Desde que a Praça Dorrego, a segunda mais antiga de Buenos Aires, tornou-se o centro da imensa feira de artesanato que acontece aos domingos de 10.00 h às 17.00 h, o bairro San Telmo passou a ser sinônimo de agitação. Pelo menos, nos fins de semana.
IMAGEM DESTACADA – Vista Parcial da Praça Dorrego, em Buenos Aires.
1 – UM POUCO de HISTÓRIA
1.1 – A ORIGEM DOS CONVENTILHOS DO BAIRRO LA BOCA
No passado San Telmo era um bairro populoso e chique da cidade, e foi o primeiro a contar com um hospital. Não apenas pelas facilidades oferecidas aos moradores, era a localidade predileta para os endinheirados erguerem suas residências.
Aconteceu que em 1871 teve que ser evacuado devido a um surto de febre amarela, e com isso os mais abastados migraram para Olivos.
Nessa época os ricos abandonaram o famoso bairro, e os menos privilegiados, que não tinham para aonde escapar, acabaram originando os conventilhos – casas construídas com chapas onduladas que ainda vemos no colorido, alegre e descontraído bairro Camiñito.
1.2 – ARQUITETURA
Caso você aprecie arquitetura uma volta pelas ruas de San Telmo valerá à pena. Alguns desses prédios foram recuperados e hoje abrigam pousadas, albergues e restaurantes. Aliás, o que não falta no bairro é lugar para dormir, comer e badalar. A febre agora não é mais de uma só cor – amarela; é multicolorida pela diversidade de estrangeiros em busca do melhor lugar para se divertir.
2 – ONDE NÃO COMER!
Há um restaurante muito indicado na Defensa – A Brasserie Pétanque – que não faz jus à fama que conquistou. Estivemos lá e os pratos que pedimos deixaram a desejar na preparação. A comida foi tão “popular” (mal feita, grosseira), que me senti no dever de chamar o gerente e reclamar. Fiz questão que soubesse que não estava lidando com trouxas e, muito menos, comendo o anunciado no cardápio.
Ah! Quase ia me esquecendo! Na esquina de Calle Defensa com Chile fica uma escultura da boneca Mafalda (acho seu humor semelhante ao do cachorrinho Snoopy). Seu criador, o argentino Quino, foi morador do bairro.

3 – EL PÁTIO DE LOS EZEIZA
Esta mansão de dois pavimentos foi construída em 1880 com três pátios no andar térreo: o Patio del Tiempo, o Patio del Árbol e o Patio de los Ezeiza, família respeitada que lá habitou. No segundo piso não há senão um pátio e uma espaçosa varanda.
Durante algum tempo, neste solar que abriram ao comércio a partir de 1981, funcionou uma escola de surdos-mudos. É uma das galerias que mais me atrai na Calle Defensa.

4 – O ANTIGO MERCADO DE SAN TELMO
Este mercado que inauguraram em fevereiro de 1987, permanece intacto em sua estrutura interna. Une o útil ao agradável, porque além de servir de ponto de encontro para os moradores do bairro prosearem entre uma compra e outra, também é atração turística. Visitar esses monumentos é voltar no tempo e sentir-se fazendo parte da Buenos Aires de antigamente. Adoro esse clima. Aliás, adoro Buenos Aires e em certo momento pensei em alugar um apartamento e ficar por lá por pelo menos 6 meses.




5 – NOVOS ARES NO MERCADO DE SAN TELMO
Voltamos ao Mercado de San Telmo em 2018 e 2019 e encontramos grandes diferenças para melhor.
Em 2018 ainda vimos alguns boxes fechados – talvez até pela hora em que estivemos lá -, o que não aconteceu em 2019. Era domingo e o mercado botava gente pelo ladrão.
O comércio diversificou e agora o visitante encontra vários lugares onde comer, encontra papelaria, brechós até dizer chega e uma loja de produtos naturais que é uma graça! Até o restaurante sem qualquer atrativo e de comida horrorosa que tivemos a infelicidade de escolher para almoçar, encheu. Nem nome o restaurante tinha.
6 – CAO
Chegamos até ao Bar de Cao, mas até agora não entendi o porquê de não termos entrado apenas para tomarmos um café. Este bar está classificado entre os cinco mais notáveis de Buenos Aires e mantém o ambiente tal qual na época de sua inauguração; ou seja, o bar data do início da Primeira Grande Guerra, em 1915!
Endereço do Bar de Cao
Av. Independencia 2400, esquina com Matheu – San Cristóbal
Abre diariamente
7 – EL FEDERAL
Em compensação curtimos o El Federal até dizer chega. Foi fundado em 1864 como armazém. Neste segundo endereço foi cenário para alguns filmes argentinos e continua sendo atração turística em Buenos Aires.

A movelaria impressiona pelo trabalho rico em detalhes. O arco de belíssimo entalhe sobre o balcão sustenta um relógio no meio de um medalhão. E como se não bastasse tanta exuberância, recebeu um vitral como complemento. A obra é deslumbrante!

Buenos Aires é pura Arte e História.
7.1 – MUDANÇA do EL FEDERAL PRÁ PIOR
Decepcionante o estado deplorável em que encontramos o El Federal em 2019: imundo, maltratado, desarrumado. Decadência em alto grau, infelizmente. A sujeira era tanta, que não tivemos coragem de tomar sequer um copo de água mineral ou um café, para não termos que usar o copo!!! As fotos não me deixam mentir.



Foi triste testemunhar a decadência de uma preciosidade dessas.
8 – O QUE ESPERAR DO BAIRRO AOS DOMINGOS
Na hora do almoço o trânsito de pedestres é o mesmo dentro e fora dos Cafés e restaurantes. Inevitavelmente, você encontrará dificuldade para encontrar lugar; por isso, trate de chegar cedo ou terá que esperar.
8.1 – A CALLE DEFENSA 1
Aos domingos, o antigo e tradicional bairro San Telmo veste-se com muitas cores e atrai turistas do mundo inteiro.
Não é apenas devido à feira que se estende pela Calle Defensa que o bairro fervilha aos domingos. A rua é repleta de galerias, e nesses apêndices o fervo não é diferente, porque todos os comerciantes da rua abrem suas portas para aguardar o início do agito – uma grande e animada festa onde quem chega é sempre bem-vindo.
8.2 – CALLE DEFENSA 2
Mesmo que você não se proponha a comprar nada, vale à pena enfrentar o rolê só pra conhecer essa atração de Buenos Aires. Agora…, vai ser difícil sair de lá sem comprar nada. Você terá que ter muita personalidade para manter a carteira fechada, ou ser aquele famoso pão duro da família. E aos domingos, dependendo da hora, o movimento é tão grande, que para você acessar um cantinho em determinadas lojas, onde viu um objeto descolado, tem que ter jogo de cintura pra chegar até ele ou muita paciência. Adoro a Defensa com ou sem feira.

8.3 – CALLE DEFENSA 3
Caso prefira ficar longe desse burburinho e curtir uma Calle Defensa Light, o ideal é visitá-la durante a semana e o motivo é muito simples: esta rua é tão maravilhosa quanto nos dias de agito.
E mais: no bairro há uma casa de tangos/restaurante dos mais afamados da cidade chamada El Viejo Almazén. Essa e outras tanguerias de seu entorno movimentam o bairro à noite em qualquer dia da semana. Clique nas letrinhas azuis aqui de trás e saiba mais.
8.4 – CALLE DEFENSA 4
A Calle Defensa não é mais ocupada pelos expositores porque eles agora oferecem suas mercadorias nas ruas próximas à Praça Dorrego. Isto significa que as pessoas podem caminhar sem obstáculos pela principal rua do bairro e observar o comércio tranquilamente. Mudou muito e para melhor. Aquela muvuca que fotografei na foto ali de cima, não existe mais!
É PURO GLAMOUR!
A Argentina é puro glamour. Amo esse país! Bjks e obrigada.
Amiga Marília,
Como sempre as histórias de suas experiências pelos lugares onde viajou primam pela completude. Nunca vi a Feira de San Telmo ser descrita de modo quase poético! Afinal, dá gosto de passar horas e horas por lá. Sabe o meu chapeuzinho de turista que tenho na foto de perfil? É um Panamá legítimo e tive a honra de adquirir esse meu sombreiro numa dessas recônditas e encantadoras casas da Plaza Dorrego. Foi onde vi também o mais puro tango ser cantado e interpretado nas próprias ruas.
Grande abraço!
Rodrigooo! Bom dia, amigo!
Você, como sempre, prima pela gentileza. Sinto-me honrada em tê-lo como participante de meu trabalho.
Você tem toda razão: a Feira de San Telmo é um grande e aprazível passatempo. Gosto de fuxicar cada cantinho daquelas barracas. A vontade é de comprar tudo, mas mesmo que estivesse jogando dinheiro pro alto, seria impossível. E nem é este o caso.
Sim! O chapéu que o faz transbordar em charme naquela foto! Como não saber? E mais razão ainda lhe dou ao se referir aos dançarinos de rua. São fantásticos! e nos oferecem a mais pura arte em troca de alguns pesos.
Buenos Aires é única!
Obrigada, Rodrigo, por mais esse comentário. Você sabe: a casa é sua.
Abraços da Marilia.