Não consigo entender como um hotel com o perfil do San Rafael é representado com 4 estrelas em um site respeitável de busca por hotéis, e outro, de categoria muito superior como o Camboa, na mesma cidade de Paranaguá, figura com apenas três.
IMAGEM DESTACADA –
Bem localizado ele é (está próximo dos embarcadouros para quem parte para a Ilha do Mel. Vale lembrar que partindo de Paranaguá a navegação é mais demorada), e as áreas de circulação não desagradam em aparência – são arrumadas e limpas. Pelo tipo de material empregado na reforma – cerâmica -, o hotel está mais para pousada de beira de praia que para centro de cidade, mas… trata-se apenas de um detalhe. Agora, incluí-lo em categoria 4 estrelas é sacrilégio. Né não, São Raphael?
1 – O HOTEL
O prédio consta do andar térreo, onde não há acomodações, e primeiro andar; por isso não há elevador! Os corredores são longos, bem comuns em hotéis mais simples de antigamente.
1.1 – OS QUARTOS PROBLEMÁTICOS
Inicialmente nos indicaram o quarto 107, que além de pequeno era mal aparentado. A impressão que tive foi a de um quarto compartilhado de hospital.
Em lugar de cortinas usaram apenas aquele plástico grosso corta-luz. Cinco pessoas tentaram abrir um cofre defeituoso, mas não houve jeito porque tiveram que contratar o serviço de um chaveiro no dia seguinte para resgatarmos dinheiro e documentos. Além do cofre, o chuveiro também apresentou problemas.
Na hora do banho, quando quis esfriar a água do chuveiro, não consegui porque o misturador (uma peça que pendia do próprio chuveiro) caiu no chão assim que foi tocada. A água fervia! O técnico de plantão chegou, deu uma olhada e logo saiu sem resolver absolutamente nada. Havia uma Tv, um aparelho de ar condicionadoe um armário.
Hotel categoria 4 estrelas sim, porém abaixo de zero.


1.2 – QUARTO Nº II
Solicitamos mudança de quarto e fomos destinados para o apartamento 105, de frente para a rua.
O prédio, conforme disse ali em cima, foi guaribado; e nessa tapeação, recuaram as posições das janelas, e a fachada original foi coberta com vidros escuros que não deixavam passar o ar. Não tiveram o capricho de eliminar as longas e desnecessárias jardineiras existentes na arquitetura original do prédio, que acabaram servindo como aparadores de tubulações e de lixo. As janelas abriam porque estavam atrás da fachada do edifício, mas não deixavam passar o ar devido aos vidros que não abriam. Daí,va a vítima fica dependendo do funcionamento do ar condicionado.
Hotel 4 estrelas! Vá anotando!



No quarto 105, a lembrança de um curto estampada no espelho da tomada. Um foguinho de nada…Coisa pouca para o que você lerá aqui embaixo, ó.
2 – MISTÉÉÉRIO…
Aos poucos as estrelas decadentes – nada a ver com cadentes. É parecido, mas não é a mesma coisa – foram se revelando.
Neste quarto 105 aconteceu um fato que nunca em minha história de viajante havia visto: vez ou outra o telefone tocava, e ao atendê-lo não havia ninguém o outro lado da linha. Achei estranho e liguei para a recepção e quem me atendeu jurou que não havia ligado para o quarto. Mais estranho ainda era o ar condicionado que desligava sozinho.
2.1 – TELEFONE X AR CONDICIONADO.
“- PODE ISSO, ARNALDO?”
Não foi preciso chamar novamente o técnico (aquele mesmo que não havia resolvido o problema do chuveiro e nem do cofre, lembra?) porque esse era um caso por demais complexo. Cheguei a pensar em Mister M, mas acabei matando a charada com um pouco de observação. Juntei os dois mistérios e não deu outra: todas as vezes que o telefone tocava, ao atendê-lo, automaticamente, o split desligava! Pode isso? Pode! E mais: caso não o atendêssemos ele tocava intermitentemente; e se o deixássemos fora do gancho, o split não ligava novamente. Coisa de doido, mas aconteceu.
Melhor que isso para justificar o mau funcionamento da parte elétrica do hotel, impossível. Afastei a cama e encontrei o rolo de fios que você vê na foto abaixo. Fios sem conduíte, apenas enrolados naquele plástico frágil em espiral, apropriado para cobrir fiação de computadores. Nada a ver com fiação elétrica de telefonia e muito menos de um split. Nota: hotel 4 estrelas!!!

Niki estávamos relatando esse mistério aos funcionários da recepção, chegou o gerente, já avisado dos problemas pelos quais passávamos. Desdobrou-se em simpatia (aquela que já conheço há anos: sorria sempre/o cliente tem sempre razão) e, conversa-vai-conversa-vem, deu uma azeitada no papo e ofereceu-nos para dormir em um terceiro quarto, o 109. Inicialmente agradecemos muito e dissemos que continuaríamos no 105, que não precisava se incomodar, blá-blá–blá…
Aconteceu que o calor era insuportável no 105 e fomos obrigados a nos mudar para o 109 apenas para dormir.
Nesse quarto observei que a composição do apartamento não era nada demais, mas era a ideal para hóspedes que optassem por acomodações standart como nós, só que tudo funcionava. O quarto continuava pequeno, mas com boa aparência.
NOTA: achei engraçado, porque da maneira como o gerente o apresentou, pensei que se tratasse de uma baita suíte, mas não era nada disso. Bom, pelo menos, não seríamos torturados pelo calor porque o split funcionava.
3 – A PARTE SEM DEFEITOS. CLARO, TUDO TEM MAIS DE UM LADO!
Piscina ao ar livre, bom café da manhã, funcionários simpáticos, pacientes e educados. Um deles elogiou a maneira tranquila com que reclamamos de todos esses problemas e acabou deixando escapar que muitos hóspedes reclamam em voz alta e com grosseria. Ficou claro que, pelo visto, as reclamações são frequentes e encaradas como banalidades.
Esse comentário deixa muito claro que os problemas são gerais e não são valorizados.
E pelas situações por que passamos, a pousada precisa urgentemente de uma revisão na parte elétrica.
ALÔ-ALÔ! As falhas que se apresentaram e a precariedade das instalações são perigosas e comprometem a segurança de hóspedes e funcionários.
Ah! A garagem era coberta – excelente.
4 – É SEGUNDA-FEIRA. O QUE FAZER EM PARANAGUÁ?
Segunda é um dia morto na cidade. Deparamo-nos com restaurantes, Aquário e a Casa de Artesanato fechados porque segunda-feira as melhores atrações da cidade não abrem.
Onde almoçar então? Pergunta daqui e dali, uma senhora nos indicou o Hotel Camboa. Ótimo! Era nossa oportunidade para averiguar as acomodações do hotel.
Ao adentrarmos o saguão quase cortei os pulsos! O hotel é ma-ra-vi-lho-so! Visitamos dois tipos de acomodações (uma, bem sofisticada e outra, mais simples) e gostamos muito de ambas.
Como no Camboa de Antonina também tivemos que nos deslocar por escadas, não demos bola para seu parente de Paranaguá. Que arrependimento!…
5 – DOIS PROVEITOS QUE CABEM EM UM SACO: CASA DO BARREADO E HOTEL CAMBOA
Apesar de o gerente do hotel “curto circuito” ter-se desdobrado naquele velho perfil de gentilezas e ter-nos prometido melhores acomodações na próxima vez, pela inconveniência que sofremos é evidente que não retornaremos. Inda mais com um hotelaço como o Camboa nas proximidades, e pertíssimo da Casa do Barreado, onde Dona Norma recebe os comensais na varanda ou salão de sua casa e faz questão de servir o que existe de melhor na culinária parananguara – o Barreado, postagem futura aqui no blog.
Ói… prá terminar, peço a São Raphael que proteja o Camboa e castigue severamente quem se valeu de seu santo nome em vão.
Dê uma olhada no site do Camboa, clicando aqui.
Que pena, se tivesse consultado o “Vai Viajar, Istepô!” não teria passado por isso. Tchan!