BRASIL . SANTA CATARINA . NOVA VENEZA . Santuário N.S. do Caravaggio . SERRA DO RIO DO RASTRO. Como Chegar Partindo de FLORIANÓPOLIS.

 

O roteiro foi pesado para um dia só. Mas, como adoramos uma estrada, lá fomos nós, em um dia causticante de Verão rumo ao título da postagem – Nova Veneza e Serra do Rio do Rastro.
Caso você esteja de bobeira na Ilha de Santa Catarina, o que acho muito difícil, é possível alçar voos mais altos e aterrissar em outras pistas.
Sugestões não faltam porque Santa Catarina está apinhada de atrações tanto para o sul quanto para o norte do Estado. As três sugestões, que estão no alvo desta postagem, ficam no sul.

IMAGEM DESTACADA – Uma pequena amostra da Serra do Rio do Rastro.

 

1ª Etapa – CRICIÚMA e SANTUÁRIO de N. S. do CARAVAGGIO (Nova Veneza)

Saímos de Florianópolis muito cedo – se não me engano, em torno de 7.00 h da madrugada – e nossa primeira parada foi no Santuário de N. S. do Caravaggio (distante da ilha em aproximadamente 210 km).
Trafegamos no sentido sul pela BR 101 até encontrar a placa indicativa para dobrar à direita e seguir pela SC 443 em direção à Morro da Fumaça / Criciúma. Continuando pela SC 443, após 31 km você chegará à Nova Veneza, onde está o santuário.
N.B. – Na bifurcação com a Rodovia Irineu Bornhausen, a SC 443 muda para SC 446. É por essa que você chegará ao santuário.

A devoção à santa começou no sul do Brasil com a chegada dos italianos à Nova Veneza, em 1891. Essa veneração começou em 1432, quando da aparição da santa a uma camponesa de 32 anos, em Caravaggio, na Itália.

 

O santuário que atrai milhares de católicos a Nova Veneza em época de festividades em louvor à santa.
O santuário que atrai milhares de católicos a Nova Veneza em época de festividades em louvor à santa.

 

As festividades em homenagem à santa acontecem, anualmente, no último domingo de maio

As festividades em homenagem à santa acontecem, anualmente, no último domingo de maio e lotam Nova Veneza e Criciúma. Para que você tenha uma idéia, chegam a atrair cerca de 70.000 pessoas!

 

 

 

A arquitetura do santuário surpreende por suas dimensões, considerando que no prédio há subsolo e plano superior (onde está o altar), ambos acessíveis por escadas.

A arquitetura do santuário surpreende por suas dimensões, considerando que no prédio há subsolo e plano superior (onde está o altar), ambos acessíveis por escadas. Não percebi nenhum tipo de elevador no templo; peço desculpas caso tenha me escapado a existência desse importante e utilíssimo acessório.

O subsolo conta com  algumas pequenas capelas tais como essas que você vê na foto: Jesus Cristo morto e N. S. da Aparecida.

O subsolo conta com  algumas pequenas capelas tais como essas que você vê na foto: Jesus Cristo morto e N. S. da Aparecida.

O subsolo conta com  algumas pequenas capelas tais como essas que você vê na foto: Jesus Cristo morto e N. S. da Aparecida.
Foram os imigrantes italianos que trouxeram para Santa Catarina, em especial para Nova Veneza, a fé em N. S. do Caravaggio.

 

2ª ETAPA – NOVA VENEZA

2.1 – UM POUCO DE HISTÓRIA

O primeiro europeu a chegar à cidade foi Bortolomeu dal Moro, em 1888. Em junho de 1891 chegaram 400 famílias à Nova Veneza; no ano seguinte, em outubro, mais 500 famílias de italianos juntaram-se às primeiras; estas últimas, provenientes de Belluno, Bérgamo e Veneza.
Mais de 95% da população descende de italianos, o que faz da cidade de Nova Veneza a primeira colônia oficialmente instalada no Brasil. Por este motivo tornou-se uma parte da Itália localizada em nosso país, mais precisamente, em Santa Catarina.
Por conta deste santuário dedicado à Nossa Senhora de Caravaggio, Nova Veneza tornou-se polo turístico do Estado, motivando milhares de turistas a conhecer, por tabela, sua gastronomia – polenta, macarrão, embutidos e queijos artesanais, pães… – e a gôndola ancorada na praça principal.

 

Praça Humberto Bertoluzzi e rua do Centro da cidade.
Praça Humberto Bertoluzzi e rua do Centro da cidade.

 

95% da população de Nova Veneza descende de italianos.
95% da população de Nova Veneza descende de italianos.

 

Praça Humberto Bertoluzzi (acima e embaixo)
Praça Humberto Bertoluzzi (acima e embaixo)

 

Neste obelisco, na placa do meio, Nova Veneza homenageia as famílias de imigrantes ítalo-neovenezianos que se fixaram na cidade; na placa superior, a Assembléia Legislativa do Estado confere à cidade o título de Capital Catarinense da Gastronomia Italiana; a placa de baixo marca a data da revitalização da praça. Abaixo: o busto do primeiro médico da cidade.

Além do santuário um presente extremamente valioso e significativo foi ofertado por Veneza à cidade catarinense: uma gôndola que a população orgulhosamente apresenta aos visitantes. Você a encontra flutuando em uma piscina na Praça Humberto Bortoluzzi.

 

Nossos amigos foram sortudos e encontraram a embarcação restaurada.

 

No dia de nossa visita à cidade, mais precisamente à gôndola, aconteceu um fato interessante: literalmente demos com os burros n’água porque a embarcação estava no estaleiro.

 

Recolhemos nossa frustração e fomos em busca de um restaurante para almoçar. Dia de semana, 3 horas da tarde…, restaurantes encerrados, mas tivemos sorte e encontramos um deles aberto, bem próximo à praça principal.

 

Origem da embarcação, e o porquê de sua cor ser preta e feitio alongado e comprido são detalhes explicados no pequeno cais da praça.

 

2.2 – NOSSO AGRADECIMENTO PENHORADO A TODOS DO RESTAURANTE VENEZA.

Pelo que percebemos já haviam pendurado as panelas, mas abriram uma exceção para nos atender. Fomos muitíssimos bem recebidos pelos proprietários do Restaurante Veneza, a quem muito agradecemos pela hospitalidade.
Não pouparam esforços e mostraram a habitual força da culinária italiana, porque num piscar de olhos a mesa estava coberta por travessas de arroz, feijão, polenta frita, polenta cremosa, frango frito, espaguete ao sugo, batata frita, saladas de tomate e verde, purê de abóbora, enfim… difícil saber por onde começar. A indicação segue abaixo.

 

Na foto seguinte, vemos as casas de pedra construídas pelos italianos ao chegarem a sua nova pátria. Estas são de propriedade da família Bortolloto.

 

O aconchegante Restaurante Veneza.
O aconchegante Restaurante Veneza.

 

2.3 – GENTILEZA A JATO!

Conversa vai, conversa vem, o assunto gôndola veio à baila. Qual nossa surpresa? O funcionário do restaurante telefonou para o secretário de turismo relatando nossa frustração; do outro lado da linha o jovem imediatamente colocou-se à disposição para nos levar até ao sítio onde a gôndola estava sendo restaurada.
Não tivemos tempo para agradecer e “deixar para nova oportunidade” porque com a rapidez de quem furta o secretário, devidamente acompanhado pelo subprefeito, estacionou seu carro na porta do restaurante e nos levou até onde a gôndola estava sendo restaurada. Vai ter boa vontade assim lá longe!… Ficamos muito contentes e gratos pela agradável surpresa e o acompanhamos com nosso carro. Nem em Veneza vi uma gôndola tão de perto, porque um passeio de gôndola ficava muito caro para meu bolso nas épocas em que lá estive. A primeira vez foi em 1985, mas a segunda ficou perdida na memória.

 

 

Na foto acima, a família, o secretário de turismo e os restauradores da gôndola. O subprefeito clicou a foto.
Na foto acima estão minha família, o secretário de turismo e os restauradores da gôndola. O subprefeito clicou a foto gentilmente.

 

Não permanecemos no sítio por muito tempo porque o calor era de matar e ainda cumpriríamos a terceira etapa de nosso passeio: a subida da famosa Rio do Rastro, tão aguardada por mim e por nosso amigo. 

3ª ETAPA – FINALMENTE, A RIO do RASTRO! 

De Nova Veneza (SC 443) meu irmão partiu SC 446 em direção a Orleans para depois acessar a SC 390 rumo a Lauro Muller, onde começa a subida de uma das serras mais bonitas do mundo; ou seja, a famosa Rio do Rastro, que serpenteia a Mata Atlântica por 34 km.

 

 

Faz poucos dias comentamos qual teria sido o motivo para a abertura dessa estrada fantástica e o encontrei. A Rio do Rastro data de 1870, quando os primeiros habitantes da região precisavam chegar a Laguna em busca de gêneros de primeira necessidade. Levavam dias viajando em lombo de burro. Imaginem isso!
Sal, açúcar, roupas, calçados, medicamentos, ferramentas, móveis, roupas de cama, utensílios domésticos, e muitos etcéteras, são exemplos do porquê de serem obrigados a viajar até ao Porto de Laguna.

A titulo de curiosidade: levando-se em consideração o ponto mais alto da Rio do Rastro, que é Bom Jardim da Serra, a distância a ser percorrida até Laguna é de 118 km (SC 390).

 

 

3.1 – MUITA CALMA NESSA HORA!

Trafegar pela serra requer muita atenção. A estrada é estreita, sinuosa, muitas curvas fechadas e é aí que mora o perigo. Você tem que ficar de olho nas curvas que não lhe permitem ver quem está trafegando em sentido contrário, e não há restrições para caminhões e ônibus. Pela Rio do Rastro trafegam veículos grandes e pesados, e por isso é prudente manter boa distância de quem está a sua frente. Muitas vezes será preciso engrenar uma ré a fim de permitir que o veículo maior que o seu possa manobrar numa curva. Por este motivo, se você for daqueles motoristas que colam o carro na traseira do automóvel da frente, vai complicar muito.

 

3.2 – JÁ FOI PIOR!

Meu mano trafegou por essa estrada quando ainda era de cascalho, e segundo ele essa falta de conforto obrigava os motoristas a dirigirem com mais vagar ainda. Ultrapassar não é impossível, mas torna-se difícil pelo constante movimento de veículos, que aumenta bastante na alta temporada.
A pavimentação começou nos anos 80 e valeu muito à pena. No vídeo bem curtinho que você poderá ver clicando aqui, dou idéia do que seja o cuidado que você terá que ter ao trafegar pela Rio do Rastro.

 

3.3 – O CAMINHO DE VOLTA

De Bom Jardim da Serra meu irmão tomou o caminho de volta trafegando pela SC-390 até pegar a SC-110, à direita, para chegar a Urubici.
Seguiu ainda pela SC 110 e logo após entrou na SC-282 e seguiu até a Palhoça, já bem perto de Florianópolis. Passamos por Bom Retiro, Alfredo Wagner, Rancho Queimado, Águas Mornas, Santo Amaro da Imperatriz e Palhoça.  
Todos estes lugares lucramos ao definirmos o alvo de nosso passeio, ou seja, Nova Veneza e Serra do Rio do Rastro.


3.4 – OUTRA SUGESTÃO. LÁ VAI!

Essa volta se deve ao fato de termos querido abraçar o mundo com a Lua.
Em São José, Grande Florianópolis, você poderá pegar a SC 282 e “seguir reto toda vida” até encontrar a rotatória que lhe dará acesso à Urubici – SC-416. Novamente “segue reto toda vida” até o entroncamento com a SC-390. Não tem erro: a direção é Bom Jardim da Serra, o ponto mais alto da Serra do Rio do Rastro.

 

Acredite!… Para quem já trafegou por essa estrada sensacional que chega a tocar o coração dos mais fracos iguais a mim, e que se transporta para uma de suas perigosas curvas só de olhá-las em fotos, jamais concluirá que a tão temida Rio do Rastro já foi uma trilha!!! Uma simples trilha…
Clique aqui para mais informações a respeito da estrada.

Este passeio é IM-PER-DÍ-VEL!

 

 

2 comentários em “BRASIL . SANTA CATARINA . NOVA VENEZA . Santuário N.S. do Caravaggio . SERRA DO RIO DO RASTRO. Como Chegar Partindo de FLORIANÓPOLIS.

    1. Quem vê o santuário por fora não imagina o tamanho real do templo. É imenso! No subsolo há algumas capelas que nos dão a sensação de maior intimidade com as imagens dos altares. Talvez por serem pequenas, não sei… Ou talvez pelo silêncio reinante nos ambientes, senti-me bem próxima do que entendo por Paz. Valeu a visita.
      Bjks da amiga.

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