ARGENTINA . BARILOCHE . Cerro Tronador e Ventisquero Negro. Você Nunca Viu Nada Igual!

 

1 – CERRO TRONADOR e VENTISQUERO NEGRO – A possibilidade de o Cerro Tronador vir a entrar novamente em erupção é remota, considerando que sua última atividade, segundo estudiosos do assunto, data de mais de 10.000 anos.
Agora, quanto ao Ventisquero Negro, enquanto houver temperaturas baixas sua negritude continuará surpreendendo e amedrontando aqueles que viajam só para contemplá-lo.

IMAGEM DESTACADACERRO TRONADOR vulcão inativo (Atenção: inativo não quer dizer que esteja extinto) da Cordilheira dos Andes, localizado entre a Argentina e o Chile, a 80 km de San Carlos de Bariloche.
Nesta mesma foto ainda vemos o Glaciar Manso, o Ventisquero Negro e o Lago Ventisquero (ou Manso).

1 – A FORMAÇÃO do  VENTISQUERO NEGRO

Segue um esquema que explica facilmente como se formou o Ventisquero.

 

 

A- Zona de acumulação de neve no Glaciar Manso;
B- Zona de desmoronamento;
C- Cone de acumulação de gelo no Glaciar reconstituído;
D- Glaciar reconstituído Ventisquero Negro
E- Zona de Derretimento (o lago)

1- Massa formada por sedimentos transportados por uma geleira;
2- Lago com pedaços de gelo;
3- Ventisquero Negro;
4- Serak (blocos de gelos de grandes dimensões, fragmentados pelo movimento das geleiras. Os séraks formam-se pela interferência das fendas)
5- Glaciar Manso.

 

2 – O QUE É VENTISQUERO?

É o nome dado ao excessivo acúmulo de neve em determinados locais das montanhas. Estas áreas são protegidas por paredões formados pela própria constituição do terreno. E como este ventisquero assemelha-se a um vale, esta formação favorece a ação de ventos fortíssimos que sopram na vertical no sentido de redemoinhos, levando a neve para essas depressões.
O Ventisquero Negro, um glaciar localizado na base do Cerro Tronador, é um exemplo a ser considerado por ser originário do Glaciar Manso – esse monte de gelo que se vê na foto abaixo.

 

É nesta depressão que a neve e os blocos de gelo que ininterruptamente se desprendem do topo do Cerro Tronador, se acumularam e se solidificaram ao longo dos anos.
É nesta depressão que a neve e os blocos de gelo que ininterruptamente se desprendem do topo do Cerro Tronador, acumularam-se e solidificaram-se ao longo dos anos.

2.1 – POR QUE O GELO TORNA-SE NEGRO?

Porque a geleira vem acumulando sedimentações¹ que lhe deram essa característica diferenciada dos demais glaciares.
Esta geleira, além de contar com a ajuda de fortes ventos como citado acima, também faz as vezes de um aparador de avalanches que desmoronam do cume do Cerro Tronador, situado a 3.478 m de altura acima do nível do mar.

Na queda, os blocos de gelo arrastam material vulcânico, pedras e outros detritos que ficam comprimidos entre as diversas camadas de neve; com o decorrer do tempo, vão se compactando.
Ao se desprenderem do topo desTe vulcão, os blocos de gelo produzem estrondos assustadores tais quais poderosos trovões; por isso a montanha que separa a Argentina do Chile é chamada de Cerro Tronador.

 

 

A placa informa sem complicações a composição do ventisquero.

 

A robustez do Tronador seria suficiente para justificar seu nome.

 

 

3 – A NATUREZA MOSTRA SEU PODER

O conjunto da obra natural assusta. O Tronador expressa seu poder não só por seus quilômetros de altura desde o nível do mar, bem como por seus fortíssimos “tronos”. A montanha vocifera! Some-se a esse perfil o Glaciar Manso de dezenas de metros de altura, mais o ventisquero de gelo quase negro; como resultado desse contexto está o lago de águas verdes e leitosasmaculadas pelos blocos de gelo que apara das avalanches e do próprio ventisquero.
O cenário amedronta e estasia ao mesmo tempo. Essa mistura de emoções, creio eu, deve-se ao fato de podermos nos aproximar demasiadamente desses fenômenos.
O Tronador visto de Pampa Linda é uma coisa. Vê-lo de baixo pra cima, meu amigo…, é outra história.

 

 

 

 

Não há céu azul que amenize a rigidez do cenário.

 

 

A pequenez do ser humano, diante do poderio da Natureza. Literal e espiritualmente comprovada.

 

Lago Ventisquero – consequência do aquecimento global.

 

4 – OS TRÊS CUMES DO TRONADOR

Do lado argentino está o Parque Nacional Nahuel Huapi. Do lado chileno, o Vicente Perez Rosalez, em Llanquihue, tão maravilhoso quanto o argentino, e que também tivemos oportunidade de visitar – objeto de futura postagem.

O Cerro Tronador destaca-se por três topos:
1 – A leste, o argentino, com 3.200 msnm;
2 – A oeste, o chileno, com 3.320 msnm;
3 – E o chamado Internacional, por ser fronteiriço, a 3554 msnm (metros sobre o nível do mar).

Segundo nosso guia, a montanha é vista das cidades de Osorno, Frutillar e Chiloé, no Chile. Para se ter uma idéia, Chiloé, ilha que também tivemos a satisfação de visitar, dista do cerro em aproximadamente 200 km!
Saiba mais a respeito de Frutillar, clicando aqui e aqui.

5 – O DILÚVIO de JUNHO DE 2009

No decorrer do percurso percebemos rastros de destruição a partir de Pampa Linda.
A quantidade de pedras de volumes desmesurados nos deu a impressão de foram lançadas por uma explosão de proporções inimagináveis. Uma imensidão de troncos de árvores e galhos misturados com pedras e terra debruavam o Rio Manso, que nesse momento não passava de um filete verde, um riacho muito acanhado.
Ficamos boquiabertos quanto soubemos o motivo de tanta destruição, impressionados com a brutalidade da natureza. Toneladas de pedras rolaram a montanha e rasgaram a floresta em violento atropelo. Alguns dos antigos caminhos foram interrompidos, outros foram alastrados, e novos caminhos foram abertos pela força da água e das avalanches de pedras. Resultados de devastações a que assistimos no cinema e pensamos ser engenharia de efeitos especiais, vimos ao vivo e em cores.

6 – A VERDADE VEIO À TONA NO MOMENTO CERTO

No caminho de volta para Bariloche foi que o guia nos explicou que em final de maio de 2009 começou a chover torrencialmente e que esse pesadelo só terminou após 22 dias. Saldo: rastro de destruição que atingiu 8 km!
O Lago Ventisquero (ou Manso) rompeu e suas águas destruíram parte do caminho que levava os visitantes ao cerro. A ponte sobre o Rio Manso foi destruída; automóveis foram arrastados e a área mais atingida foi evacuada.
O rompimento do lago foi apenas uma das vertentes da tragédia ecológica. Ao visitarmos a Base do Cerro Tronador, testemunhamos que a Garganta do Diabo contribuiu fortemente para esse cenário desolador. Os rastros que você vê nas fotos abaixo não deixam dúvidas.

 

Caminho de Pampa Linda até ao Ventisquero Negro.
Caminho de Pampa Linda até ao Ventisquero Negro.

 

Até este momento, na ida para o Ventisquero, nada havia sido dito a respeito deste cenário.
Até este momento, na ida para o Ventisquero, nada havia sido dito a respeito deste cenário.

 

Observe o volume de água do Rio Manso neste trecho da localidade chamada Pampa Linda, e a largura  do leito do rio criado pela chuva de maio de 2009.

Até alcançarmos o Lago Ventisquero encontramos muitas pedras maiores que essa ladeando os novos caminhos de acesso ao Tronador. Avalanches de pedras chegaram a modificar o curso do Rio Manso.

Ao retornarmos para Bariloche e percorrermos esses mesmos caminhos, foi que tomamos conhecimento daquele episódio.

Achei providencial o guia ter omitido o fato em nossa ida ao ventisquero. Vai que começa a chover fortemente...
Achei providencial o guia ter omitido o fato em nossa ida ao ventisquero. Vai que começa a chover fortemente… 

 

Três anos após a calamidade alguns locais permaneciam sem qualquer sinal de vida. O rastro de devastação que as avalanches de pedra deixaram foram profundos – feridas que apenas o tempo se encarregará de cicatrizá-las. Ou não.

 

Em nossa visita à Base do Cerro Tronador foi que tivemos a real dimensão do drama.
Nossa visita à Base do Cerro Tronador (acima) ampliou a noção que tivemos da real dimensão do drama.

 

no alto, à esquerda, uma parte minúscula da Garganta do Diabo.
No alto, à esquerda, uma parte minúscula da Garganta do Diabo.

 

A Garganta do Diabo à esquerda da foto.
A Garganta do Diabo à esquerda da foto.

 

 

 

A Base do Cerro é um local com jeito de camping, preparada para quem desejar passar o dia curtindo a floresta, fazer piqueniques. Lugar ideal para soltar a criançada. A propriedade dispõe de mesas  para muitas pessoas e banheiros.

 

O passeio é lindo e vale muito à pena, apesar de o cenário desta época ter sido assustador. Leve em conta que a catástrofe foi em 2009.
Em Bariloche, inclua essa visita em  seu roteiro.

 

1 – Entende-se como “sedimentação” o material sólido suspenso em um líquido e que devido à ação da gravidade acabam afundando. Essas partículas são transportadas pela água (chuvas, rios, neve) e se depositam em fundos de lagos, rios…

Postagem atualizada em 30.01.2025.

 

6 comentários em “ARGENTINA . BARILOCHE . Cerro Tronador e Ventisquero Negro. Você Nunca Viu Nada Igual!

    1. Estimado amigo,
      aquela placa que postei é bastante elucidativa. O poder de síntese de quem a desenhou é extraordinário – em rápido esquema foi decifrada a charada. Também gostei muito.
      Abraços e o agradecimento da Marilia.

  1. Estive em 2004, no Cerro Tronador, no início de setembro! Maravilhoso e com muita neve. Na base do vulcão, encontrei o lago congelado e as geleiras azuis no Ventisquero. Foi inesquecível, pois o carro quebrou, na Cordilheira, no parque do lado argentino, esperamos ajuda da guarda Nacional Nahuel Huapi. Pequei o passeio todo nevando muito, nos dois dias que estive em Bariloche. Amei, pura aventura!

    1. Olá, Maria Cristina!
      Primeiramente, muito obrigada por seu comentário. Seu relato é tão rico que consegui visualizar a cena maravilhosa que vivenciou.
      Caso seja de sua vontade, envie fotos deste seu momento. Terei muita satisfação em acrescentá-las à postagem, com o devido crédito, obviamente.
      Muito obrigada por sua visita ao blog.
      Muitas viagens!
      Abraços da Marilia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *