Jeri mudou muito e foram mudanças radicais para melhor no curto espaço de cinco anos!
O ar bucólico de 1984, em que só se chegava à Jericoacoara atravessando as dunas a pé e com sus bagagem balançando em lombo de burro já era.
IMAGEM DESTACADA – Lagoa Azul
COBRANÇA DA TTS PARA O TURISTA ENTRAR EM JERI
O assunto não é novidade, mas não custa repetir.
A (ex) Vila está situada em um Parque Nacional, e por este motivo o turista deverá desembolsar a TTS – Taxa de Turismo Sustentável no valor ínfimo de R$5,00 (cinco reais) por dia de permanência na Vila. O valor da taxa é individual.
Por enquanto Jeri não pode engordar nos quadris e só isso já é uma vantagem; isto é, a Vila não pode crescer para os lados.
Ontem, 20/10/2023, dei uma olhada no Google Maps para procurar hospedagem para um amigo e levei outro susto. A impressão que tive foi a de que todos os habitantes de Jericoacoara transformaram seus imóveis em hotéis e pousadas e foram morar em outro lugar.
AS MUDANÇAS SÃO RADICAIS, MAS PARA MELHOR
Há 5 anos o burburinho da antiga aldeia de pescadores começava pouco depois de a moçada assistir ao por-do-sol do alto da duna de mesmo nome.
A noite era agitada devido ao nível descontrolado dos autofalantes que alimentavam a animação dos irrequietos na rua Principal e somava-se a este descontrole a barulhada vinda de buzinas de buggys, ronco de motores de quadriciclos e burburinho de restaurantes funcionando em quintais e varandas.
Esta agitação, felizmente, não varava madrugadas e até o momento continua assim. Este comportamento diminuiu consideravelmente após as modificações prá melhor pelas quais tem passado Jericoacoara.
JERI, UMA VILA ORGANIZADA
Na rua Principal, agora ocupada por barraquinhas de batidas incrementadas, artesanatos e guloseimas, não há mais barulho.
Cantores que se acompanham ao violão apresentam-se em restaurantes, lembrando-nos de uma boa época de nossas vidas em que podíamos andar pelas ruas do Rio, à noite, sem o menor temor.
Era normal entrarmos em casa de madrugada e com o sapato na mão, por termos dançado a noite toda nos arrasta-pés. Nem preciso dizer que o saudosismo bateu forte à minha porta.
Jericoacoara cresceu, conforme citei na postagem anterior, mas está organizada.
Ruas por onde trafegavam todo tipo de veículo agora fecham após determinado horário e tornam-se exclusivas para pedestres. Gostei. Só isso já reduziu em muito o barulho de ronco de motores.
O COMÉRCIO
trabalha com preços justos e bem diferentes dos preços extorsivos praticados em Barreirinhas, MA, porta de entrada para os Lençóis Maranhenses.
Em Barreirinhas adquiri um cartão de memória para minha máquina fotográfica e paguei R$47,00 (quarenta e sete reais). Em Jeri comprei outro, idêntico, e paguei R$5,00 (cinco!!! reais). Por aí você vai vendo a diferença, sem comentar outros “pormaiores” que deixo para postagens futuras desta mesma série.
LAGOAS DO PARAÍSO e AZUL
Neste dia tivemos a satisfação de conhecer Elivandro, piloto de um buggy bem descolado, que auxilia Paulo Rocha nos passeios mais descontraídos. Mas…, caso seja de sua vontade visitar as lagoas viajando em uma Hilux, não tem problema – o passageiro é quem escolhe e Paulo vai lá. Optamos pelo buggy.

Elivandro é um jovem simpático, cordial, tranquilo e de bom papo.
Com precisão britânica chegou à pousada para nos buscar, e lá fomos nós ao encontro das lagoas por caminhos nunca dantes navegados.
Mesmo sendo esta a terceira vez que visitávamos Jeri, sem grandes intervalos, encontramos muitas diferenças nas paisagens graças à ação da natureza. Nesta região o vento é bem forte e muda a paisagem com uma frequência espantosa. O paredão de areia imenso da foto abaixo, por exemplo, foi uma das novidades que encontramos.

Meu amigo bronzeando-se sob o sol de Jeri.
Aconteceu que um pouco antes de chegarmos à Lagoa do Paraíso, a primeira que visitamos, Eli perguntou-nos se gostaríamos de conhecer uma das novidades do pedaço – o Alchymist Beach Club Lagoa Paraíso -, ou se preferíamos seguir em frente.
A burralda aqui, ao invés de dar uma olhada no clube e depois voltar para ver do que se tratava, optou por permanecer algum tempo no Alchymist e depois partir para a Lagoa Azul. Mofei com as pombas na balaia.
A PRAGA QUE CHEGOU JERI É OUTRA!
Um brasão identifica a empresa de nome Luxury Group, estabelecida em Praga, que abrange hotéis de super luxo, restaurantes e clubes praianos. É esta sociedade que representa o Beach Club. Dê uma olhada neste link e saiba a que tipo de luxo estou me referindo.
E foi justamente este grupo que inaugurou no Ceará duas unidades “descontraídas”, a saber: O Jardim Alchymist no bairro da Aldeota, em Fortaleza, e o Alchymist Beach Club em Jericoacoara, este que visitamos, com espaço separado para VIP’s na beira da lagoa. Espaço cobrado, claro.


Mas não para por aí. Na beira d’água colocaram espreguiçadeiras e guarda-sóis brancos, também alugados, caso seja de sua vontade desfrutar dessa proximidade. Tudo bem diferenciado dos locais mais “públicos”; ou seja: os que ficam bem mais atrás.


Depois que assisti ao vídeo que passo para você nesse link, me perguntei aonde irá parar tudo isso. Ainda mais agora, que a ex Vila de Jericoacoara está prestes a inaugurar um voo direto para Lisboa.

OS FATOS
Quem está trazendo a marca para o Brasil é um italiano de nome Giorgio Bonelli.
Digo trazendo, porque não acredito que as investidas do empresário nessas regiões paradisíacas parem por aí. Temo que daqui a poucos anos a beira de algumas lagoas sejam vistas com um colar de espreguiçadeiras e guarda-sóis, onde apenas pagantes desfrutarão desses cenários que herdamos gratuitamente da natureza, e onde, nas primeiras vezes que visitei Jeri me banhei sem ter que pagar nada.
Em 27/4/2018, o jornal O POVO (on line) noticiou a suspensão da autorização de funcionamento do clube pela SEMACE (Superintendência Estadual do Meio Ambiente) a partir do dia 25/4/18, após comprovação de que as instalações foram erguidas em local de preservação permanente; portanto, em desacordo com a lei de preservação ambiental – A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, é a principal lei ambiental do Brasil, pois estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA).
Segundo a SEMACE, os proprietários deveriam desocupar e recuperar a área, e esta medida foi estendida a todos que se enquadrassem nesse perfil.
No dia seguinte o mesmo jornal noticiou que o clube, em 29/4, doaria alimentos perecíveis para a população de Jericoacoara, em virtude de seu fechamento.
O problema não é novo. Em 10 de março de 2017, o jornal Portal de Camocim publicou que o Alchymist Beach Clube havia sido autuado em R$500 mil pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – é este instituto que administra o Parque Nacional de Jericoacoara.
Indignado com a medida, o empresário voltou para a Itália pra chorar suas pitangas e ameaçou fechar a fonte de alegados 250 empregos diretos e 500 indiretos.
“ESTÁ TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES”
Após pouco mais de um ano, o Alchymist voltou a funcionar em 13/6/2018, graças a uma liminar expedida pela Vara de Justiça de Sobral – notícia do jornal O POVO de 09/6/2018.
Sim, mas… e a construção ilegal, em local de preservação permanente, como fica?
Fica tudo como dantes no quartel d’Abrantes, ora pois pois!…
Foto abaixo: Na entrada do clube, uma escultura assinada por um artista de Sirinhaém, PE, impressiona pela criatividade e riqueza de detalhes. É belíssima!









O CARDÁPIO – Preços bem mais altos que os praticados no Centro de Jericoacoara por motivos óbvios.
Embarcamos nos pasteizinhos aromatizados com camarão, matamos a sede com água de côco, pedimos a conta, e deixamos o resort para caminhar na beira da lagoa antes de darmos continuidade a nosso passeio.
…
Vi a propaganda na vela da jangada e me perguntei o que seria “esquibucho”. Mas, logo, logo, matei a charada: é o contrário do esquibunda, claro. Só pode ser a descida de peito na lona molhada. Ou seja, o indivíduo arrasta o bucho (a barriga) na lona e não a bunda. Rimos muito.
Buscávamos o trecho da Lagoa do Paraíso em que ficamos em 2013, mas nosso compromisso com Eli não nos permitiu caminhar mais e tivemos que voltar. Ficará para a próxima.
A CAMINHO DA LAGOA AZUL


A ingrata surpresa de vê-la tomada pelo mato e pela areia foi tamanha, que nem descemos do buggy e voltamos para Jeri. Elivandro comentou que a Lagoa Azul secou de tal forma, que o restaurante chegou a fechar por um bom tempo por falta de clientela. Imaginem isso!…


Jericoacoara, segundo informações de Paulo, ficou 5 anos sem chover!
Ficamos desapontados com a escassez de água da Lagoa Azul, mas logo adiante a frustração foi amenizada por uma breve parada que Eli fez ao lado de um buraco muito especial: um ninho de caburé.
De olhar aparentemente perdido, mas atenta à agitação dos filhotes dentro do buraco, a avezinha que chamamos de coruja vez ou outra dava uma olhadela para baixo a título de confererir os filhotes. Claro, todo cuidado é pouco com as crianças e esta mamãe zelosa sabe muito bem disso!
Ô natureza fantástica!
Por hoje é só.
1º dia na Rota – De Fortaleza a Jericoacoara.
3º dia na Rota – Andanças Por Jericoacoara.
4º dia na Rota – De Jericoacoara a Luiz Correa, PI.
5º dia na Rota – Carnaubinha Praia Resort.
6º dia na Rota – Barreirinhas e Circuito Lagoa Azul.
7º dia na Rota – Santo Amaro do Maranhão
8º dia na Rota – Flutuação no Rio Formigas, em Barreirinhas
9º dia na Rota: De Barreirinhas (MA) a Jericoacoara (CE) – O Caminho de Volta e O Que Não Foi Visto na Ida.
10º dia na Rota: Uma pocilga chamada Hotel Samburá, em Fortaleza.
– A Ex Bem Cuidada POUSADA D’AREIA.
– Divino Cafeteria no Centro de Barreirinhas – É Divina!
– Hotel Villa Beija-Flor, em Jericoacoara.
– Hotel Villa Terra Viva, em Jericoacoara.
– Conto de Fadas – Onde Comprar em Jericoacoara.
– O Charme do Comércio de Jeri.
– O Quintal Mais Badalado da Vila.
– Onde Almoçar em Barreirinhas. Ou não.
– Programe Seu Passeio Com Paulo-Off Road Jeri.
” VIAJAR É MUDAR A ROUPA DA ALMA” – frase de camisetas de Jeri.
Amiga, suas postagens sobre Jeri me deram água na boca! Ainda não conheço. Fico imaginando o quão bela seria essa paisagem em 1984, intocada e selvagem! Creio que a especulação imobiliária já esteja desvirtuando tudo.
Seu texto é poético!
Querido amigo Rodrigo, tudo bem?
Jeri está se transformando em uma localidade sofisticada, porém maquiada por uma descontração que insistem em preservar – a falta de calçamento nas ruas, a conservação da aparência das antigas casas e a vaidade deixada um pouco de lado – maquiagens elaboradas, roupas sofisticadas etc. – são exemplos.
A Jeri que conhecemos em 2013, ainda bem bucólica, foi sensacional. Mas, para quem ainda não se deixou apaixonar por suas belezas naturais, vale muito à pena – e como vale!
Como sou apaixonada pela Vila, e por isso sou má conselheira, amigo…
Sempre bem-vindo, Rodrigo!
Abraço da amiga Marilia.