Raqchi foi mais um sítio arqueológico que visitamos, localizado no caminho entre Cusco e Puno.
O povoado é constituído por 80 famílias que se dedicam à agricultura, ao artesanato e ao turismo vivencial.
Pertence ao Distrito de San Pedro de Cacha e está afastado de Cusco em 125 km.
IMAGEM DESTACADA – o que restou do descomunal templo ao deus WiracochaemRaqchi.
1 – A UM PASSO DE UM DESMAIO COLETIVO
Foi neste local que nosso guia revelou-se ser mais paradão que as próprias ruínas.
Em postagem anterior fiz alusão à sua falta de ânimo, mas… pudera. Pensando bem, merece um desconto.
A criatura tinha que explanar o enorme sítio desdobrando-se em dois idiomas (inglês e castelhano) e ainda sob um Sol tipo assim… maçarico na moleira.
Pro meu lado a coisa estava ficando cada vez pior devido a minha inadaptação às altitudes e Raqchi está, aproximadamente, a 3.500 m acima do nível do mar.
2 -WIRACHOCHA
De acordo com pesquisas mais recentes, o templo foi construído em honra a Wiracocha – o deus responsável pela criação do mundo – em diversos períodos, atribuindo-se ao Inca Wiracocha o início de suas obras. Pachacutec construiu a segunda etapa e o Inca Tupac Yupanqui terminou sua edificação.
Pelo que restou do templo, arqueólogos concluíram que sua arquitetura era retangular (92 metros de comprimento por 25 de largura) e ocupava uma área de mais de 2.000 m².

2.1 – DIMENSÕES DO TEMPLO
No centro, uma parede de 12 m de altura com 10 portas de dimensões colossais dividia o ambiente. Essa parede possui uma base com 3 metros de altura. Construíram-na em pedra e o restante em adobe .
Para se chegar à capela, em cujo altar repousava o ídolo Wiracocha sobre um pedestal (um deus venerado sob diversos nomes e aspectos), os iniciados caminhavam em zig-zag por essas portas porque só eles conheciam o labirinto do interior do templo.
3 – COLLCAS
Neste sítios ainda vemos vestígios das collcas (ou qollqas), que são construções circulares de telhados cônicos em palha, agrupadas, que serviam para armazenar víveres, roupas e armas. Podiam também ter o formato retangular. O número de collcas era proporcional ao número de habitantes do lugar. Na Imagem em Destaque vemos uma dessas habitações em plano secundário.

4 – UM POUCO DE HISTÓRIA
Os incas eram povos prevenidos e sempre souberam lidar com o inesperado.
Vejam bem: além de conhecerem muito bem as mudanças climáticas e suas consequências para a lavoura, por exemplo, eles armazenavam o que podiam para consumir em períodos de escassez ou de guerras, para presentear pessoas importantes de outras regiões, e para utilizar em cerimoniais específicos e festividades.
5 – O SIMBOLISMO DAS QOLLQAS
Com esses armazéns, os incas mostravam seu poderio perante nações empobrecidas com o nascimento desse império. As qollqas redondas normalmente serviam para conservar milho e as retangulares eram destinadas para preservar batatas. Com sabedoria e cuidados especiais, acondicionavam as colheitas em vasilhas de cerâmica a fim de evitar o contato com roedores.
Carnes bovinas (o charque que conhecemos), pescados – incluindo camarão seco -, plantas (folhas de coca), carne de aves (pombos e perdizes), manufatura de roupas e armas, e frutas desidratadas, eram armazenados nas qollqas.
No blog http://templodewiracocha.blogspot.com.br/ há informações pormenorizadas a respeito do templo.





A História sempre surpreende-nos com suas construções inexplicavelmente colossais e suas divindades multifacetadas, bom seria se os guias de turismo fossem versados em Antropologia e falassem em nosso idioma, também isso é sonhar além do possível.
Mas como as imagens falam mais que as palavras, as fotografias nos levam a imaginar o que deve ter sido. Amei as fotos.
Rosa, bom dia! Não entendo: está provado que o brasileiro é um dos povos que mais viaja ao exterior e não há – pelo menos não vi até agora – quem apresente uma atração em português (salvo em Portugal, obviamente). América do Sul ou Europa, ainda não senti essa satisfação.
Você sabe de minha revolta ao visitar a fábrica da Occitane na Provence: usam matéria prima brasileira na fabricação de alguns de seus produtos, e quando um brasileiro vai visitar a fábrica precisa pagar um guia que lhe faça a tradução da explanação. Não falam outro idioma que não seja o francês, não há um folheto, um livreto, nada! que possa auxiliá-lo em alguma coisa. É lastimável… Bjks.
UMA PENA, QUEM SABE QUE COM A EVOLUÇÃO DO SER HUMANO A GENEROSIDADE FALE MAIS DO QUE $ E SE PASSSE A TER MAIS CARINHOS COM OS ESTRANGEIROS.
Fui avisada de que a operadora não era recomendável, não ouvi minha agente de viagens e agora lhes digo que concordo plenamente.
Bjks e obrigada.