FRANÇA. Paris: La Grille Montorgueil.


FOTO em DESTAQUE: Arco da Rue des Petits Carreaux.

O arco na esquina da Rue des Petits Carreaux  com Rue Réaumur já avisa: Marché Montorgueil.
Ele marca o início da rua de pedestre que abrange a Montorgueil.
Como ambas mantêm o mesmo padrão visual  (mesmo tipo de comércio, prédios de época e pavimentação), parece ser uma única rua.
A partir da Saint Sauveur começa a Montorgueil, que segue até à Turbigo. Desta esquina você logo avista duas atrações: a Igreja de Saint Eustache e Les Halles – papo prá outra conversa.

Eu e meu fiel escudeiro tínhamos endereço certo para almoçar naquele dia: o L’Escargot Montorgueil, fundado em 1832, lendário restaurante especializado nesses bichinhos deliciosos.
Aconteceu que o encontramos fechado e não entendemos nada.
O restaurante anunciava abertura em todos os dias da semana no horário de 12.00 h às 23.00 h e passava das 14.00 h.
Estômago vazio já doendo nas costas, começamos a percorrer a rua e paramos no La Grille Montorgueil – finalmente, um oásis! Mas, não foi bem assim.
Ao vivo e em cores, não era charmoso como aparece no site. Era meio assim, meio (p)assado; fim de festa. A primeira impressão foi boa, mas aos poucos certos detalhes foram ficando visíveis e pudemos observar que a limpeza e a decoração mereciam um bom trato. Mas isso não passava de mero detalhe naquela hora: o que importava era alimentar o estômago que a essa altura do campeonato não roncava mais: havia despertado e estava irado!
O cardápio era bem variado, mas já passava da hora (?) e por isso nos ofereceram a opção mais rápida: a sugestão do dia – massa.
Os pratos que nos serviram era do tipo “irmãos caminhoneiro”, como diz meu mano.
Pela porção que nos foi servida devíamos estar com cara de fome – só pode. E ainda vou mais longe: considerando o panorama gastronômico parisiense, que é de pouca comida no prato, considerei um milagre.
Óóóiii…, no final do almoço só não adotamos o costume francês de limpar o prato com um pedaço de pão porque não sobrou na-da!
Meu pai tinha razão quando dizia que o melhor tempero do mundo é a fome. Sábias palavras.

INTERIOR:
Encontramos um ambiente meio enviesado, mas observado com calma é muito interessante: mistura o rústico e o moderno com detalhes de época. Estofados em couro vermelho convidam-no ao aconchego e foi em um desses que nos aboletamos para aguardar o que mais nos importava naquele instante: o cardápio.

Uma ida ao banheiro no andar de baixo me fez descobrir que o restaurante não se resumia apenas ao andar térreo.
No subsolo o espaço é muito agradável: uma cave lhe confere um ar intimista, especial para uma jantar a dois, uma comemoração discreta ou um início de romance. Achei-o bem interessante.

“QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO”,
já diz o velho ditado. E quem vê foto não sabe se a imagem corresponde à realidade.

Foi o que aconteceu ao darmos aquela olhadela da porta. Ôba! Parece bom.
Esse lance de fotos de anúncios são esparrelas muito bem articuladas das quais não temos como escapar. É contar com a sorte, não tem jeito.
Onde encontramos muitas fotos enganosas é em sites de reservas de hotéis e assemelhados.
Já peguei cada espelunca por conta de lindas fotos, que vou te contar…
Certa vez me alojaram num quarto – um hotel em Santiago do Chile –, que fiquei revoltada!
Peguei minhas tralhas, fui à recepção e ameacei dormir ali mesmo, no sofá do salão de entrada, caso não me colocassem em um quarto decente. Acho que já contei essa história aqui no blog.

UM POUQUINHO DA RUE MONTORGUEIL
Essa rua é conhecida até por quem nunca foi a Paris.
Havia um restaurante em Botafogo, aqui no Rio, que servia escargot. Eu e MFE (Meu Fiel Escudeiro) éramos assíduos na casa e acabamos fazendo amizade com o gerente/sócio.
Em uma das vezes que lhe dissemos que iríamos a Paris, ele logo perguntou se iríamos comer escargot na Montorgueil.
Não viajava, mas sabia que na rua X da cidade Y, fosse onde fosse, serviam um escargozinho digno de nota. O restaurante acabou. Chorei baldes!.

PARIS – rue Montorgueil.

Nesta rua você encontra “de um tudo” e nesse tudo está o L’Escargot – onde batemos com o nariz na porta.
Em meio a boutiques, restaurantes, bombonières, Cafés, Bancos… está uma peixaria maravilhosa (foto) que não exala odor de peixe.
Não sei qual o segredo que os europeus usam para solucionar esse problema. Verdade seja dita, o fedor que anuncia a existência de uma peixaria há quilômetros de distância acho que só acontece no Brasil.
Já passei pela porta de diversas peixarias em algumas cidades do exterior e não senti nenhum mau cheiro.
Em Rouen há um mercado com uma peixaria fantástica. Fomos lá para bisbilhotar e não sentimos nenhum odor característico de pescados.
Em Copacabana há uma peixaria no Supermercado Zona Sul (esquina de Bolivar com N.S. de Copacabana) que só entro em caso de extrema necessidade e mesmo assim tapo o nariz e aguento o quanto posso. O fedor de peixe sente-se ao longe! O caso é gravíssimo porque expõe público e funcionários a um mau cheiro insuportável. Já reclamei até com a Vigilância Sanitária, mas não acontece absolutamente nada. Cheira à amônia! É um horror!

O PALÁCIO DAS FRUTAS – COMO FUNCIONA.
Essa frutaria é sensacional. Primeiro, o cliente não pode tocar em nenhuma mercadoria. Basta apontar para alguma(s) fruta(s) que gostará de levar para casa e dizer a quantidade. Só isso já basta para  o atendente que não está aí e nem vai chegando prá ninguém,…

… passar a mão na(s) fruta(s) que você pediu, colocá-la(s) dentro de um saco de papel (com a rapidez de quem furta) e entregá-lo para a mocinha do caixa. Ato contínuo, esta senhora o coloca em uma balança/caixa registradora.
Automaticamente, a engenhoca digital mostra peso e preço a pagar. Com aquela cara indisfarçável de bobo fomos orientados para depositar o dinheiro em uma abertura existente nessa máquina. Daí percebemos que notas e moedas têm aberturas próprias.
Como pagamos valor a maior, por pouquíssimos segundos ficou aquela pergunta no ar: quem nos entregaria o troco? A máquina ou a mocinha do caixa? Foi a engenhoca. Sabia tudo, a danada.
Quem lida com as mercadorias não manipula dinheiro.
Fan-tas-ti-que!
É nessas horas que me sinto uma caipira, assumida, que “mora em um país tropical abençoado por Deus…” Sentiu?

A NOVIDADE MAIS RECENTE EM MATÉRIA DE INFORMATIZAÇÃO:
Paris, por exemplo, já adotou o auto check-in + despacho de malas em seus aeroportos. Não se trata de utilização de totens!…
Ontem mesmo estive conversando com meu cardiologista a respeito do assunto.
Ele chegou ao Charles-de-Gaule em maio último para voar para o Brasil. No balcão não viu ninguém para fazer seu check-in e muito menos para explicar como funcionava o tal autoatendimento.
Ficou nervosíssimo não só por ignorar a novidade, mas por testemunhar vários passageiros com seus passaportes nas mãos, disputando a atenção de apenas uma! funcionária que se propôs a ajudá-los. E o relógio avisando que o embarque estava próximo…
Segundo seu relato era gente que não acabava mais em torno da tal senhora para saber como obter o cartão de embarque e ainda despachar malas.
Após muito esperar e ainda passar por esse sufoco, teve que sair correndo para embarcar.
Entrou na esteira já esbaforido e correu como quem participa de u’a maratona; à distancia seu filho acenava sem parar, mas ele e sua mulher não entendiam lhufas e continuavam a correr. Só entenderam no final da esteira, quando quase caíram no chão: eles estavam correndo horrores na esteira errada! Estava nadando contra a maré!
Não a-cre-di-tei. Nem que meu queridíssimo médico – que já conta com centenas de horas de voo – estivesse estreando o passaporte, seria aceitável.
Já vi esse mico algumas vezes em vídeos na internet, mas pensava ser armação. Agora sei que é possível acontecer.

SOLUÇÃO (?):
O negócio é chegar com bastante antecedência ao auto check-in e ficar observando como se comportam os calouros no assunto – é para evitar mico. Uma hora eles vão acertar… Com os erros alheios também se aprende; o negócio é ficar de olho e depois é partir para o ataque e ver como é que fica; não tem jeito.

Há situações bizarras que só acontecem com quem viaja e não adianta se prevenir.
Para quem ama o babado, continuo sugerindo:

Leia também: Le Cochon à L’Oreille e L’Escargot.

*****

 

4 comentários em “FRANÇA. Paris: La Grille Montorgueil.”

  1. Agradeço a dica! Já estive algumas vezes em Paris, mas não conhecia o Arco, nem a dita rua.
    Como sempre, texto impecável e divertido.
    Bjks!!!

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    1. Olá, Angela!
      Essa rua é um barato e fica bem perto daqueles lugares que já conhecemos, mas que nunca será demais revê-los. Você vai curtí-la.
      Na Montorgueil há uma loja de doces que também é bem conhecida, mas não cheguei a visitá-la.
      Bjks e muito obrigada por seu comentário.
      Da amiga, Marilia.

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