Arquivo da categoria: IMPERDÍVEL!

Seleção de lugares que a autora definiu como especiais.

ARGENTINA: Novos Caminhos Pela Patagônia – Cerro Frias, em El Calafate.


FOTO EM DESTAQUE: Um Dos Pontos Mais Altos do Cerro.

Cá estou novamente neste país pelo qual sou apaixonada: a Argentina. Só que desta vez, apesar de ter revisitado alguns lugares, essas localidades tiveram gosto de festa – em companhia de familiares queridos, tudo fica mais animado.
O esquema saiu como o planejado. Nem chuva pegamos. Minto. Certa noite, quando voltávamos para o hotel após um jantar no La Posta, sentimos no rosto uns pingos de chuva geladiiinnnhos, mas que nem serviram para aumentarmos os passos. E nem adiantava: quem está na chuva é para se molhar, já diz o velho ditado. E quem deixaria de passear por conta de chuva e frio? Pegamos 02º em El Calafate e menos ainda no alto do Cerro Frias, nosso primeiro passeio pelas redondezas.

Mas, antes de qualquer comentário, gostaria de alertá-lo para o abacaxi que a empresa Brasileiros em Ushuaia nos fez descascar.


AINDA NO AEROPORTO
tivemos, de cara, a única surpresa desagradável do circuito: assim que entramos na van que nos levou ao hotel, o motorista entregou-me a programação a ser cumprida e o melhor dos passeios não estava relacionado: o Glaciar Gourmet.
Chegando ao hotel nem entrei no quarto. Pedi à recepcionista que me comunicasse com a Criollos Turismo – esse era o nome que constava nos vauchers -, e o funcionário brasileiro Marcelo confirmou que não estávamos incluídos no rol de passageiros. Como, se esse passeio e mais dois estavam pagos deste 26/10/2017?
Peguei minha gorda pasta de anotações, botei-a embaixo do braço e saí em campo. Lá fomos nós – eu, minha cunhada e meu escudeiro – atrás da agência Criollos.
Resumindo: na Brasileiros em Ushuaia digitaram equivocadamente o nome desta operadora, que tinha a ver parcialmente com a história.
Felizmente o funcionário de nome Matias – jovem educado, de boa vontade e ético – logo descobriu o erro. Não disse palavra a respeito do assunto; apenas pediu-nos que o acompanhasse e nos levou até sua vizinha, a empresa responsável pela pequena viagem que faríamos três dias depois.
Saímos da Marpatag com tudo acertado, é verdade, mas ainda sob efeitos do aborrecimento causado única e exclusivamente por falta de atenção do funcionário da Brasileiros em UshuaiaAh! E ainda a funcionária desta empresa, Sra. V… , a me escrever o seguinte: “Acredito que tenha sido erro de digitação no vaucher” – observação que me leva a crer que qualquer erro cometido é normal.
Mais tarde, a gerente desta empresa , Sra B…, que desdobrou-se em desculpas pelo transtorno, explicou em mensagem que o brasileiro Marcelo não poderia nos ter dito que não constávamos da lista de passageiros.
Ciente da parceria existente entre Marpatag e Criollos, ele deveria ter confirmado nosso programa e não o fez. Ou seja: erro nos vauchers da Brasileiros em Ushuaia, erro de parte do funcionário da Criollos. Erro prá todo lado que nos fez perder preciosos momentos de nossa estada em El Calafate.  Foram duas horas e meia na rua, literalmente, “correndo atrás”. Fica o alerta!

Esse esquema diferenciado de passeio – Glaciares Gourmet – que a empresa Brasileiros em Ushuaia oferece é bom. Certamente teria sido bem melhor se não o tivessem envolvido em tanto contratempo. Sofre mais o emocional dos passageiros que o físico. Foi desgastante demais e decepcionante.


Bom, agora que relatei a sucessão de descuidos envolvendo funcionários desatentos de duas! empresas que participaram diretamente em nossa viagem, posso contar e ilustrar nossa primeira saída pelos arredores de El Calafate: o Cerro Frias.
Marquei esse passeio na empresa causadora do citado embroglio sem o menor entusiasmo. A descrição confere com a realidade, mas não empolga; e por isso não levei fé.

Caso queira assistir a um resumo do que foi esse passeio inimaginável, clique aqui.


Às 9.30 h  a van nos pegou no hotel, e após  23 km de navegação pela RP 11 chegamos à entrada da Fazenda Alice, onde está a colina.

Havia feito muito frio durante a madrugada e por conta dessa baixa de temperatura os cumes de cerros e montanhas ficaram cobertos de neve, o que enriqueceu bastante a paisagem e nossa experiência.
Em 2016, eu e meu escudeiro estivemos nessa mesma época em El Calafate, mas pegamos temperaturas bem mais amenas. Desta vez enfrentamos 02 º no Centro da cidade.

Logo que chegamos, o gentil Sr. Tito foi nos receber ainda na perua e nos apresentou o restaurante onde mais tarde seríamos contemplados com um lauto almoço: churrasco de carnes variadas e linguiças, assadas em forno à lenha e acompanhadas por legumes. Almoço prá botar água na boca de quem assistir ao vídeo que incluí na postagem.
Ele mesmo apontou a casa que se vê na foto como sendo sua, e pelo rumo da conversa durante o percurso, concluímos que estávamos sendo conduzidos pelo simplíssimo proprietário da Estância Alice.
É o próprio Tito quem traça e prepara novos caminhos para os visitantes desfrutarem do melhor do cerro.

ESCOLHA O QUE FAZER na FAZENDA:
Há outros tipos de atividades na propriedade, tais como: trekking, cavalgadas, ou deslizar na tirolesa considerada a mais extensa da América do Sul.
O Jeep Tour 4×4 à Margem do Lago Argentino promete muita aventura a partir de 5 km de Calafate.
Esses passeios têm horários de saída e época certa para acontecer; por isso convém dar uma olhada no site clicando aqui.
A visita ao Cerro Frias, por exemplo, tem dois horários: pela manhã e à tarde, às 15.00 horas.

Imagine-se neste confortável sofá, desfrutando dessa vista fantástica em companhia de familiares e/ou amigos, e tomando um ferrinho para esquentar.

O PASSEIO
Começamos a subir o cerro e logo Tito parou e anunciou que dali prá frente ele engataria a tração nas 4 rodas – mero detalhe. Com ou sem tração nada mudaria ao nosso redor: já estávamos encantados com a paisagem que aos poucos começava a se desnudar, com os comentários de nosso condutor, com os animais, enfim, com tudo! Até com o vento gelado e o frio.

Um pouco mais para frente e Tito saltou para abrir uma das porteiras.

Desse ponto para frente as surpresas começaram a se atropelar. Dois guanacos foram responsáveis pela primeira delas.

O respeito pela fauna é fundamental e por isso a marcha empregada no veículo é lenta. A prioridade é dos animais, claro, e mais precaução começa assim que são avistados, mesmo que estejam bem afastados da beira do caminho. Segundo Tito, os animais podem correr a qualquer momento e por isso é preciso cautela. Toda atenção é pouca.

Repentinamente – daí os cuidados a que me referi anteriormente – essa raposa saiu de detrás da moita e sentou-se justo no caminho.  Tito parou o Land Rover e ficamos observando o espetáculo por algum tempo. A lindeza bocejou, coçou-se, levantou-se, deitou-se novamente e rolou no capim. Fomos privilegiados neste passeio não só por isso, mas por tudo que vimos e mais ainda pelo que nos aguardava no cume do cerro.

Vez ou outra o Lago Argentino disputou nossa atenção com fauna e flora do Cerro Frias; não sabíamos o que era mais belo. O passeio é fantástico!

O ALAGAMENTO em EL CALAFATE
Chegamos a El Calafate em 14/3/18, dois dias após ter acontecido a ruptura do Perito Moreno, outro espetáculo fantástico para quem tem a sorte de testemunhar o desmoronamento dessa ponte.
Trata-se de atração que atrai milhares de curiosos e que depende unica e exclusivamente da natureza.
El País noticiou que os trovões provocados pelos sucessivos desprendimentos aconteceu de madrugada. Caso você tenha curiosidade em saber como se forma a ponte e o que provoca seu descolamento, basta clicar aqui.
Como o Parque Nacional dos Glaciares fecha às 22.00 h, o espetáculo não foi presenciado por ninguém.
As toneladas de gelo desprendidas derretem e acabam causando a subida do nível do Lago Argentino, a ponto de suas águas alcançarem estradas e propriedades particulares. Testemunhamos um alagamento no perímetro urbano, bem próximo ao Centro de El Calafate.
A foto abaixo mostra uma área submersa não muito longe da estrada.

Conforme avançávamos, cenários cada vez mais instigantes pareciam nos convidar a desvendar seus mistérios.
Ora o capim queimado pelo frio cobria de dourado as montanhas e parecia iluminá-las…

…ora sentíamo-nos envolvidos pelo tempo fechado, o solo escuro, a névoa e o uivo do vento.  Era o próprio mistério do qual estávamos fazendo parte – momento inesquecível de nossas vidas.

Atirei no que vi, ao optar por esse programa, e acertei no que não vi. Divinas surpresas…

Felizmente, estávamos preparados para enfrentar qualquer inesperado…

Abaixo, um dos carros da frota do Sr. Tito, nosso condutor e narrador dessa aventura fantástica.
A foto não deixa mentir: quem diria, que ainda teríamos um contato tão íntimo com um pedacinho da moldura do Lago Argentino?

Momento de sentir a paisagem, sem tentar descrevê-la…

DE VOLTA À ESTÂNCIA, NOSSO PRÊMIO:
Éramos os únicos no amplo salão aquecido. O que iríamos comer? Não sabíamos e nem nos interessou perguntar. Curiosidade é doença da qual nenhum de nós sofre. Felizmente. Assim, quando nosso prato chegou, antes de qualquer garfada já sentíamos sabor de festa na boca. E que festa!

A abertura de nossos trabalhos ficou por conta de gordas empanadas recheadas com carne de cordeiro, temperada do jeito que gosto.

Seguiu-as um creme de abóbora muito bem condimentado. Um toque sutil de especiarias foi somado às ervas secas -o resultado não poderia ser melhor.

Legumes assados na brasa foram servidos como complemento do suculento churrasco misto que só aparece no vídeo. As pranchas foram prá mesa fumegantes e com aquele barulhinho bom de se ouvir: o dos legumes e das carnes ainda fritando no calor da chapa.  Melhor, impossível.

De sobremesa, ele! O famoso, delicioso e imbatível doce-de-leite argentino.

Iguarias que nem Zeus alguma vez degustou no Olimpo, mas que nós, simples mortais, tivemos o privilégio de saborear neste pedaço de Paraíso – o Cerro Frias.

CONTATO: clique aqui.

 

Foto clicada por minha sobrinha SAMANTHA ao voltarmos para El Calafate.

 

Rosa Cristal com a palavra.

 

 

 

BRASIL, Rio de Janeiro. Em Botafogo Também Tem IRAJÁ.


FOTO DESTACADA: Um Dos “Canteiros” do Restaurante.

Isso mesmo! Lá no Irajá que fica em Botafogo, alguns condimentos utilizados na cozinha do restaurante são colhidos de vasos na hora do preparo. Assim que você passa pelo portão, já se depara com alguns deles, repletos de manjericão.

À direita de quem entra há uma sala de estar com acomodações confortáveis.  Pequenos sofás, cadeiras e poltronas abraçam aqueles que aguardam por sua mesa, enquanto se deixam levar pelo bate papo e brindam a mais um encontro.
Neste espaço as telhas vãs contribuem ainda mais para o aconchego. Ali ficam à mostra os vinhos com os quais o Irajá trabalha. Não são poucos rótulos.

Neste cantinho são preparados drinks especiais.

Decoração descontraída em todo o Irajá, para deixá-lo como se estivesse na varanda de sua casa. A geladeira de época faz os “mais antigos” como nós recordarem de suas famosas Hotpoint e Kelvinator. Bateu um bolão.
Só mesmo quem tem geladeira embutida em armário, não pode se dar ao prazer de ter uma decoração de bom gosto como essa. Geladeira solta na cozinha, claro que tem que ter um enfeite em cima. Senão, não tem graça.

O longo corredor lateral lhe permite passar pela cozinha e observar o quanto é organizada.
Como chegamos cedo em um dia de domingo, o próprio Aloisio, um dos anfitriões, nos conduziu gentilmente até lá a fim de que também conhecêssemos a equipe que prepara as delícias que saboreamos. A equipe é apenas de jovens. Moçada bonita que mostra a que veio.
Na primeira garfada percebe-se que não estão de brincadeira, que dominam essa fantástica alquimia que tanto adoro: misturas bem elaboradas; temperos. Costumo dizer que cozinha é sinônimo de laboratório. Se os ingredientes não forem adequados, mô quirido…, não dá prá engolir. Literalmente.

E até chegar aonde a coruja dorme, aquele galo colorido canta e ter acesso ao cardápio, você passa por esse mural onde o restaurante anuncia que também serve algo mais descontraído. O Irajá sabe das coisas. Viva o Irajá!

Finalmente, o oásis!

Galos e galinhas na cozinha. Tenho uma coleção deles.

Um jardim que dá continuidade ao salão iluminado naturalmente e um ar condicionado bem regulado, proporcionam uma incrível sensação de bem-estar. Esse é o Irajá.

Daí você abre o cardápio… e se depara com essa mensagem:

Vira a folha e encontra essas opções, puras tentações.
Embarcamos no…

… Churros de Queijos Brasileiros e Ervas, mas voltarei para provar as Bolinhas de Tapioca.

Sugestões para beber… Para variar, já que não bebo álcool, mergulhei no copázio de suco de abacaxi, pêssego e capim limão.

Pratos principais: o que escolher?

Meu fiel escudeiro optou pelo prato de Vieiras, Batatas e Alho poró. Vieiras com técnica de cozimento espetacular.

E eu, pelo Arroz de Haddock – prato muito bem temperado, do jeito que gosto. Ambos, fantásticos!

Outra indecisão: a hora das sobremesas.

Meu escudeiro optou pela goiabada, pistache e iogurte. Segundo ele, pura delícia.

Um saboroso café encerrou o almoço.

Restaurante que indico sem restrições. O IRAJÁ É IMPERDÍVEL!

Rosa Cristal comenta.

 

França: Paris, Île de France – Maison du Chou. Imperdível!


Imagem Destacada: Place de Furstemberg.

Conheci uma senhora que era apaixonada por essa praça.
Segundo sua opinião, de toda Paris, era essa praça escondidinha seu lugar predileto da cidade. Fiquei curiosa. Que praça seria essa?
Vai daí que quando viajamos para Paris, vi no mapa da cidade – prefiro consultar mapas. Ainda! – que a Praça de Furstemberg estava bem perto de onde estávamos hospedados na ocasião, o Académie Hôtel Saint Germain – hotel fantástico, administrado por um senhor português distintíssimo – e fomos até lá.

Pça DE FURSTEMBERG em PARIS.

A praça é realmente encantadora, e o que mais nos chamou atenção foi aquele silêncio, aquela tranquilidade das praças provençais, apesar de estar cercada pelo burburinho da Paris agitada que parece não dormir.
Uma praça graciosa, tais quais as inúmeras por onde passamos no sul da França. Linda!

Prá início de conversa, a Furstemberg está a poucos passos de pontos bem agitados do bairro: os Cafés de Flore e o Les Deux Magots. Ambos míticos, conhecidos por suas famosas clientelas, e que acabaram se transformando em badalados pontos turísticos no Boulevard Saint-Germain. Ou seja, um fervo danado ao redor da serena praça, realmente admirável.

E foi exatamente isso que fizemos durante um bom tempo – admirá-la-, enquanto ouvíamos o barulho de grossos pingos de água de chuva caírem sobre nosso guarda-chuva.

Ao nos aproximarmos daquele pedacinho tão charmoso de Paris, diminuímos mais ainda nossa marcha a fim de curtir cada detalhe. Foi aí que em dado momento batemos o olho em um lugar pequenininho que nos pareceu um Café. Aproximamo-nos, e vimos que dois jovens recheavam aquelas delícias em um pequeno balcão bem junto à janela – só prá provocar.

Trata-se de uma pâtisserie¹ especializada apenas nesses doces de massa levíssima, o chou.
Este doce tem o mesmo formato do nosso bolinho de chuva, e a consistência da massa lembra a das nossas “bombas”, guardando as devidas diferenças – a massa do chou dessa confeitaria parece uma espuma, de tão leve.
Recheios de café, chocolate e baunilha. Eu que não sou fã dessa especiaria, adorei o sabor.

DIA DE SORTE
O espaço só comporta três mesas; para sorte nossa “todas” estavam desocupadas quando chegamos, mas em fração de segundos a casa  ficou “lotada”. Foi um tal de entrar e sair de pessoas para comprar os doces que, pelo que pude observar, eram clientes antigos da confeitaria. O movimento maior, sem dúvida alguma, fica por conta das embalagens para viagem. Era intenso.
Tomamos um chá de mistura especial e pedimos alguns choux para acompanhar. De quebra, levamos outros para o hotel. Divinos!

Portanto, fica a dica: vai a Paris? Não deixe de apreciar as maravilhas da Maison du Chou.
Ah! Quase ia me esquecendo: abriram outra loja na Île-de-Saint-Louis, muito maior. E se mesmo assim você ainda tiver que esperar, aguarde. Tenho certeza de que valerá a pena.

PÂTISSERIE - O que é?
A tradução literal é pastelaria, mas... não é beeemmm assim porque também pode ser uma doçaria ou uma confeitaria. Acho que está mais para esta última.
Uma pâtisserie, na França, vende doces, bolos, tortas, biscoitos, geléias, frutas cristalizadas, compotas, balas, sorvetes e muitos mais do que você possa imaginar.

Comentários de ROSA CRISTAL.

Portugal, Lisboa – Cervejaria Trindade, desde 1294!


Foto em Destaque: Painel de um dos salões da cervejaria. Neste, os quatro elementos e as quatro estações do ano estão representados em pinturas em azulejos. Autoria de Luís Ferreira.

HISTÓRIA com H.
Considerada Patrimônio Cultural da Cidade em 1986, e Patrimônio de Relevante Valor Histórico-Cultural pela Direção Geral de Turismo, em 1997, uma visita ao que restou do antigo Convento da Santíssima Trindade, fundado em 1294, vale à pena, principalmente se você estiver a par de sua História, pautada por muitos sofrimentos, “compensados”, se é que podemos dizer assim – a partir de 1840.


Pelos sucessivos episódios catastróficos que abalaram o convento, tudo indica de que o ergueram em um terreno onde não havia apenas uma, mas várias “cabeças de burro” enterradas ali.
Agora, preste atenção! Só a partir do momento em que pensaram em aproveitar o mesmo lugar para construir uma cervejaria, foi que a coisa começou a mudar de figura e a sorte despertou e começou a mostrar seu sorriso. Dê uma olhada no texto ali embaixo e veja se tenho ou não razão.


Voltando à vaca fria: os salões são grandes e vivem lotados. O cardápio bem humorado sugere porções que me pareceram muito apetitosas para quem deseja comer alguma coisa só para tapear o estômago. Para os mais bem dispostos a trabalhar com as ferramentas – era como meu pai se referia aos talheres – , há sugestões fantásticas de pratos mais elaborados. Destaque para as propostas de pescados e frutos do mar – meus prediletos. Meus deuses!

Um queijo inteiro nos foi servido junto com manteiga. Achamos por bem não abrí-los – seria demais.
Miolo de sapateira (caranguejo) servido no próprio casco foi nossa opção para abrir os trabalhos.

Encontramos uma casa com quase todas as mesas ocupadas. Lembremo-nos de que se trata de um lugar turístico, e apesar disso o atendimento foi rápido, simpático e bem cortês.
A açorda que me foi servida não agradou muito no paladar apesar da excelente aparência. Faltou alguma coisa.

O bacalhau de meu fiel escudeiro estava morno, as batatas idem…

A sobremesa era de sabor suave e agradou.
Um púlpito do antigo convento sobreviveu às catástrofes. E para quem acredita que objetos têm memória, essa peça tem muita História pra contar.
Questão de respeito aos frequentadores e visitantes.

REFERÊNCIAS
A construção foi destinada a um convento, o da Santíssima Trindade, administrado por 3 freis – os Frades Trinos da Redenção dos Cativos, título recebido em função do trabalho de resgate de prisioneiros dos mouros.
Este prédio conta muitas histórias desde a inauguração do convento, em 1294, até nossos dias.
Foi reformado em 1325. Em 1498 abrigou a Santa Casa de Misericória. 

Em uma sexta-feira santa de 1542, uma das capelas do Convento da Trindade serviu de cenário para o encontro do poeta Luiz de Camões com Dª Catarina de Ataíde. A paixão foi imediata, mas conta a literatura que o romance foi impossível. Mesmo assim, Camões cantou sua grande paixão em alguns de seus poemas.


DESGRAÇA POUCA é BOBAGEM
Porém, os episódios mais tristes e memoráveis aconteceram em 1708, quando o convento foi destruído por um incêndio de grandes proporções.
Como se não bastasse, em 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, um terremoto de proporções gigantescas seguido por tsunami e incêndios destruiu, praticamente, toda a cidade de Lisboa e o sul de Portugal.
Este sismo foi sentido no Marrocos; atingiu muitas cidades, dentre elas Meknès, Rabat e Fez, além de ter afetado a costa dos Estados Unidos e a Europa.
O Museu do Carmo em Lisboa são uma amostra das dimensões do terremoto.
Quando estive em Rabat na década de 90, o guia nos informou de que aquela que fora planejada para ser a maior mesquita do mundo, a Mesquita Hassam, havia sido um dos alvos do terremoto de 1755.
Entretanto, não é o que conta a Enciclopédia Wikipédia. Saiba mais clicando aqui.

Em 1766, logo após ter sido reconstruído da tragédia de 1755, o convento foi atingido novamente por outro incêndio. Desta vez escaparam a igreja, a biblioteca e o refeitório.

Em 1834 o convento perdeu parte de seu edifício para favorecer o plano de urbanização da cidade de Lisboa. Foi nesta época que o industrial Manoel Moreira Garcia começou a fazer seu ninho: deu início à instalação de uma fábrica de cerveja neste local, apesar da precariedade do lugar.

INÍCIO DA INDÚSTRIA CERVEJEIRA
Em 1836, o industrial montou a Fábrica de Cerveja da Trindade em dois lotes arrendados neste mesmo terreno, e ainda aproveitou paredes que sobraram da demolição do convento.
Como não era bobo nem nada, decorou as paredes externas do prédio com os mesmos azulejos que foram poupados das paredes demolidas do convento.

Em 1840 o industrial começou a vender cerveja diretamente ao público, em um balcão instalado no que restara do refeitório dos frades Trinos. Esperto!…

A APARÊNCIA ATUAL
das paredes deve-se ao trabalho do pintor de azulejos Luís Ferreira, que decorou-os com motivos maçônicos.

Como o ambiente começou a crescer, o novo salão foi decorado com azulejos pintados que evocam as quatro estações do ano e os quatro elementos.

Tetos e arcos foram decorados com motivos heráldicos, executados por outro artista de nome Vale.

De 1876 a 1920, Domingos – o filho de Manuel -, e seus herdeiros assumem a direção da cervejaria.

De 1920 a 1932, por falecimento de Domingos Garcia, funcionários da fábrica e da cervejaria constituem uma sociedade apoiados pelo capitalista José Rovisco Pais.
Como seus bens foram legados à instituições beneficentes, com sua morte, em 1932, a Fábrica da Trindade foi colocada em hasta pública e, em 1934, Fábrica e Cervejaria passam a um consórcio cervejeiro. Em 1935 encerra sua atividade, mas, outra vez, a exploração da Cervejaria é transferida para a Sociedade Central de Cervejas, da qual a Fabrica de Cervejas Portugália fazia parte.

De 1946 a 1948 começaram as ampliações na Cervejaria Trindade: um salão foi aberto no espaço que era ocupado pela igreja do convento e onde, posteriormente, funcionaou a fábrica de cerveja.

Na figura da esquerda, Hermes Trismegisto representado como um ser mitológico muito comportado. Prá início de conversa, está vestido! Ah, Hermes!… Quem o vê no Orsay…

Neste salão estão as referências às quatro estações do ano e aos quatro elementos.

Mais tarde, na galeria do antigo claustro¹, foi construído outro salão.Para este anexo as paredes foram decoradas com painéis modernos em mosaicos de pedra, de autoria da artista Maria Keil. Sua intensão foi remeter às calçadas de Lisboa – conseguiu seu objetivo.
Foi neste salão mais moderno (abaixo) que conseguimos lugar.

Decoração em azulejos cuja beleza dispensa comentários.

De 1959 a 1972 uma parte foi destinada ao funcionamento de um restaurante de nome Folclore. Em 1974, fechado este restaurante, os ambientes foram novamente interligados, restaurando-se a mesma planta baixa de 1940.

Em 1986 a Cervejaria Trindade foi integrada ao Patrimônio Cultural da Cidade, ano de comemoração de 150 anos de atividade.
Em 1987 recebeu outra condecoração, desta vez pelos serviços prestados ao turismo português.
Em 1997 foi reconhecida pela Direção Geral de Turismo, com sede em Lisboa, como Patrimônio de Relevante Valor Histórico-Cultural. E não poderia ser diferente.

De 1998 em diante passou por conservação dos azulejos, redecoração de ambientes, reformulação do cardápio, da imagem da marca, divulgação etc.

Em 2007 voltou à propriedade do Grupo Portugália.

Interessante ressaltar que em 15 de fevereiro de 1854, a Fabrica de Cerveja da Trindade recebeu de Sua Majestade, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, um alvará “fazendo mercê a Manuel Moreira Garcia de tomar por fornecedor de Cerveja de Sua Real Caza…”
Esse título permitia ao industrial colocar “As Armas Reais no frontispício de seu estabelecimento – a Fábrica de Cerveja da Trindade.”
É aquela velha estória: “Quem não tem competência, não se estabelece”.

Saiba muito mais a respeito da cervejaria clicando aqui.

1- Definição Wikipédia: "Um claustro é uma parte da arquitetura religiosa de mosteiros, conventos, catedrais e abadias. Consiste tipicamente em quatro corredores a formar um quadrilátero, por norma com um jardim no meio. Vida de claustro ou de clausura é a designação comum dada para a vida dos monges, frades ou freiras."


PORTUGAL, Lisboa: A Vida Portuguesa – Onde Comprar…, Comprar…, Com…


O nome da belíssima casa onde antigamente funcionou um armazém e a fábrica de perfumes David & David,  é mais um dentre centenas de nomes originais que encontramos no comércio lusitano, tais como as lojas “ao virar da esquina” e  “Pequenos Nadas“, a
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FRANÇA: Paris, Île de France – Le Cochon à L’oreille (Bistrô) e L’Escargot Montorgueil.


Paris é indefinível. Paris é para você se deixar levar pelo o que seus olhos curiosos pedem, é sair desfrutando de Continuar lendo FRANÇA: Paris, Île de France – Le Cochon à L’oreille (Bistrô) e L’Escargot Montorgueil.

BRASIL, Rio de Janeiro, RJ: O Surpreendente Museu do Amanhã.


FOTO EM DESTAQUE:  detalhe da marquise da entrada do museu.

 PRAÇA MAUÁ – COMO CHEGAR 

Os únicos meios de transporte que o deixam na porta do museu são o VLT (Veículo “Lentíssimo” sobre Trilhos) e a bicicleta. Taxis o deixam bem próximo das atrações. Continuar lendo BRASIL, Rio de Janeiro, RJ: O Surpreendente Museu do Amanhã.

BRASIL, RN – De Galinhos a São Miguel do Gostoso Beirando o Mar.


Nosso trajeto de Natal até Galinhos teve como destaque a travessia que fizemos de Pratagil ao cais da península, Continuar lendo BRASIL, RN – De Galinhos a São Miguel do Gostoso Beirando o Mar.

BRASIL, RN: Galinhos – Paraíso Que Não Se Define – Sente-se.


IMAGEM DESTACADA: entardecer em Galinhos, sem o recurso do Photoshop!!!

Éramos 5 em viagem (2011) e nosso roteiro começou em Galinhos. Quem nos transportou do aeroporto de Natal até lá foi o Sr. Moisés Sousa, capitão de uma empresa de turismo Continuar lendo BRASIL, RN: Galinhos – Paraíso Que Não Se Define – Sente-se.

FRANÇA, Île de France: Em Paris Ou No Rio de Janeiro, Pedalar é Com Fernanda Hinke.


A jovem não para.  Em Paris ou no Rio, Fernanda Hinke gosta de sentir o vento acariciando seu rosto e desalinhando seu cabelo louro enquanto pedala. Continuar lendo FRANÇA, Île de France: Em Paris Ou No Rio de Janeiro, Pedalar é Com Fernanda Hinke.