TRAVESSIA DE BARILOCHE A PUERTO VARAS – Não importa em que sentido você viaje, a responsável por essa travessia é a Cruce Andino desde seu início.
IMAGEM DESTACADA – Lago Frias.

1 – UM POUCO DE HISTÓRIA
A empresa foi inaugurada em 1913 por um suíço de nome Ricardo Roth que vislumbrou, no caminho registrado pelo alemão Karl Wiederhold, a possibilidade de unir os dois países através do turismo.
Muitos anos antes este caminho fora aberto pelos indígenas da região, e mais tarde serviu de passagem para missionários e exploradores.
Karl Wiederhold valeu-se dessa trilha que cruzava a fronteira pelo beneficio que obtinha em sua atividade comercial – levava lã de ovelha da Argentina para o Chile, e depois a exportava para a Europa.
Motivos alheios a sua vontade o levaram à falência, mas os caminhos que levariam o visionário ao sucesso já estavam abertos.
Milhares de turistas provenientes de diversos países já atravessaram a Cordilheira dos Andes com a Cruce Andino, por ser a única empresa a operar este passeio.
Esse tráfego prova que o “caminho das pedras”, aberto oficialmente no final do século XIX com o nome de Chile-Argentina, não foi esquecido, e agora lagos, rios, cachoeiras e montanhas de ambos os países estão ao nosso alcance.
Esse patrimônio exuberante em belezas naturais, sem esquecer os vulcões Tronador, Osorno e Pontiagudo, envolvido em um abraço de proporções gigantescas pelos Parques Nacionais Vicente Pérez Rosales, no Chile, e pelo Nahuel Huapi, na Argentina, merece ser apreciado.
2 – A TRAVESSIA
De acordo com o estabelecido no comprovante de compra de passagem que recebemos por e.mail, os passageiros têm que fazer check-in no prazo de 48 horas antes da data da viagem nos endereços informados neste comprovante.
A van que nos pegou no Hotel Três Reyes para nos levar até Puerto Pañuelo chegou atrasada; mas, como este transfer é por conta da empresa, não tínhamos com o que nos preocupar.
Após as malas estarem devidamente etiquetadas, partimos para Porto Pañuelo já sabendo que só colocaríamos as mãos nas malas quando chegássemos ao porto do Lago Todos os Santos, no Chile.
- Antes de mais nada é interessante esclarecer o seguinte: cada lago tem 2 portos; como são três lagos, o nome de 6 portos serão citados e pode gerar alguma confusão; por este motivo incluí mapas em cada etapa.
Para quem navega no sentido Bariloche – Puerto Varas, as duas pontas do primeiro lago são as que seguem no item 1.


O porto é bonito e muito bem estruturado. Conta com um Café, uma boutique e uma Loja de Conveniência. Os banheiros são grandes e limpos.


Em Puerto Pañuelo os passageiros devem pagar a taxa de embarque no valor de US$ 3,5 ou o equivalente em moeda nacional, em dinheiro e por pessoa. O número e turista assustou, mas essa fila andou rapidinho porque havia muitos guichês na cobrança.
2.1 – PORTO PAÑUELO/Navegação pelo Lago Nahuel Huapi/PUERTO BLEST
Nesta primeira etapa, a travessia do lago levou, aproximadamente, 1 hora.



Apesar de o dia estar lindo (não choveu em momento algum!) fazia frio, mas houve quem não se importasse com o vento gelado e optasse por um lugar ao sol.
É sabido que nesse trajeto costuma chover ou, quando não chove, o tempo quase sempre está nublado. Concluí que fomos privilegiados por termos viajado 99% do percurso em céu de brigadeiro. Esse 1% ficou para a última etapa da viagem, quando o tempo nublou ao cair da tarde.




Um vídeo vapt-vupt mostra a maravilha que é o Lago Frias, o mais bonito dos três em minha opinião.

- Ao fundo vê-se a Isla Centinela, onde estão sepultados os restos mortais do Perito Moreno após terem sido exumados do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, 25 anos depois de sua morte, ocorrida em 1919.
Todo o procedimento para o transporte do corpo de Francisco Pascasio Moreno e as homenagens póstumas você poderá conhecer clicando aqui.
Em reverência ao respeitável naturalista, explorador e cientista argentino, os comandantes das embarcações ao passarem pela ilha, soam o apito.

2.2 – PUERTO BLEST/ônibus/PUERTO ALEGRE
Na segunda etapa saímos de Puerto Blest (a outra ponta do Lago Nahuel Huapi) e embarcamos neste ônibus que já nos aguardava para seguirmos para Puerto Alegre (uma ponta do Lago Frias) onde chegamos após 10 minutinhos de estrada.


No Lago Frias um espelho, ao refletir imagens em sua superfície verde e tranquila, desenhou formas que só a imaginação de cada um define…



2.3 – PUERTO ALEGRE/Navegação pelo Lago Frias/PUERTO FRIAS – A FRONTEIRA ARGENTINA/CHILE.
Trata-se da outra ponta do lago onde desembarcamos, para depois pegarmos o terceiro ônibus e mostrarmos passaporte sem revista de bagagens.




2.4 – PUERTO FRIAS/ônibus/PEULLA
Foram duas horas de tráfego no caminho das pedras até chegarmos ao Hotel Natura Patagônia, porém com uma breve parada para sacada de fotos. Neste ponto pudemos admirar o Cerro Tronador na fronteira entre os dois países.




2.5 – A ADUANA CHILENA,
em Peulla, fica praticamente ao lado do Hotel Natura Patagônia, onde almoçamos – um quebra galho que não valeu o tempo de espera para sermos atendidos já sentados à mesa, a qualidade do prato e do atendimento, e muito menos o preço pago: alto demais ( se não me engano pagamos perto de US$30 – trinta dólares).

Nesta fronteira foi onde demoramos um pouco mais devido aos trâmites mais rigorosos. Há proibições para entrada de produtos agrícolas e animais e por isso cada bagagem é revistada em presença do dono.
O serviço é muito organizado: os carregadores de bordo colocam todas as bagagens na sala de inspeção antes de os passageiros chegarem, a fim de que cada um identifique sua mala ao entrar e a coloque em cima de uma longa mesa.
Tivemos sorte com o fiscal que revistou as nossas: era um senhor simpático e educado que limitou-se em tatear o conteúdo da mala e nada mais. Talvez por viajarmos com malas pouco maiores que uma de cabine de avião (ou por termos sido os últimos da fila e ele já estar cansado), ficou prático para ambas as partes. Dali fomos direto para o Hotel Natura Patagônia para almoçar (?).

3 – ONDE HOSPEDAR
3.1 – O HOTEL NATURA PATAGÔNIA
é grande, bonito, bem cuidado exteriormente e talvez por isso impressione. Entretanto, ao procurar opiniões a seu respeito na internet, li muitas críticas negativas referentes às acomodações e atenção dos funcionários.
Na parte relativa ao restaurante – mau atendimento, comida ruim e cara -, concordei com várias opiniões.
Há outro hotel ao lado, o Hotel Peulla, que só percebi ao embarcamos novamente. Além de o Natura ter localização privilegiada (ao lado da aduana) há dois pormenores que merecem atenção:
Primeiramente, o porto não fica na frente do Patagônia – isso é uma coisa. Em segundo lugar, o Hotel Peulla faz “esquina” com a lateral esquerda do Natura e por isso fica escondido; ou seja, a possibilidade de ser visto é praticamente nenhuma, levando-se em consideração que nossa chegada é pelo lado direito do Natura Patagônia.
Clique no mapa e quando aparecer a luva arraste-a para visualizar a localização dos hotéis.
As partes comuns do Natura Patagônia a que tivemos acesso foram decoradas com originalidade e algumas peças não passam despercebidas.

A intenção de trazer a natureza para dentro do hotel é inequívoca.
Saltam aos olhos as pedras da fonte, o riacho que atravessa uma parte do térreo, o tronco de árvore esculpido pela própria natureza colocado no canto do salão, os bancos do estar, a iluminação natural, e a peça que mais me chamou atenção: o balcão do bar – um tronco de tamanho respeitável com dois galhos desafiadores, instalado com engenho e arte.





2.5 – PUERTO PEULLA/Lago Todos os Santos ou Esmeralda/PETROHUÉ
foi a última parte de nossa aventura em que cruzamos o Lago Todos os Santos ou Esmeralda em aproximadamente 2.00 horas.



Meia hora após sairmos de Porto Peulla, avistamos o Osorno e o Pontiagudo. No dia seguinte, visitamos o Vulcão Osorno.



2.6 – PETROHUÉ/ônibus/PUERTO VARAS
2.6.1 – O DESEMBARQUE EM PETROHUÉ
é tão organizado quanto o embarque. Antes de a embarcação atracar um funcionário orienta para que os passageiros peguem suas bagagens e se direcionem para determinado ônibus. Aqui, muitos tomam destinos diferentes e por isso há necessidade de separar os grupos.
4 – DOIS INCONVENIENTES
4.1 – O DESEMBARQUE em PUERTO VARAS.
Nosso ônibus não nos deixou no Centro de Puerto Varas. Tivemos que descer em frente ao Hotel Cumbres – afastado em apenas 3 minutinhos de carro do Hotel Weisserhaus, onde nos hospedamos -, mas que se tornou um obstáculo para nós, devido à falta de taxis circulando pela cidade. Fôssemos jovens, sairíamos arrastando malas pelas ruas.
Apelamos então para a recepção do Cumbre e tivemos a sorte de sermos atendidos por um senhor de extrema boa vontade que até cafézinho nos ofereceu! Um taxista foi chamado para fazer duas corridas, e ainda tivemos que esperar por bom tempo.
4.2 – SALTOS DE PETROHUÉ
4.3 – A VANTAGEM DE QUEM VIAJA NO SENTIDO CHILE/ARGENTINA
Os turistas que partem do Chile têm uma vantagem sobre quem faz o de Bariloche a Puerto Varas, pelo seguinte: antes de chegarem ao porto do Lago Todos os Santos, o grupo visita os Saltos de Petrohué. Quem viajou no sentido contrário, em 09/11/2019, perdeu o passeio.
Como o horário destas chegadas depende do número de turistas a bordo, é possível que essa parte da programação não seja cumprida com frequência devido ao horário de fechamento do parque. Foi o que aconteceu conosco: mofamos com as pombas na balaia e ficou por isso mesmo.
Com o jornalista autor do blog viajenaviagem.com, em 2010, sucedeu o mesmo segundo seu relato. Ora, como a Cruce Andino é a única empresa que explora esse passeio, você acha que alguém desta empresa ouvirá um ou outro passageiro que reclama?
- DA JANELA DO ÔNIBUS
Quem senta-se à esquerda do ônibus pode ter idéia dos Saltos de Petrohué em determinado momento do trajeto para Puerto Varas pelo seguinte: a estrada margeia o parque, e durante alguns segundos os passageiros podem apreciar, “de grátis”, as corredeiras verdes que atraem tantos turistas.E quem escolhe o lado direito do ônibus, acompanha o Lago Llanquihué em quase todo o trajeto até Puerto Varas.

