1 – INTRODUÇÃO
Nosso destino era o Cerro Tronador/Ventisquero Negro e os Lagos Gutierrez e Mascardi. Assim que Bariloche ficou para trás nossa curiosidade aumentava a cada curva. Como uma criança inquieta, me perguntava: – Será que falta muito para chegarmos ao Ventisquero Negro? O nome meio assustador impressionava e impunha respeito. Como seria essa tal geleira? Pois bem! Faltava ainda um longo trecho de estrada e o alvo da viagem estava exatamente no fim da linha. É esse trajeto que tentarei descrever pra você.
IMAGEM DESTACADA – Localidade denominada Pampa Linda. Ao fundo, está o Cerro Tronador.
1.1 – RUMO AO VENTISQUERO NEGRO
Trafegamos pela RN-40. Essa rodovia é emoldurada por lagos, rios e montanhas cobertas por árvores típicas da Patagônia tais quais lengas, coihues, ciprestes, ñires e ainda muita neve em seus cumes.
A vegetação é abundante e fechada, mas vez ou outra cede espaço para alguma árvore ou arbusto florido.
Essa imensidão de diversos tons e nuances de verde alternam-se com o azul do céu refletido nos lagos e formam paisagens inesquecíveis. Tal qual em um caleidoscópio, o cenário vai mudando à medida que trafegamos, e novas cores, luz e sombra, mostram-se aos olhares mais atentos.
Não há caminho circular conforme fizemos quando estivemos em San Martín de los Andes. Aqui o percurso é de ida e volta pela mesma estrada.

2 – LAGOS
2.1 – Gutierrez
Saindo do perímetro de Bariloche pela mesma RN-40, o primeiro lago com o qual nos deparamos foi o Gutierrez.
A rodovia percorre uma das margens do lago em quase sua totalidade e atravessa o rio que você vê abaixo em dois momentos.
Este lago está localizado entre o Cerro Catedral, importante estação de esquiagem, e a Sierra de la Ventana.
Por suas margens pode-se caminhar, passear de automóvel ou cavalo. Às margens do Gutierrez argentinos ricos construíram belas e luxuosas residências que você poderá admirar nesse tour.


2.2 – Lago Mascardi
Não demora muito e a seguir vem o Lago Mascardi, bem maior em volume d’água que o Lago Gutierrez. Bom para nós, que desfrutamos de sua companhia desde o Camping Las Carpitas até o Camping Los Cesares. Para quem não sabe onde ficam, trata-se de 24.2 km e o tempo aproximado de percurso é de 54 minutos (informação Google Earth). Tempo longo para um percurso relativamente pequeno, é verdade, mas não nos esqueçamos de que a estrada não é totalmente asfaltada, o que requer mais cuidados.


3 – CAMPING
3.1 – Camping Los Rápidos
O Las Carpitas serve de aviso para que, logo após suas instalações, o motorista deva dobrar à direita e enveredar por um caminho sem pavimentação asfáltica – a RP 82 –, que o levará até seu destino final, o Cerro Tronador.
Apesar de ser de cascalho a estrada não oferecia desconforto. Nada de buracos, “costelas”, valas ou qualquer outra coisa do qual pudéssemos reclamar.
Prosseguindo, tivemos a primeira parada técnica no Camping Los Rápidos. Houve tempo suficiente para fazermos uma curta caminhada, tomarmos um café bem quentinho, apreciar a natureza e sacar algumas fotos.


3.1.1 – Rio Manso
Esse rio de águas cristalinas que vemos nas fotos chama-se Rio Manso. Ele une a Laguna Los Moscos ao LagoMascardi. Sem dúvida, uma bela opção para quem gosta de acampar e pescar trutas e salmões do Pacífico, além de ser um convite para um “bom mergulho” em suas águas congelantes – há quem goste. O rio é longo e nem todos os trechos oferecem segurança para a prática da pesca e rafting.





3.1.2 – Mirador Mascardi
A segunda parada foi no Mirador Mascardi que você vê na foto abaixo.
O Lago Mascardi é tão especial que construíram um ponto de vista muito bem estruturado para que o turista desfrute de toda sua grandeza.
A Argentina preparou-se para oferecer a seus visitantes, condições excelentes que lhes permitem usufruir de suas principais atrações turísticas. Isso é indiscutível.




3.2 – CAMP LOS CESARES
Meia hora na estrada e fizemos outra parada em mais um camping. Desta vez foi o Camp los Cesares no Parque Nacional Nahuel Huapi, 82, Villa Mascardi, Río Negro, Argentina.




Passamos por lugares contemplativos como esse que você vê acima. Paisagens tranquilizantes em que o silêncio é apenas interrompido pelo canto de pássaros ou o zumbido de uma abelha que segue sua caminhada em velocidade.
Cenários ideais para meditarmos, mas não de olhos fechados. Nada disso! Ao contrário, mantê-los bem abertos para que tenhamos consciência de que a Terra nos presenteia com o que há de melhor e que o único preço que nos cobra é o respeito.


O lugar, bem afastado de Bariloche, é ideal para quem deseja descansar, relaxar, jogar sua canastra ouvindo canto de pássaros, dormir…, comer…, dormir…, comer de novo… (a fórmula da bomba), comer trutas… (mais ainda: fisgar seu prato naquela água geladinha, geladinha – brrr!) e exercitar-se em caminhadas.
3.3 – PAMPA LINDA
Aqui paramos para almoçar e os passageiros puderam escolher entre dois restaurantes. Eu e meu amigo optamos pelo Los Vuriloches e os demais pela Hosteria Pampa Linda, onde fomos nos servir de sobremesa após nosso almoço.


Três campings ocupam esta área: Rio Manso, Pampa Linda e Vuriloche. Almoçamos no restaurante Los Vuriloches, na foto acima.
Cardápio simples, mas comidinha saborosa valorizada pelo atendimento simpático. A funcionária que nos atendeu havia estado no Brasil e fez questão de ensaiar algumas frases em português. Percebemos que seu intuito era de nos agradar. A dificuldade em pronunciar algumas palavras era grande e a ajudamos algumas vezes. Traduzimos seu esforço como uma grande homenagem e saímos de lá felizes por esse gesto tão simples, mas tão significativo.
Ao caminharmos em direção ao outro restaurante nos deparamos com o poder do Cerro Tronador e passamos a entender seu significado.




Esse passeio recomendo sem restrições. É maravilhoso!
