Arquivo da tag: A Fala do Trono

BRASIL. RIO DE JANEIRO, RJ. PETRÓPOLIS – Museu Imperial em Companhia de Alex Brando.


IMAGEM EM DESTAQUE: Fachada do Museu Imperial

Foi com Alex Brando (leia-se Alex Tour Viagens) que visitamos o glamouroso Hotel Quitandinha e o Museu Imperial.
Foram duas visitas bem diferenciadas, bem marcantes, e ambas na mesma atraente e histórica cidade de Petrópolis. Popularmente falando, matamos dois coelhos com uma só cajadada.
Cada um desses monumentos deixou sua marca no tempo: um passado vivenciado por quem teve o privilégio de conviver nesses monumentos que alcançaram o futuro, nosso presente.

A VISITA AO MUSEU
requer o cumprimento de algumas medidas preventivas e uma delas é a utilização das pantufas – responsáveis pela conservação dos mármores pretos belgas e de Carrara (vestíbulo), além das madeiras nobres dos pisos (cedro, pau-cetim, jacarandá, pau-rosa e vinhático).

Foto: www.conhecendomuseus.com.br

A exceção do uso das pantufas vai para os idosos por motivos óbvios.
Além disso, visitantes estão proibidos de circular com bolsas, mochilas e assemelhados.
Faz sentido porque esses acessórios normalmente são volumosos; e como há espaços muito apertados pelos quais os visitantes transitam, esses volumes podem causar inconvenientes para outros visitadores e/ou para o museu – os corredores são decorados com móveis e adornos que podem ser derrubados por esses acessórios.

Foto: passeios.tripod.com/petropolis.htm

O uso de filmadoras e máquinas fotográficas também é vedado.
Não entendo essa proibição que segui quase à risca. As fotos publicadas aqui no blog foram copiadas de visitantes que fotografaram dependências do museu…

LOGO NO INÍCIO
da visita Alex Brando alertou o grupo para um fato muito interessante: o mobiliário não fazia parte do patrimônio desta casa – o museu, residência de Verão preferida de Dom Pedro II, originariamente chamada de Fazenda Córrego Seco.

PARA QUEM GOSTA DE HISTÓRIA
A propriedade foi adquirida por 20 contos de réis por seu pai, Pedro I, que imaginou transformá-la no Palácio da Concórdia. D. Pedro II a herdou.
O mobiliário foi transferido do Palácio São Cristóvão, onde nasceu D. Pedro II, para Petrópolis.
Este palácio, o Museu Nacional de Antropologia e Arqueologia, mais conhecido como Museu da Quinta da Boa Vista, foi o que sofreu um incêndio de proporções gigantescas em 02/9/2018.
Alex Brando nos conta que, por ocasião da partida de D. Pedro II para o exílio, seus bens foram leiloados e muitos lotes foram adquiridos por pessoas ligadas à côrte; essas peças foram devolvidas e são as que fazem parte do acervo do Museu Imperial.

Quando fotografei esta sala, logo à esquerda de quem chega à residência, ainda não sabia da proibição para filmar e fotografar…

NA SALA DE JANTAR
o destaque vai para o teto decorado com imagens de frutas e para os  motivos dos quadros.
Mesa para 6 pessoas: Imperador D. Pedro II e Imperatriz  Tereza Cristina ocupavam as cabeceiras.
Todo o mobiliário, óleos e cristaleria denunciam que era o lugar onde a família fazia suas refeições.

Foto: https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/museu-imperial/

Por questões óbvias, mas não comprovadas, os demais lugares à mesa seriam ocupados pela filhas e respectivos maridos.
A mais velha, Isabel, casou-se com o Conde de Orléans, o Conde d’Eu; e a filha mais nova, Leopoldina do Brasil, casou-se com Luiz Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, austríaco com quem ela parte para a Europa.
Do casamento de Leopoldina nascem 7 filhos, sendo que o mais velho, Pedro Augusto, foi considerado até seus 9 anos de idade como o futuro Imperador do Brasil, idéia que ele acalentou até a Queda do Império, em 1889.
Foi preterido pelos filhos da tia Isabel e, na luta frustrada em prol da subversão da Constituição do Império, foi considerado como o Príncipe Conspirador por conta de ter reunido partidários em seu favor e contra um terceiro reinado encabeçado pela tia.
Este episódio lhe valeu transtornos mentais que o acompanharam até a morte.

A COZINHA
não fazia parte do contexto desta residência: ficava em outro prédio onde os alimentos eram preparados, embalados em caixas fechadas, e conduzidos até ao local de onde eram levados até à sala de jantar.
Louças, cristais e prataria eram importadas. O Brasil produzia apenas as madeiras nobres (jacarandá e peroba dentre outras) com as quais faziam as mobílias.
Os ambientes eram iluminados com lustres à vela.
Nesta época, as refeições eram programadas de acordo com o nascer do Sol.
Caso a alvorada fosse às 5.00 horas, o café da manhã era servido algum tempo depois. Almoço às 10.00 h, lanche da tarde às 15.00 h e jantar às 19.00 h. Todos se recolhiam muito cedo.
Hoje em dia controlamos nosso tempo pelo relógio…
Iluminação por clarabóias e pé direito alto nos corredores eram recursos utilizados para manter o frescor.

EM OUTRA SALA
a decoração indica tratar-se de um ambiente onde se discutia assuntos referentes ao Reinado.
Aqui há um quadro famoso: A Fala do Trono, de autoria de Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1872), também conhecido como Dom Pedro II na Abertura da Assembléia Geral.

Neste quadro – imagem obtida no site do Museu Imperial – também foram retratados políticos importantes do Império. 

Na tribuna estão:  a Imperatriz D. Teresa Cristina, mulher de D. Pedro II, sua filha, a Princesa Isabel e seu marido o Conde d’Eu; ao fundo, Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré.

Duas vezes por ano o Imperador reunia o Senado e a Câmara dos Deputados do Império, ocasião em que portava coroa, cetro e o traje majestático. O colar avermelhado é de penas de tucano.

http://blogespetaculosas.blogspot.com/2010/03/conheca-o-museu-imperial.html

Nos discursos de abertura D. Pedro II abordava assuntos referentes à política, aos problemas enfrentados pelo Império e sugestões para resolvê-los. No encerramento, fazia um balanço geral e as medidas adotadas pelo governo imperial.
A indumentária completa você poderá apreciar no museu.

ENCONTRO DAS NOBRES SENHORAS
Na residência imperial havia uma sala destinada para o encontro das senhoras nobres, cuja finalidade era apenas costurar e bordar. Mulheres não participavam de assuntos administrativos – serviam apenas para cozer, bordar e parir.
Na foto abaixo, vemos a sala de visitas da imperatriz.

OS CASAMENTOS
na família imperial, desde D. Pedro I, foram marcados por relações extra-conjugais – por parte dos imperadores, obviamente.
E quem conhece esses encontros furtivos mas-nem-tanto com riqueza de detalhes é Alex Brando.
Suas pesquisas foram profundas e ele acabou sabendo de pormenores cabeludos que nos revelou no dia da visita ao museu. Detalhes que nada têm a ver com bocas de Matildes, mas com a realidade.

D Pedro I, por exemplo, extrapolava. Sua grande paixão, todos sabem, era a Marquesa de Santos (Domitila de Castro Canto e Melo). Só que o imperador ampliou este “círculo familiar” e passou a cortejar a irmã mais velha da amante, a Maria Benedita.
Daí você poderá se perguntar: – Será o Benedito? Não! Foi a Benedita mesmo…, agraciada com o título de Baronesa de Sorocaba – uma senhora que, tudo indica, não trabalhava na “casa da luz vermelha”, mas era muito assediada pelo imperador. Uma cortesã, para ser mais requintada.
Cartas de conteúdo fogoso eram trocadas e até mesmo alguns pelos pubianos o safado enviou devidamente envelopado para sua amante. Mimos como estes eram devidamente acompanhados por palavras bem “ardentes”.

Muito religioso, D. Pedro I saía do Outeiro da Glória, onde assistia à missa, e depois ia praticar sua fé na casa da Bené.
O barraco foi grande quando a Marquesa de Santos descobriu a traição e mandou matar a própria irmã!
O romance foi tão tórrido, que a recatada senhora Bené teve um filho de Pedro I, reconhecido em testamento pelo imperador. Este jovem foi educado na Inglaterra.

QUE HERANÇA!
D. Pedro I
, por seu comportamento nada exemplar, deixou significativa herança de desabonos a ponto de prejudicar o próprio filho D. Pedro II na busca por uma Imperatriz. Suas peripécias atravessaram mares e continentes!

O papel de cupido coube à Bento da Silva Lisboa, o 2º Barão de Cairu.
Cansado de peregrinar em busca de uma deusa, mas só acumulando fracassos, o cupido encontra Vincenzo Ramírez, embaixador das Duas Sicílias no Império Austríaco, e ambos acertam (?) a vida de Pedrão – 1,90 m de altura, louro e de olhos azuis -, o Robert Redford da época.
A futura imperatriz consorte era a Princesa das Duas Sicílias, nascida em uma família numerosa e, por conta disso, com direito a apenas um dote; não havia como escolher muito.
Diante desse quadro, Vincenzo Ramírez passou por cima da má fama de D. Pedro I – consolidada nos quatro cantos do planeta – e propõe a mão da princesa ao jovem imperador, que a aceita baseado em um lindo desenho da imagem da candidata. Coitado! Não sabia de nada.

O DESEMBARQUE
da mulher de D. Pedro II ( casaram-se por procuração) só não foi mais trágico, porque o jovem conseguiu se recuperar do piti que teve na Praça Mauá (logo aonde!…) no desembarque da consorte gordinha e desprovida de beleza, mas um amor de criatura.
Por ter pernas arqueadas seu andar era que nem o balanço de um barco vazio em dia de mar agitado.
Ela, que não era boba nem nada e sabia o que era bom, apaixonou-se imediatamente pelo noivo com então 17 anos de idade.
Ele, franco como todo sagitariano, e ainda por cima … da vida, não escondeu sua decepção e revolta.
O desenrolar dessa história quem sabe é Alex Brando, bem como as diferenças existentes entre os romances de Pedro I e Pedrão.

A SALA DE MÚSICA,
tal qual a sala de jantar, está definida pela pintura de liras no teto.
Arpa, violino, espineta, cravo e piano ficavam à disposição dos convidados.

vanessapaolarojasfernandez.wordpress.com

Foi na escadaria da varanda que acessa esta sala, que a família imperial se deixou fotografar na véspera de sua deportação.

Da esquerda para a direita: a imperatriz Dona Teresa Cristina, D. Antônio, a Princesa Isabel, o imperador, D. Pedro Augusto (sobrinho da Princesa Isabel, D. Leopoldina, Duquesa de Saxe), D. Luís, o conde d’Eu e D. Pedro de Alcântara (príncipe do Grão-Pará).
Origem da foto: clique aqui e saiba mais.


A visita não parou aí, evidentemente. Visitamos os aposentos do andar superior onde ficava a parte mais íntima da casa – quartos do casal, das princesas e quarto de estudos do imperador.
Neste pavimento estão o berço de ouro – presente de Pedro II ao filho de Isabel -, e ainda o toucador, onde vemos um “trono”- um pinico acoplado a uma cadeira de braços em forma de trono.
Que criança de antigamente não fazia suas necessidades em um troninho? Eu mesma tive um; simplicíssimo, mas tive. A origem está justamente nessa peça.


E no final Alex nos deixou livres para visitarmos a exposição de liteiras, a locomotiva e as carruagens.
De lá partimos para um bonito lanche no Duetto’s Bistrô e Café (ainda nos limites da propriedade do museu), onde o papo a respeito do museu e dos Pedros & famílias rolou mais solto, e… encerramos nossa visita.

INFORMAÇÕES
a respeito de dias, horários de visitas e programação do museu clique aqui: espetáculos de luz e som, saraus, biblioteca, visitas agendadas…

Sei não, mas acho bem mais fácil você clicar aqui no nome de Alex Brando e fazer essa visita de modo bem mais confortável.


“Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.”
Pe Fábio de MeloRefletir Para Refletir