A postagem é longa… Procurei lançar “um compacto” de nossa ida de Amsterdam à cidade belga, mas acabei gravando um “LP” e um “CD”.
Por esse motivo dividi a postagem para o Facebook em lado “A” e “B” desse Long Play. Aqui, publico um CD, que só tem um lado.
IMAGEM DESTACADA – Minewaterbrug, de onde cliquei o Lago do Amor.
Gostei tanto da cidade quando a visitei em 1986, que sugeri a meu fiel escudeiro que fizéssemos um passeio de Amsterdam até lá.
Ingressamos em um tour, mas… não valeu nem pelo conforto e praticidade da viagem, nem pelo curto tempo dispensado àquela que me impressionou em 86.
Hospedamo-nos no Hotel Singel, devido sua proximidade com a Centraal Station, e em 10 minutinhos, caminhando tranquilamente, chegamos à charmosa e histórica estação.
COMO CHEGAMOS AO LOCAL DE EMBARQUE PARA BRUGES
A maneira mais prática é acessar a passagem para ciclistas à esquerda de quem está chegando à Centraal Station – essa da foto abaixo.

No final dessa passagem fica o Rio IJ, onde você poderá pegar a balsa para atravessá-lo e chegar à Torre A’Dam Lookout, ao Museu do Cinema e ainda ao This Is Holland.

… ou poderá subir as escadas (rolantes ou não) para embarcar nos ônibus que trafegam pela cidade e periferia – Zaanse Schans, por exemplo.

A PARTE EXTERNA
do térreo da Centraal é muito bem cuidada, limpa e dotada de lojas interessantes.


Não é tão rica em comércio como na parte interna, mas lá você encontra supermercado, loja de presentes especializada em motivos holandeses (I Amsterdam), e uma loja muito interessante: a Service Point, onde se encontra malas, mochilas, cadeados, identificadores de mala, capas de chuva, guarda-chuvas, mas também graxa de diversas cores para conservar calçados, palmilhas – inclusive ortopédicas – e cadarços. Ah! Pilhas e baterias também.
Além desse comércio, há alguns restaurantes e Cafés que quebram um galhão e valem para fazer hora caso você tenha chegado com muita antecedência à Centraal Station.




Um banheiro público não faltaria, claro – moderno, cheiroso, limpíssimo e devidamente municiado com toalhas de papel, secadores de mão, sabonete, papel higiênico, e produto para assepsia de vaso sanitário em cada compartimento. Pagamento automático, efetuado com cartão ou moedas.





Tudo organizado. A loja é bem grande e o atendimento é efetuado de acordo com o destino escolhido.
Fomos logo chamados por uma funcionária gentil e simpática que, sem demora, examinou nossos bilhetes, apontou o lugar de onde partiriam os ônibus (bem em frente à loja) e pediu-nos que ficássemos atentos à chamada para Bruges.
Sem demora, um jovem apareceu e suspendeu uma placa com o nome da cidade.
Conferidos os bilhetes, fomos conduzidos a um ônibus de dois andares cujas poltronas eram confortáveis, mas de espaço curtíssimo entre uma poltrona e outra.


Colocar os pés descalços em cima do banco e viajar com as pernas dobradas acho que seria até mais confortável.
Houve um momento em que a passageira da frente, abusada, ousou reclinar o encosto de sua poltrona! Levei um susto: o encosto quase me bateu nos peitos e me imprensou contra a poltrona em que eu estava. Não tive alternativa, a não ser empurrar levemente o encosto “de sua poltrona para a posição vertical”, para ver se a passageira se mancava. Felizmente deu resultado e a cara de pau desistiu de viajar deitada. O aperto era grande e sair das poltronas era até difícil. E como o ônibus estava lotado, era impossível mudar de lugar.
Nosso guia chamava-se Pedro – assim mesmo, como pronunciamos em português.
Era o segundo Pedro que conhecíamos. O primeiro havia sido no dia anterior, viajando para Giethoorn. Este, que apelidei de Pedro I, fez questão de dizer que seu nome era Peee-dro! e que, por favor, não o chamassem de Peter, Pierre, Petrus ou algo parecido. “Meu nome é PE-DRO!”- disse em alto e bom som.
Achei interessante encontrar essas duas criaturas com o mesmo nome e trabalhando em funções idênticas.
Pedro II, o guia de Bruges, distribuiu um rádio para todos os passageiros assim que o ônibus partiu. Pediu-nos que sintonizasse o canal 5 e usássemos o fone a fim de saber se todos o ouviam. A regulagem do som dependia de cada um. Show!

Foi com esse método superinteressante e avançado que percorremos as ruas de Bruges. Descemos em um estacionamento próprio para ônibus onde pudemos usar um banheiro público simples, mas bem limpo, antes de começar a caminhada.



Atravessamos a Bargebrug e seguimos pela esquerda para atravessarmos mais uma ponte: a Minewaterbrug, de onde se vislumbra bela paisagem do Lago do Amor (Lago Minewater) e entorno.
A partir desse ponto tivemos que começar a correr para acompanharmos a narrativa de Pedro II, que passava como um TGV pelos pontos de interesse. Corria mais que o frango veloz da Sadia descrevendo os lugares por onde passava, mas não parava; ou seja, diretamente, fazia-nos correr também a fim de não perdermos as descrições.
Passamos em frente à Poertoren (a Torre da Pólvora, com mais de 18 m de altura, datada de 1401. A torre é uma lembrança das muralhas que cercavam a cidade; lá, funcionava um paiol) e seguimos pela direita, pela Begijnenvest, uma rua que acompanhando o Lago do Amor.

Por esta rua chegamos a uma construção denominada Sashuis – uma residência bastante fotografada por sua beleza.




QUEM ERAM AS BEGUINAS?
Antes de prosseguir é interessante explicar quem eram as beguinas. Eram mulheres católicas, leigas (eram assim denominadas porque não pertenciam ao clero e nem a uma ordem religiosa. E, clero, é a denominação que se dá aos sacerdotes; aos religiosos que fazem parte de uma igreja, não necessariamente católica. “O clero é representado pelos padres, bispos, arcebispos, cardeais e o Papa, e cada um possui sua própria função na hierarquia da Igreja, e são responsáveis pelos cultos”), que cuidavam de pobres e doentes. Não eram enclausuradas, não faziam votos, não perdiam suas propriedades e podiam se casar.
Atualmente, o antigo beguinage é ocupado por freiras da Ordem de São Bento.
A história da criação e da expansão dos beguinários é interessantíssima. Saiba mais clicando aqui.

Continuando: Deixamos o jardim passando por um portal; a seguir, por uma ponte, e logo chegamos a um bebedouro para cavalos (o Horse Head Drinking Fountain, na Wijngaardstraat) muito interessante. Nessa obra de arte os cavalos que puxam as charretes saciam sua sede e são alimentados. Os cavalos são poupados em certos dias da semana…; esse descanso compensa os dias em que são obrigados a puxar charretes para a turistada?

Logo após passamos pelos jardins de Wijngaardplein – a parte externa do beguinage -, repleto de cisnes.

Pedro II caminhou bastante com o grupo – cerca de duas horas. Vez ou outra o perdíamos de vista, mas ouvi-lo pelo rádio nos deixava tranquilos.
Em determinado momento anunciou que iríamos almoçar.
Lembro-me de termos passado pela Blinde-Ezelstraat (passagem sob o arco que se vê na foto abaixo) e, logo após, termos cruzado o canal por uma pequena ponte e seguirmos mais alguns metros “com obstáculos” – um mundaréu de gente andando devagar -, pela direita.



Nosso encontro com Pedro II seria algum tempo depois, na praça principal, a Grote Markt, ao lado do Campanário de Bruges (Torre Belfort).

ONDE EMBARCAR PARA PASSEAR PELOS CANAIS
Continuamos em direção à Huidenvettersplein , uma pequena praça repleta de restaurantes. Estivéssemos por nossa conta, era lá que almoçaríamos.
Não reconheci esta praça, mas sim a rua Rozenhoedkaai – um dos pontos movimentados da cidade, por conta de um pequeno cais onde o visitante poderá fazer um tour de barco por alguns canais.

Este ponto de embarque que aparece ao fundo da imagem, fica na Rozenhoedkaai esquina de Pandreitie. Preço: 8 euros.


Na esquina seguinte há outro ponto de embarque – Dijver com Eerkhoutstraat.
E foi entre esses dois “cais” que almoçamos no Restaurante Matinée, no número 5.
Excelente em tudo: cardápio variado, sabor dos pratos, ambientação e atendimento. Valeu a indicação de Pedro II.





Nosso tempo livre foi após o almoço. Tomamos parte do caminho por onde havíamos passado para chegarmos até nosso ponto de encontro.
Na Huidenvettersplein passamos novamente por um restaurante especializado em pescados e frutos do mar – Les Moules.


Além de o cardápio ser bem convidativo, um detalhe não me escapou: o suporte da tulipa de cerveja (se é que posso chamá-lo assim) em madeira, com alça e tudo. Achei genial. Entendi ser útil para que a tulipa não esquente com o calor da mão – só pode ser.
A Bélgica é famosa por suas rendas e Bruges é o berço dessa arte. São rendas finíssimas, ricas em detalhes. Preços salgados, bem à altura dos elegantes trabalhos.

Namorei os artigos desta loja em 1986, mas a grana era muito curta para comprar a menor peça que fosse. Desta vez os interesses eram outros e nem paramos para olhar a vitrine.
Ao lado está o Vismarkt, o mercado de peixe aberto nas manhãs de quartas e sábado (já mostrado lá em cima na postagem).
É também local turístico de arte popular, interessantíssimo, onde várias pessoas expõem (e vendem) seus trabalhos artesanais. Preços convidativos para bordados, pinturas, bolsas, calçados, brinquedos e muitas peças originais.
Na Praça Burg admiramos o prédio da Prefeitura (Stadhuis), a Igreja do Sangue Sagrado … e o prédio do Oude Griffie – Antigo Registro Cívico da Justiça da Paz, construído para abrigar os registros públicos de 1537. Neste prédio funciona um museu.



O acesso da Praça Burg ao Mercado do Peixe, o Vismarkt, dá-se pela Blinde Ezelstraat – esta passagem em arco (que se vê à direita na foto) rica em detalhes arquitetônicos, que pertenceu à Prefeitura.
Na Steenstraat nº 2, compramos chocolates divinos na Galler e ainda aproveitamos o tempo que nos restava tomando um delicioso café no Gran Café Craememburg, na Grote Markt.


A Bélgica é famosa no mundo inteiro por seus chocolates. Não por acaso – a concorrência existe – as lojas espalhadas por toda a cidade chamam bastante atenção pela decoração de suas vitrines e algumas surpreendem pela originalidade de seus chocolates. Veja essa:


Mas a diversidade de ofertas do comércio não se limita a rendas e chocolates. Há lojas especializadas em artigos natalinos abertas o ano inteiro.


A Praça Burg que conheci em 1986 mostrava-se por inteiro ao visitante. Nada! atrapalhava a visão de quem chegasse. Destacavam-se no conjunto arquitetônico medieval, o Campanário do século XIII, com 83 metros de altura – são 366 degraus e 47 sinos -, e o Julgado Provincial.
Em abril de 2019 a visão da praça mais bonita da cidade era parcial. Sua beleza havia sido prejudicada devido a um parque de diversões que construíram em frente ao Campanário – um tremendo mau gosto.
Visitei-a em 1986, conforme disse, dez anos antes da reforma inaugurada em 1996, que proibiu o tráfego de automóveis. Era linda! Atualmente, charreteiros estacionam na praça à espera de turistas.
E por falar em charretes, quase fui atropelada por uma. Os charreteiros não têm como frear o veículo, por motivos óbvios, e daí, quem não estiver atento, corre o risco de atropelamento.
A cidade transborda de turistas “de um dia” em qualquer época do ano, mas, pelo que vimos, na Primavera e no Verão imagino que o movimento seja bem maior.
Embora tenhamos tentado em alguns momentos caminhar na velocidade Pedro II para nos vermos livre daquelas procissões inesperadas, não conseguíamos. Fui atropelada até por carrinho de bebê!
À medida que a noite chega, o movimento cai vertiginosamente e a cidade fica à mercê de quem ficou para apreciá-la em todo seu esplendor.
Pedro II acelerou mais ainda quando retornamos para o estacionamento. Mesmo correndo atrás de nosso “PGV – Pessoa de Grande Velocidade -, consegui alguns cliques da arquitetura e desse final de tarde.




Ao chegarmos à Bruges o estacionamento dos ônibus estava lotado. Quando retornamos, por volta das 17 horas, havia apenas dois ônibus e um deles era o “nosso”. A essa hora a cidade começava a deixar de ser a cidade turística para ser a verdadeira Bruges que merece ser curtida a passos lentos e olhos bem abertos. Lembre-se de que você está em uma cidade medieval! Aprecie-a sem moderação…


Para aproveitá-la como você merece, chegue cedo ou durma uma noite na cidade. De Amsterdam, viajando em ônibus de turismo, levamos 6 horas no trajeto, considerando ida e volta. A visita foi muito corrida, literalmente.
COMO CHEGAR EM TREM, FROM AMSTERDAM
Na Centraal Station, pegar o Thalys – trem de alta velocidade que trafega entre Amsterdam, Paris, Bruxelas e Colônia. Em Antuérpia será necessário trocar de trem. Este segundo trem o levará até Bruges.
No site https://www.rome2rio.com o interessado poderá simular viagens de trem, automóvel, avião, ônibus. Vale à pena consultá-lo, bem como aos sites do Thalys – https://www.thalys.com/fr/en -, e do https://www.raileurope.com.br.
“Somos todos viajantes de uma jornada cósmica – poeira de estrelas, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias.” DEEPAK CHOPRA
