A cidade de Estrasburgo é agitada e isso logo se percebe pelo movimento na estação de trem, cuja arquitetura original foi inteligentemente protegida por uma estrutura moderníssima.
IMAGEM DESTACADA – Estrasburgo, apenas uma idéia.
1 – ESTRASBURGO
1.1 – A ESTAÇÃO DE TREM
A idéia que tive ao observá-la a distância, foi a de um imenso casulo construído para proteger, talvez, a cria mais delicada da cidade – a antiga estação de trem.




1.2 – UM POUCO DE HISTÓRIA
Estrasburgo data da época dos romanos; localiza-se na região denominada Alsácia, no leste da França, na fronteira com a Alemanha. Por ficar entre Paris e Praga, a cidade é conhecida como o Cruzamento da Europa. Foi anexada ao território francês no século V. Só por isso você já pode imaginar o quanto é antiga. Estrasburgo data de 12 A.C.!
A região foi palco de muitas disputas entre a França e a Alemanha. A cidade ficou livre até o século XVII, quando foi anexada à França. Os cidadãos de Estrasburgo passaram muitos anos ora fazendo parte da Alemanha, ora da França.
Saiba muito mais a respeito de sua História clicando aqui.
Estávamos em Paris e fomos até lá porque o tempo de viagem de trem convinha. Sair de uma cidade para outra vale à pena desde que você possa aproveitar o lugar de destino sem ter que se preocupar demasiadamente com a volta e o tempo de viagem. Deslocamentos que levem mais de duas horas devem ser bem pensados para que não se tornem torturantes.
1.3 – PREÇOS DE PASSAGENS
No momento desta postagem – hoje são 02/7/2017 – esse trajeto sai a partir de $25 euros.
O tempo médio de viagem entre Paris e Estrasburgo é de 2.21 h. Diariamente circulam perto de 14 trens entre Paris e Estrasburgo, a intervalos de 1.20 h .
Estação de partida: Paris Est (Place du 11 novembre 1918 – 75475 Paris)
Estação de chegada: Strasbourg (20 Place de la gare 67000 Strasbourg)”.
OBS: O tempo de viagem assinalado é em TGV – Trem de Grande Velocidade.
Informações a respeito de aquisição de bilhetes de trem para qualquer lugar da Europa, obtenha clicando aqui – onde obtive as informações acima.


3 – O QUE É VIAJAR COMO UMA MALA
O que chamo de viajar feito mala é quando me proponho conhecer algum lugar sem preocupações com mapas, com direções, com aquele compromisso de visitar uma atração do tipo que será cobrada por aquele amigo chato – o próprio istepô! – que faz questão de lhe perguntar:
– Você não foi ao lugar tal?
– Não; não fui.
– Ah!, então…, você não conheceu a cidade!…
Saco! Às vezes quero sair ao sabor da sorte. Cair em esparrelas faz parte do jogo e com viajantes vez ou outra acontece. Se não for assim, não há assunto para contar.

Toda vez que viajo prometo-me que não vou me preocupar com pormenores. Mas, como não tenho personalidade, acabo furando minha programação descontraída e reconhecendo que viajar como mala tem suas desvantagens.
Em Estrasburgo, por exemplo, andamos por lugares sem saber em que parte desta cidade estávamos. Nem noção de como voltar à estação de trem tínhamos, mas fomos pelo faro e deu certo.
4 – AONDE IR?
Perdemos fotos lindas que poderíamos ter clicado do alto da Barragem Vauban; mas como estávamos sem mapas, viajando como malas, perdemos uma bela atração. Outra coisa: também não matei a curiosidade para saber o ponto de partida dos barcos panorâmicos que contornam as partes mais interessantes de Estrasburgo. Agora que já passou, sei que o cais fica ao lado do Palais Rohan, vizinho da catedral. Estivemos na praça onde ela está e não nos demos conta disso. O Palais Rohan é a sede da Prefeitura e ao mesmo tempo abriga três museus. Mata-se cinco coelhos com uma só cajadada – legal, né?
4.1 – Grand Île e Petite France
Os centros de interesse da cidade ficam em uma parte chamada de Grand Île e outra de Petite France. Só não digo que uma está colada na outra porque são contornadas pelo rio ILL.
Este rio divide essas duas partes atrativas da cidade, que valem à pena serem visitadas batendo pernas porque você merece. Vai andar por ruas floridas e ter certeza de que não foi abduzida por uma fotografia de calendário. Quanto mais você anda, mais vontade tem de continuar caminhando. Gaste suas pernas até chegar aos joelhos.
4.2 – Rio ILL
É um afluente do Rio Reno de 223 km de extensão. Sua importância não é apenas por embelezar a cidade, mas por servir como canal de transporte, de produção de energia elétrica e de recreação.
4.3 – Informações Gerais
Estrasburgo possui 3 milhões de metros quadrados de áreas de lazer incluindo parques e praças.
A Prefeitura investe em paisagismo e este compromisso com a população requer cuidados especiais que são levados à sério. Funcionários responsáveis pela manutenção dessas áreas fazem serviço de jardinagem tais como regas e podas e replante de flores de acordo com a época do ano.
Estrasburgo é uma cidade limpa! Percebe-se que a Prefeitura prioriza o conforto de seus habitantes em tudo. Pessoas observadoras iguais a mim, notam que nas ruas há espaços destinados para cada tipo de transporte, incluindo bicicletas, bonde elétrico (tramway), automóveis e ônibus e, claro, espaço para os pedestres. Ciclista não trafega em calçadas! É cada um no seu quadrado.
4.4 – A Secular Estrasburgo
Não pense que por ser uma cidade secular você só encontrará casas caindo aos pedaços, ruas sujas, rios poluídos. Não! Por ser antiga, a cidade também conta sua História pela arquitetura. O barroco convive em harmonia com o enxaimel, o românico e o gótico são apreciados na própria catedral e por aí vai. Isso, sem contar os prédios moderníssimos da Sede do Parlamento Europeu e da Corte Européia dos Direitos Humanos.
Cidade de idosos? Também não. Cidade de jovens! De muitos jovens que procuram Estrasburgo para estudar em uma universidade que abriga aproximadamente 50.000 alunos.
Estrasburgo é para ser curtida e não visitada do jeito como fizemos – visita de médico. Caso tenha oportunidade, permaneça pelo menos por duas noites na cidade. Você merece.


Observe nesta foto que não há desnível entre calçada e a rua. Esse nivelamento facilita a vida de cadeirantes e pessoas com dificuldades para se locomover. Todos transitam despreocupadamente pelas calçadas por motivos que dispensam explicações.




Bateu uma vontade forte de almoçar neste restaurante, mas olhamos o relógio e ainda era muito cedo. Ficamos de voltar, mas nos distanciamos demais e desistimos de nosso intento.


















5 – ONDE COMER




Lentilhas, batatas, salsichão e bacon defumado. Só de olhar a foto me lembro do aroma do prato, pode acreditar. E do gosto? O restaurante é ótimo e recomendo sem restrições.


6 – A CATEDRAL de ESTRASBURGO
foi considerada a maior catedral do mundo de 1625 a 1874, e a mais alta do planeta até 1880, mas perdeu este título quando construíram a catedral de Colônia.
Até que conseguisse se manter em pé do jeito que está, este lugar foi palco de muita destruição por guerras e pelo fogo.


6.1 – Planeta Marte x Catedral de Estrasburgo
Neste local, os pagãos construíram um tempo em louvor à Marte, deus romano de guerras, de destruição, de desestabilização. Na astrologia, o planeta Marte foi possivelmente batizado com esse nome por conta de ser vermelho, cor associada a sangue e à violência.
No século VII, neste local, levantaram uma pequena igreja em homenagem à Nossa Senhora. Deste templo não há vestígios, pois no século seguinte construíram uma catedral cuja obra concluíram no período do governo do Imperador Carlos Magno (768 a 814). Carlos Magno era cristão e por este motivo erguia fortalezas e igrejas nos territórios conquistados.
6.2 – Desgraça Pouca É Bobagem
Esta catedral foi atingida por três incêndios: o primeiro em 873, o segundo em 1002 e o terceiro em 1007.
Em 1015 o bispo de Estrasburgo e o Imperador Henrique II lançaram-se na construção de nova catedral que foi, mais uma vez, completamente destruída por mais um incêndio, em 1176.
Entre 1180 e 1190 o bispo da cidade estudou a possibilidade de erguer novo tempo em homenagem à Nossa Senhora. Este projeto teve início em 1220 pelo mesmo arquiteto que construíra as catedrais de Chartres e Reims. A construção foi terminada em 1439 e esta é a grande obra da arquitetura gótica, batizada de “estilo francês” pelos artesãos e engenheiros que as construíram, e que deslumbra quem a visita em Estrasburgo.
As destruições não pararam por aí. Houve a demolição da flecha da catedral em 1793, além das estátuas da fachada.
A catedral também sofreu com a guerra de 1870 (franco-prussiana), sem contar com a destruição da Segunda Guerra Mundial.
Finalmente, a herança maléfica deixada há séculos por Marte foi vencida, e hoje podemos contemplar essa obra fantástica símbolo de persistência e fé – atestado de que “não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe”.
6.3 – HORÁRIOS PARA VISITAÇÃO
De segunda a sábado, das 9.30 às 17.30 horas.
Domingos, de 12.30 às 18.30 horas. Entrada gratuita.
Visitas guiadas: de 15 de julho a 31 de agosto, diariamente, às 14 h (em alemão) e às 15 h (em francês).
Valor: 4 euros.
Gratuito para crianças menores de 12 anos.

A cegonha, símbolo da Alsácia e quase extinta na região, novamente faz seus ninhos nos telhados de igrejas e residências. Arrependi-me por não ter comprado uma.






Estrasburgo é um passeio que vale à pena. Melhor ainda seria se tivéssemos nos hospedado na cidade. Ficará para a próxima.
