, revestidos de azulejos portugueses em bom estado.

CASAS SIMPLES da RUA GRANDE.

FOTO DE UM DOS CASARÕES DA RUA GRANDE OBTIDA NO GOOGLE EARTH.

DETALHE DOS AZULEJOS DA FACHADA DO CASARÃO DA FOTO ACIMA.

6- RUÍNAS: do PALÁCIO REAL de ALCÂNTARA, da IGREJA de SÃO FRANCISCO, da CASA do IMPERADOR Dom Pedro II- que prometeu visitar Alcântara e nunca apareceu -, e do FORTE de SÃO SEBASTIÃO, do qual restam apenas vestígios.

7- RUÍNAS da residência do iminente jurista Clóvis Beviláqua, primeiro promotor da Comarca de Alcântara – assim denominada em 1835 (foto abaixo). Lastimável!

Tomamos conhecimento dessas atrações, por intermédio do pequeno guia que nos acompanhou durante todo o percurso e até nossa volta ao Cais do Jacaré. Enquanto caminhávamos, o pequeno nos transmitia seus conhecimentos: tudo devidamente gravado no celular.

8- IGREJA de N. S. do ROSÁRIO DOS PRETOS.

9- CASA de CULTURA AEROESPACIAL. Diariamente de 10.00 h às 15.00 h. Entrada gratuita.

Por isso, repito: passeio de apenas um dia é bobagem. Permaneça na cidade a fim de apreciá-la como deve.


BANCOS que operam em Alcântara:

1- BANCO DO BRASIL  – Agência Alcântara, 4729.
End: rua Grande, s/n – Centro Histórico.
Telefone: 98- 33371202 / Fax: 98- 33371443
Horário de atendimento: de segunda à sexta-feira das 09:00 h às        12:00 h
E-mail: age4729@bb.com.br

2- BANCO BRADESCO S.A. – Alcântara, MA (1982)
End.: rua Luis domingues, s/n.
CENTRO. CEP: 65250-000


MOEDA PRÓPRIA – O Guará.
Isso mesmo: Alcântara inaugurou o primeiro banco comunitário quilombola no país. Leia a notícia clicando aqui e aqui.


SÃO LUIZ

Em São Luiz é condenável o estado crítico em que encontramos valorosos conjuntos arquitetônicos dos séculos XVIII e XIX.
Aproximadamente 4 mil imóveis contam o período colonial português no Centro de São Luiz do Maranhão, e muitos deles  transformaram-se em ruínas sem qualquer referência. Dói testemunhar tanto descaso no norte do país, enquanto Minas Gerais, Pernambuco, Goiás, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina, apenas a titulo de exemplo, têm procurado preservar seus casarões centenários (há exceções como em toda regra).

*****

 

 

 

 

 

2 comentários em “BRASIL, Maranhão – Alcântara.”

    1. Rosinha, amiga querida: uma pena! ver um patrimônio desses sendo demolido pelo tempo.
      Por onde a pessoa passa há ruínas. Imaginei todas aquelas construções ainda em pé e conservadas. Nossa! E as mansões que os ricaços inimigos construíram na esperança de hospedar D. Pedro II, que nunca deu as caras na cidade, ainda estivessem de pé? Rosa, não fomos, não somos e nem seremos os únicos no mundo a destruir a História. As guerras…, o descaso…, infelizmente, estão incluídos nestes contextos. Bjks e obrigada.

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