BRASIL . MINAS GERAIS . CANYONS DE CAPITÓLIO

IMAGEM DESTACADA – Navegação por um dos canais.

COMO CHEGAR
saindo do Rio de Janeiro via Petrópolis, Três Rios, Tiradentes….

A ORIGEM DO NOME
A história de Capitólio começa em 1800 quando, na localidade conhecida como “Mata do Rio Piumhi“, dois portugueses – Machado de Faria e Gonçalves de Morais – foram atraídos pelo potencial daquelas matas até então intocadas e iniciaram a exploração da terra. Após alguns anos investindo em agricultura, os primitivos moradores da mata e seus descendentes transformaram as matas do Rio Piumhi em fazendas produtivas, incentivando e aumentando o movimento e o comércio da região.

Em 1830 começaram a chegar os primeiros habitantes onde se desenvolveria a cidade: eram os irmãos Manoel Francisco, João Francisco e Antonio Francisco, considerados os verdadeiros fundadores da Capitólio de hoje.
Os 3 irmãos foram os responsáveis pela criação de um povoado nomeado “Arraial dos Franciscos” – também conhecido como “Arraial dos Cabeças” -; não somente por terem sido os “cabeças” (os líderes) do lugar, bem como eram homens de cabeças muito grandes.

Sessenta anos mais tarde, em 1893, chegou ao arraial um fazendeiro chamado Pedro Messias da Cunha, que instalou-se nas imediações. De grande poder aquisitivo, adquiriu terras de grandes proporções e, em 1985, doou uma parte  de sua propriedade aos moradores. Nessa região ele mesmo ergueu uma capela em homenagem a São Sebastião, que tornou-se o padroeiro da cidade.

A homenagem foi o suficiente para que o povoado passasse a se chamar “Arraial de São Sebastião dos Franciscos“, elevado à categoria de distrito em 07 de Setembro de 1923, através de uma lei que criou o Distrito de Capitólio. Essa lei desmembrou Capitólio de Piumhi, acrescentando-o ao de Guapé.

O Distrito de Capitólio foi elevado à categoria de Vila em 1939. Mas, somente em 27 de Dezembro de 1948 é que conseguiu sua independência político-administrativa, transformando-se em Município de Capitólio.

A CHACINA DOS CIGANOS
Capitólio também viveu uma história triste – a chacina dos ciganos ocorrida no Colégio Municipal – por conta de um grupo de ciganos que fazia muita arruaça na cidade vizinha, Piumhi.
Furtaram cavalos – além de outros tipos de animais -, fazendas, e foram se refugiar em Capitólio.
A polícia de Piumhi veio atrás e, em parceria com a polícia local, executaram os bandidos do grupo cigano. Desse pequeno grupo sobraram duas crianças, que foram adotadas por um padre.

CAPITÓLIO – ESCARPAS DO LAGO
passou a ser vista como atração turística desde que a Usina Hidrelétrica de Furnas “criou” o Lago de Furnas, que abrange uma área de 1.440 km² quando está no nível máximo.
Há registro da passagem de tropeiros e ciganos pela cidade; estes, chegavam a montar acampamento e eram em número expressivo.
Devido à fama conquistada pelos canyons, Capitólio tornou-se atração turística.
Não demorou a atrair endinheirados, que construíram um condomínio residencial de luxo em local privilegiado chamado Escarpas do Lago, que também se transformou em atração turística.
Os moradores dessas residências têm acesso à represa, o que resultou no aumento do tráfego de lanchas, barcos, jet skis e outras conduções náuticas. O movimento desses veículos pelos canais atinge cerca de 400 embarcações diárias.


Condomínio Escarpas do Lago.

A BARRAGEM
resultou do represamento do Rio Grande e seus afluentes.
O ponto mais profundo da represa chega a 90 metros. No total, o canyon conta com aproximadamente 150 cachoeiras.

Acima: cais de onde partem os catamarãs que navegam pelos canyons. 


Os primeiros aspectos do passeio. 


Nesta ocasião, segundo o comandante do Escarpa, o nível de água estava 10 m abaixo do nível considerado normal.


Neste ponto bifurcado, à direita, fica a cachoeira que se vê na foto abaixo.

Paredões de pedra São Tomé, também conhecida como Pedra Sabão, margeiam os canais.


Aqui, uma imagem de N. S. da Aparecida foi colocada sobre a pedra.
Mais adiante…

… uma do Cristo Redentor – bem pequena, à esquerda na metade da foto. Conseguiu ver?

A aproximação do catamarã neste ponto é pura diversão: o comandante, vagarosamente, vai aproximando a embarcação da pedra, a fim de que os passageiros que desejarem “sejam batizados”. A água desce com uma força incrível e extremamente gelada.
Nesse momento, na varanda da proa do catamarã “chove” torrencialmente.
Logo a seguir ele nos conduziu até a localidade chamada Cascatinha.

As margens são compostas por paredões de quartzito (ou pedra-sabão) que continuam intactas.
Segundo o comandante, a “única” intervenção no recurso hídrico deu-se pela construção da Hidrelétrica de Furnas.
Particularmente, achei muito interessante a referência à “única intervenção” …


Neste ponto o comandante fez outra parada para quem desejasse mergulhar, mas… ninguém se habilitou.


A praia formada no ponto de embarque é bem atraente. No Verão, o movimento é intenso na área.

A ÁREA ALAGADA
estende-se por 240 km pelo lado Leste (segue o curso do Rio Grande), e 170 km pelo Sul.
A responsável por esse alagamento que abrange 34 municípios foi a Usina Hidrelétrica de Furnas – orgulho para muitos, a despeito de 35 mil pessoas que foram obrigadas a perder suas terras cultiváveis em favor do “progresso“. Não só bens materiais ficaram submersos, mas também histórias de vida e muitas emoções.

Segundo o comandante que nos conduziu pelos canyons, sua família foi uma das prejudicadas pela faraônica obra.
O Lago foi inaugurado, se é que podemos dizer assim, em 1962, pelo Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
É formado pelos Rio Grande, Rio Verde, Rio Sapucaí, e mais centenas de afluentes.
O Mar de Minas é formado por água corrente que se renova em um espaço de 90 dias.


FOI A CURIOSIDADE
que me impeliu para Capitólio.  Não fui encantada pelas belezas mostradas em propaganda de empresas e revistas de turismo, mas calcada na realidade cantada por Sá e Guarabira em seus versos.
Milhares de famílias tiveram que deixar para trás todas as suas conquistas e quis ver isso de perto.
Os 34 municípios que servem de parâmetro para mostrar a grandiosidade da obra, na verdade foram os que ficaram parcialmente submersos com a construção da represa.
A exceção ficou por conta de uma cidade chamada Velha Barra, que foi totalmente submersa. A título de indenizar (?) os moradores que perderam suas propriedades, criaram a Nova Barra.

“Muitas pessoas se revoltaram e outras ficaram depressivas. A consequência social foi muito grande.
Depois de 50 anos é que estamos começando a explorar o Lago de Furnas” – disse o comandante. “Meus avós foram todos expulsos pela água”, completou. “Sou filho de pessoas que tiveram suas terras inundadas”.
Perguntei-lhe se essas pessoas foram indenizadas e ele respondeu o seguinte: “Muitas pessoas foram indenizadas. Brigas na Justiça duram até hoje e até agora não receberam nada. Alguns receberam um pouquinho, souberam aplicar o dinheiro e se deram até bem.”
Perguntei-lhe ainda se houve quem recebesse casas como indenização dessas perdas e ele me respondeu que a cidade que foi construída, a Nova Barra, foi em função dessas indenizações.
Navegar sobre o que um dia foi motivo de felicidade para muitos – a satisfação da aquisição da moradia, observar o terreno plantado, animais soltos no pasto para garantir o sustento da família, fazendas prósperas  – para mim foi motivo de tristeza. Não consigo separar o joio desse trigo…Para completar, a desgraça ocorrida recentemente em Brumadinho
À medida em que avançávamos pelo tão festejado Mar de Minas, o timoneiro descrevia determinados pontos por onde navegávamos.

O passeio é bonito. E como brasileiro não perde tempo, dá logo um jeito de se encostar (neste caso foi “se atracar”) em algum lugar onde possa servir uma cervejinha gelada, uma água, um refrigerante, um cafezinho, um mastiguete – aquele esquema que todos nós já estamos cansados de conhecer e que funciona na maioria das vezes.
Além do excelente serviço de bordo, há paradas em bares flutuantes em pontos estratégicos como esses mostrados nas fotos.


Houve duas paradas e uma delas foi neste “lounge” que oferece um espaço relaxante que é um luxo.


Imagine-se aboletado nestes sofás, bronzeando o corpitcho e tomando aquela cervejota gelada. Hein? Que te parece?


Eita vida difícil!…

O catamarã Escarpas, a cujo comandante agradeço pelo muito que contribuiu para enriquecer o assunto supra citado.
Agradecimentos também a nosso guia Paulo Repinaldo pelo mesmo motivo. Foi com suas informações que essa história começou. Guia simpático, bonito, educado, receptivo, inteligente, culto e, acima de tudo, de excelente humor. Obrigada, Paulinho!

SÁ, GUARABIRA e ZÉ RODRIX
conseguiram divulgar em seus versos o retrato, em altíssima definição, do panorama criado pela construção da barragem de Sobradinho, cuja lama provocou a morte de mais de 200 pessoas.

SOBRADINHO
Sá e Guarabira

O Homem chega, já desfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco, lá prá cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o sertão ia alagar

O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão

Adeu Remanso, Casa Nova, Santo-Sé
Adeu Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d’água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar

O sertão vai virar mar, …

Remanso, Casa Nova, Santo-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus…

CONTATO

 

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